sábado, 2 de agosto de 2008

LIBERTANDO A ALMA DA EMPRESA: como transformar a organização numa entidade viva. Resenha do livro de R. Barrett, feita por Antonio da Costa Neto.




Quem acha que tem as mãos bastante cheias com planilhas de custos, curvas de vendas, fluxos de caixa e índices de rentabilidade, ainda não viu nada. Muito depois da reengenharia, da qualidade total, do downsizing, etc. etc. etc. chegou a vez da empresa...espiritual. Sem brincadeira! Além do malabarismo de sempre para produzir e comercializar com eficiência, eficácia e efetividade. Ganhar, reter mercados e assegurar a saúde financeira da empresa, os executivos do terceiro milênio terão de aprender a cuidar, também, da alma da organização. Alma? Isso mesmo!
Aquela dimensão capaz de contribuir para o bem comum. E isso não é apenas para se alinhar com uma sociedade cada vez mais politicamente correta. Ser uma empresa do bem, atenderia, de quebra, aos interesses mais egoístas de sucesso. Seria a nova chave para prosperar e não, pura e simplesmente, sobreviver.
Quem faz a alerta e quer colocar as empresas no divã (ou no confessoinário?) é Richard Barrett, em Libertando a alma da empresa: como transformar a organização numa entidade viva. Ex-diretor do Banco Mundial, em nome do qual organizou, em 1995, a primeira Conferência Internacional sobre Ética, Valores Espirituais e Desenvolvimento Sustentável. Barrett, comanda hoje uma das mais conceituadas consultorias internacionais sobre liderança e administração. E, antes de descartá-lo como mais um mago passageiro, um Paulo Coelho da gestão, vale uma espiada na sua estrelada lista de clientes, que inclui potências como Ford, Ericsson,Blue Shield e Kraft, só para exemplificar.
A premissa do livro é consistente. Barrett parte da constatação de que com conhecimento e tecnologia fluindo facilmente por fronteiras internacionais, a única maneira de construir verdadeira vantagem competitiva daqui para a frente será por meio do capital humano, conquistando sempre níveis mais elevados de criatividade e produtividade. Mas como conseguir isso? No paradigma atual da administração, habituada a ver a empresa pela ótica exclusiva de números e índices, a resposta seria mais controles, melhorias de processos, benefícios atraentes e bônus milionários para atrair talentos.
Na perspectiva de Barrett apoiada em estudos de outros autores consagrados, tal visão estaria desfocada porque entende a empresa como máquina e ignora a sua dimensão humana. Teria se tornado também eficaz já que possibilita, no máximo, pequenos avanços e mudanças, quando o que se exige é quase uma revolução.
Para ele, a única alternativa atual realmente eficiente e eficaz para construir a desejada competitividade e assegurar a perenidade das organizações é entender que empresas não existem apenas para produzir bens e serviços. São comunidades de pessoas, entidades vivas. Para liberar seu potencial máximo seria preciso, portanto, “liberar sua alma”. Ou seja, construir uma cultura corporativa baseada na participação e valores compartilhados, no qual as pessoas encontrem não apenas recompensas materiais, mas realização pessoal, e, principalmente, significado no trabalho, e na qual elas possam transcender a busca imediatista do pão ou do luxo de cada dia em nome de uma contribuição para o bem comum.
Parece utópico demais? Mas só assim, alega Barrett seria possível alcançar, em vez de mudanças pontuais, o patamar da transformação profunda, evolução e inovação permanentes, sem as quais qualquer empresa, no ambiente competitivo de hoje, está com os dias contados. “Não se trata de fazer as coisas de modo diferente”, diz ele, “mas de fazer coisas novas e radicalmente diferentes”. Neste viés, o lucro deixaria de ser o foco imediato e prioritário. Na empresa regida por valores éticos, voltada para a excelência nos processos e nas relações com funcionários, clientes, fornecedores e a comunidade, lucro é decorrência, medida do sucesso inevitável.
Entre os profissionais, a competição cederia lugar à cooperação. No lugar do medo e da cultura rígida que pune o fracasso, surgiria uma cultura de confiança, que encoraja o risco, no qual o erro é celebrado como oportunidade de crescimento e de aprendizado.Ou seja, o erro é mais uma experiência louvável: eminentemente pedagógica.
Anotou tudo? Mas tem mais. Não existem fórmulas fáceis para atuar nesta dimensão humana das empresas. Para transformar as organizações é necessário antes, transformar as pessoas, a começar pelos líderes que deveriam começar abandonando as práticas tradicionais de gestão, como hierarquia, autoridade, controle e punição, em favor de uma nova concepção de líder visionário, estrategista, crítico e facilitador.
Henry Ford, entre muitos, ficaria de cabelo em pé com um discurso desses. Mas Barrett recheia sua pregação com exemplos convincentes. Argumenta que as mais bem sucedidas empresas do momento são justamente as que estão migrando para o novo paradigma. E assegura não ser coincidência o fato de que justamente as melhores empresas para trabalhar com prazer, dignidade, autonomia e bem-estar de todos estarem entre as que apresentam os resultados financeiros mais atraentes.




Um comentário:

carneiro disse...

Oi Antonio,

somente agora estou tendo um tempo para visitarseu blog,e encontro de caraeste texto, libertando a alma da empresa.
Olha, sofri muito por pensar a empresa como um servivo,pois as estruturas empresarias atuais não permitem que se pense diferente e sim de acordo com o modelo tradicional, para manter o "status quo" da galera lá de cima da ponta da piramide, e quem ousar pensar diferente cai.
Graças a Deus que conseguimos atingir um certo grau de maturidade, conseguindo conquistar espaços verdadeiramente consistente econfirmados pelas grandes empresas do mercado mundial, pois agora pensamos globalmente e agimos localmente, e só sobrevivirá quem agir desta forma, ou seja entender a empresa como um ser vivo, mutante e aberto para novas e grandes transformações.

Um grande abraço

jose bispo filho
jbispofilho@yahoo.com.br