sábado, 8 de julho de 2017

DISCURSO DE J.K. ROWLING - AUTORA DE HARRY POTER - NUMA FORMATURA DE HARWARD - 2008



Confiram a tradução na íntegra em notícia completa! O vídeo pode ser visto clicando aqui, e ainda temos outros dois; o primeiro dos comentaristas falando sobre Jo, e o segundo da presidente de Harvard agradecendo a sua presença.
Vejam também algumas fotos da cerimônia clicando aqui, e nesse link novas imagens da autora recebendo o grau honorário da Universidade.
JK ROWLING
Discurso da autora na formatura da Classe 2008 de Harvard

Harvard Magazine ~ JK Rowling
05 de junho de 2008
Tradução: Daniel Mählmann
Revisão: Fabianne de Freitas
Presidente Faust, membros da Corporação Harvard e do Conselho de Administradores, membros do corpo docente, pais orgulhosos e, acima de tudo, formandos.
A primeira coisa que eu gostaria de dizer é ‘muito obrigado’. Não somente Harvard me deu uma honra extraordinária, mas as semanas de medo e náusea que eu tenho vivenciado ao pensar em fazer um discurso nesta cerimônia de formatura me fez perder peso. Uma situação em que só ganhei! Agora tudo o que eu tenho a fazer é respirar fundo, dar uma olhada nas bandeiras vermelhas e enganar a mim mesma, acreditando que estou na mais bem educada convenção Potter do mundo.
Fazer um discurso em uma cerimônia de formatura é uma grande responsabilidade; ou assim eu pensava até eu relembrar a minha própria formatura. O orador da cerimônia daquele dia foi a distinta filósofa britânica Baronesa Mary Warnock. Refletir sobre o seu discurso me ajudou enormemente a escrever esse aqui, porque percebi que eu não conseguia lembrar de uma única palavra que ela dissera. Essa descoberta libertadora me possibilitou continuar sem qualquer receio de que eu poderia influenciar vocês a inadvertidamente abandonar suas carreiras promissoras nos negócios, na justiça ou política para as delícias vertiginosas de se tornar um bruxo gay.
Estão vendo? Se tudo o que vocês se lembrarem nos próximos anos for a piada do “bruxo gay”, eu ainda saí à frente da Baronesa Mary Warnock. Objetivos alcançáveis: o primeiro passo para o aperfeiçoamento pessoal.
Na verdade, eu tenho procurado em minha mente e meu coração o que eu deveria dizer hoje a vocês. Perguntei a mim mesma, o que gostaria de ter sabido em minha própria formatura, e quais lições importantes eu aprendi nos 21 anos que se passaram entre aquele dia e este.
Surgiram-me duas respostas. Neste dia maravilhoso, quando estamos todos reunidos para celebrar vosso sucesso acadêmico, eu decidi falar com vocês sobre os benefícios do fracasso. E, como vocês estão no limite do que muitas vezes é chamado de ‘vida real’, eu quero exaltar a importância crucial da imaginação.
Essas escolhas podem parecer idealistas ou paradoxais, mas por favor me ouçam.
Olhando para trás, aos 21 anos de idade que eu tinha na formatura, é uma experiência um pouco desconfortável para a mulher de 42 anos a qual me tornei. Metade do tempo de minha vida, eu estava em um desequilíbrio preocupante entre a ambição que eu tinha para mim mesma, e o que aqueles mais próximos esperavam de mim.
Estava convencida de que a única coisa que eu queria fazer, sempre, era escrever romances. No entanto, meus pais, ambos os quais vieram de origens pobres e nenhum dos dois tinham ido à faculdade, achavam que a minha imaginação fértil era uma divertida loucura pessoal e que nunca poderia pagar uma hipoteca, ou garantir uma aposentadoria.
Eles tinham esperanças de que eu teria um diploma vocacional; eu queria estudar Literatura Inglesa. Um acordo foi feito e que, em retrospecto, não satisfez ninguém, e eu fui estudar Idiomas Modernos. Mal o carro dos meus pais dobrava a esquina no fim da rua e eu descartava Alemão e corria para os corredores de Literatura Clássica.
Não me lembro de ter contado aos meus pais que estava estudando Literatura Clássica; eles podem muito bem ter descoberto pela primeira vez no dia da formatura. De todos os assuntos desse planeta, acho que eles dificilmente poderiam indicar um menos útil do que Mitologia Grega, quando isso veio para assegurar as chaves para um banheiro executivo.
Eu gostaria de deixar claro, entre parênteses, que não culpo meus pais pelo ponto de vista deles. Existe uma data de validade em culpar seus pais por nos colocar na direção errada; o momento em que você é adulto o suficiente para tomar o controle, a responsabilidade recai sobre você. Além disso, eu não posso criticar meus pais por esperarem que eu nunca experimentasse a pobreza. Eles tinham sido pobres, e eu já fui pobre, e concordo completamente com eles de que esta não é uma experiência enobrecedora. A pobreza implica em medo, e estresse, e, algumas vezes, depressão; isso significa milhares de pequenas humilhações e dificuldades. Sair da pobreza por seus próprios esforços, é de fato algo para se orgulhar, mas a pobreza em si é romantizada apenas pelos tolos.
O que eu mais temia quando tinha a idade de vocês não era a pobreza, mas o fracasso.
Na sua idade, apesar de uma clara falta de motivação na Universidade, onde eu tinha gasto muito tempo escrevendo histórias em cafés, e pouquíssimo tempo assistindo palestras, eu tinha uma aptidão em passar nos exames e que, por anos, tinha sido a medida de sucesso na minha vida e na dos meus colegas.
Não sou tola o suficiente para supor que, por serem, jovens, talentosos e bem educados, vocês nunca passaram por dificuldades ou mágoas. O talento e a inteligência nunca imunizaram ninguém contra o capricho do Destino, e nem por um momento eu imaginei que todos aqui têm desfrutado de uma existência de contentamento e privilégios serenos.
No entanto, o fato de vocês estarem se graduando em Harvard sugere que não estão muito bem familiarizados com o fracasso. Vocês poderão ser conduzidos por um receio do fracasso tanto quanto por um desejo pelo sucesso. De fato, sua concepção de fracasso pode não estar muito longe da idéia de sucesso de uma pessoa comum, tão alto que vocês já voaram academicamente.
No fim das contas, todos precisamos decidir, por nós mesmos, aquilo que constitui o fracasso, mas o mundo é bastante ávido para lhe dar um conjunto de critérios, se você deixá-lo. Por isso acho justo dizer que por qualquer medida convencional, meros sete anos após o dia da minha formatura, eu tinha fracassado em escala épica. Um casamento de duração excepcionalmente curta, eu estava desempregada, era uma mãe solteira, e tão pobre quanto é possível ser na Grã-Bretanha moderna sem ser uma desabrigada. Os receios que meus pais tinham tido para mim, e que eu tinha tido para mim, ambos tinham acabado por acontecer, e de acordo com cada padrão normal, eu era a maior fracassada que conhecia.
Agora, eu não vou ficar aqui e lhes dizer que a frustração é divertida. Esse período da minha vida foi bem obscuro, e eu não tinha idéia de que ia acontecer aquilo que a imprensa tem, desde então, descrito como uma espécie de fim de conto de fadas. Eu não tinha idéia de quão longo era o túnel e, por muito tempo, qualquer luz em seu fim era mais esperança do que realidade.
Então por que eu falo sobre os benefícios do fracasso? Simplesmente porque fracasso significa se despir do que não é essencial. Eu parei de fingir a mim mesma que eu era diferente, e comecei a orientar toda a minha energia em terminar o único trabalho que importava para mim. Se eu realmente tivesse alcançado sucesso em qualquer outra coisa, eu poderia nunca ter encontrado a determinação para ter sucesso naquela área na qual eu verdadeiramente acreditava que pertencia. Eu estava em liberdade, porque o meu maior receio já tinha sido realizado, e eu ainda estava viva, e ainda tinha uma filha a quem eu adorava, e tinha uma velha máquina de escrever e uma grande idéia. Então o fundo do poço se tornou a base sólida sobre a qual eu reconstruí a minha vida.
Talvez vocês nunca falhem na escala que eu falhei, mas alguns fracassos na vida são inevitáveis. É impossível viver sem falhar em algo, ao menos que você viva de forma tão cautelosa que você pode não ter vivido de verdade – nesse caso, você falha por omissão.
O fracasso me deu uma segurança interna que eu nunca tinha atingido passando em exames. Ele também ensinou coisas sobre mim que eu não poderia ter aprendido de nenhuma outra forma. Descobri que tinha uma grande força de vontade e mais disciplina que suspeitava; também descobri que eu tinha amigos cujo valor estava realmente acima de rubis.
O conhecimento que você adquire sábia e fortemente a partir de uma derrota significa que você está, sempre, seguro de sua capacidade de sobreviver. Vocês nunca vão conhecer verdadeiramente a si mesmos, ou a força de seus relacionamentos, até que ambos tenham sido testados pela adversidade. Esse conhecimento é um verdadeiro dom, por isso que é adquirido arduamente, e tem significado para mim mais do que qualquer qualificação que já ganhei.
Se me dada uma máquina do tempo ou um Vira-Tempo, eu diria ao meu eu de 21 anos que a felicidade pessoal reside em saber que a vida não é uma lista de verificação de aquisições ou realizações. As suas qualificações, o seu currículo, não são a sua vida, embora vocês vão conhecer muitas pessoas da minha idade e mais velhas que confundem as duas coisas. A vida é difícil e complicada, e além do controle total de qualquer um, e a humildade de saber isso irá capacitar-lhes para sobreviver às suas inconstâncias.
Vocês poderiam pensar que eu escolhi meu segundo tema, a importância da imaginação, devido ao seu papel na reconstrução da minha vida, mas não é inteiramente por isso. Apesar de que eu defenderei o valor de contar histórias para dormir até meu último suspiro, eu tenho aprendido a valorizar a imaginação em um sentido muito mais amplo. A imaginação não é apenas a única capacidade humana para prever aquilo que não é, e, por conseguinte, a fonte de todas as invenções e inovações. Na sua capacidade argumentável mais transformadora e reveladora, é o poder que nos permite simpatizar com seres humanos cujas experiências nós nunca compartilhamos.
Uma das maiores experiências da minha vida antecedeu Harry Potter, apesar dela informar muito do que eu escrevi nesses livros em seguida. Essa revelação veio na forma de um dos meus primeiros empregos diurnos. Embora eu costumasse dar uma fugida para escrever histórias durante minha hora de almoço, eu paguei o aluguel, aos meus vinte e poucos anos, trabalhando no departamento de investigação na sede da Anistia Internacional, em Londres.
Lá, em meu pequeno escritório, li cartas escritas rapidamente contrabandeadas dos regimes totalitários por homens e mulheres que arriscaram serem presos ao informar o mundo exterior do que estava acontecendo com eles. Eu vi fotografias daqueles que tinham desaparecido sem deixar rastro, enviadas à Anistia por suas famílias e amigos desesperados. Eu li os testemunhos das vítimas de tortura, e vi fotos de seus ferimentos. Eu abri descrições escritas à mão de testemunhas oculares dos julgamentos e execuções sumárias, de seqüestros e estupros.
Muitos dos meus colegas de trabalho eram ex-presos políticos, pessoas que tinham sido deslocadas de suas casas, ou fugiram para o exílio, porque eles tiveram a audácia de pensar independentemente de seu governo. Os visitantes ao nosso escritório incluíam aqueles que tinham vindo para fornecer informações, ou tentar e descobrir o que havia acontecido àqueles que eles tinham sido obrigados a deixar para trás.
Nunca vou esquecer do africano, vítima de tortura, um jovem não mais velho do que eu era naquela época, que tinha se tornado mentalmente doente depois de tudo que ele tinha sofrido em sua terra natal. Ele tremia incontroladamente enquanto falava para uma câmera de vídeo sobre a brutalidade exercida contra ele. Ele era alguns centímetros mais alto do que eu, e parecia tão frágil quanto uma criança. Foi-me dada a tarefa de escoltá-lo à estação de metrô mais tarde, e esse homem cuja vida foi destroçada pela crueldade pegou a minha mão com sensível cortesia e me desejou um futuro de felicidade.
E enquanto eu viver vou lembrar de caminhar por um corredor vazio e, de repente, ouvir por detrás de uma porta fechada, um grito de pânico e horror como nunca ouvira antes. A porta se abriu, e a pesquisadora enfiou a cabeça par fora e disse para eu correr e preparar uma bebida quente para o jovem sentado com ela. Ela tinha acabado de lhe dar a notícia de que, em retaliação pela própria sinceridade do rapaz contra o regime de seu país, a mãe dele havia sido presa e executada.
Todos os dias da minha semana de trabalho no início dos meus 20 anos eu era lembrada de quão incrivelmente sortuda eu era por viver em um país com um governo eleito democraticamente, onde um representante legal e um julgamento público eram direito de todos.
Diariamente, eu via mais provas sobre como os males da humanidade irão infligir sobre os seus companheiros, para obter ou manter o poder. Eu comecei a ter pesadelos, literalmente pesadelos, acerca de algumas das coisas que vi, ouvi e li.
E ainda assim eu aprendi mais sobre a bondade humana na Anistia Internacional que eu nunca havia aprendido antes.
A Anistia mobiliza milhares de pessoas que nunca foram torturadas ou presas por suas crenças a agir em nome daqueles que já foram. O poder da empatia humana, que conduziu à ação coletiva, salva vidas e liberta prisioneiros. As pessoas comuns, cujo bem estar pessoal e segurança estão garantidos, juntam-se a um grande número para salvar pessoas que eles não conhecem e nunca conhecerão. Minha pequena participação nesse processo foi uma das experiências mais inspiradoras da minha vida.
Diferente de qualquer outra criatura nesse planeta, os seres humanos podem aprender e compreender sem terem experimentado. Eles podem pensar em si mesmos na mente de outras pessoas, se imaginar no lugar de outras pessoas.
Evidentemente, esse é um poder, como a minha marca de magia fictícia, que é moralmente neutra. Podemos usar esta habilidade tanto para manipular, ou controlar, como simplesmente para compreender ou simpatizar.
E muitos preferem não exercer suas imaginações de forma alguma. Eles optam por permanecer confortavelmente dentro dos limites de sua própria experiência, nunca se preocupando em perguntar como seria ter nascido diferente do que são. Eles podem se recusar a ouvir os gritos ou espreitar dentro das grades; eles podem fechar suas mentes e corações para qualquer sofrimento que não os toquem pessoalmente; eles podem se recusar a saber.
Eu poderia ser tentada a invejar pessoas que conseguem viver dessa maneira, exceto por achar que eles não têm menos pesadelos que eu. Escolher viver em espaços estreitos pode levar a uma forma de agorafobia (medo de lugares abertos), e que isso tem os seus próprios terrores. Eu acho que quem é intencionalmente sem imaginação vê mais monstros. Muitas vezes eles têm mais medo.
Além disso, aqueles que optam por não se simpatizar podem habilitar os verdadeiros monstros. Pois mesmo sem nunca cometermos um ato claro de maldade, nós colaboramos com isso através da nossa própria apatia.
Uma das muitas coisas que aprendi no fim do corredor de Literatura Clássica no qual eu me aventurei aos 18 anos, em busca de algo que eu não conseguia definir, foi isso, escrito pelo autor grego Plutarco: O que nós alcançamos internamente mudará a realidade exterior.
Essa é uma afirmação surpreendente e ainda comprovada milhares de vezes todos os dias de nossas vidas. Ela exprime, em parte, a nossa inevitável ligação com o mundo exterior, o fato de que nós tocamos as vidas de outras pessoas simplesmente por existirmos.
Mas o quão mais vocês estão, formandos de Harvard de 2008, destinados a tocar as vidas de outras pessoas? Sua inteligência, sua capacidade para o trabalho duro, a educação que vocês receberam e passaram, dão a vocês status único e responsabilidades únicas. Até a sua nacionalidade os destaca. A grande maioria de vocês pertence à única super potência remanescente do mundo. A maneira com que vocês votam, a maneira com que vivem, a forma com que protestam, a influência que têm sobre seu próprio governo, tem um impacto muito além de suas fronteiras. Esse é o seu privilégio e o seu fardo.
Se vocês escolherem usar seu status e influência para levantar suas vozes em nome daqueles que não têm voz; se optarem por identificarem-se não apenas com os poderosos, mas com aqueles que não têm poder; se vocês preservarem a capacidade de imaginar a si próprios na vida daqueles que não têm as suas vantagens, então não vão ser apenas as suas orgulhosas famílias que vão celebrar vossas existências, mas milhares e milhões de pessoas cuja realidade vocês têm ajudado a transformar para melhor. Nós não precisamos de magia para mudar o mundo, nós já carregamos todo o poder que precisamos dentro de nós mesmos: nós temos o poder de imaginar melhor.
Estou quase terminando. Eu tenho uma última expectativa para vocês, que é algo que eu já tinha aos 21 anos. Os amigos com quem me sentei no dia da formatura têm sido os meus amigos para a vida. Eles são os padrinhos dos meus filhos, as pessoas a quem eu tenho sido capaz de recorrer em momentos de dificuldades, os amigos que têm a gentileza de não me processarem quando usei seus nomes para os Comensais da Morte. Na nossa formatura, fomos ligados por uma enorme afeição, pelas nossas experiências compartilhadas de um tempo que nunca poderia voltar e, é claro, pelo conhecimento que temos guardado em certas evidências fotográficas que seriam extremamente valiosas se alguns de nós concorrêssemos a Primeiro Ministro.
Portanto, hoje eu posso lhes desejar nada melhor do que amizades parecidas. E amanhã, mesmo se vocês não lembrarem uma única palavra minha, espero que se lembrem aquelas de Seneca, outro desses romanos antigos que eu conheci quando fugi para o corredor de Literatura Clássica, em fuga de uma carreira promissora, em busca da antiga sabedoria:
Conforme um conto, assim é a vida: não o quão longa ela é, mas o quão boa, é o que importa.
Desejo a todos vidas muito boas.
Muito obrigada.

sábado, 17 de junho de 2017

SUDOESTE DE MINAS: O PARAÍSO BRASILEIRO

A região Sul de Minas é formada pela união de 146 municípios agrupados em dez microrregiões (Alfenas, Andrelândia, Itajubá, Passos, Poços de Caldas, Pouso Alegre, Santa Rita do Sapucaí, São Lourenço, São Sebastião do Paraíso e Varginha). O Sul de Minas apresenta grandes altitudes e um clima ameno, fortemente influenciado pela serra da Mantiqueira. A economia é altamente agrícola, com destaque para as plantações de café, apesar de estar se tornando um importante polo nacional de desenvolvimento tecnológico e industrial. A primeira cidade da região foi Campanha, que conta até os dias atuais com casarões históricos da época do império. A região apresenta cidades de destaque no desenvolvimento humano estadual, segundo o ranking do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal 2010 (IDHM), divulgado em 29 de Julho de 2013; dos 10 municípios mineiros mais bem colocados no ranking, 5 são do Sul e Sudoeste. Algumas cidades da região recentemente estão sofrendo intensa industrialização, como Pouso Alegre, Extrema, Poços de Caldas, Itajubá, Paraisópolis e Ouro Fino.
Como não podemos mostrar os 146 municípios, listamos apenas 15 pacatas e charmosas cidades do Sul de Minas.

A Micro Região de Alfenas é formadas pelas cidades de Alfenas, Alterosa, Areado, Carmo do Rio Claro, Carvalhópolis, Conceição da Aparecida, Divisa Nova, Fama, Machado, Paraguaçu, Poço Fundo, Serrania.

01 - Alfenas MG
Alfenas (foto acima de Bosco Azevedo) tem aproximadamente 80 mil habitantes é é um polo regional bastante desenvolvido e uma cidade universitária conceituada, com grande referência nacional. Possui atrativos turísticos urbanos como a Igreja Matriz, o Parque e Zoológico Municipal, a Praça Getúlio Vargas, dentro outros. O município é banhado pelo Lago de Furnas o que torna Alfenas uma cidade potencialmente turística.

02 – Poço Fundo
Sua população recenseada em 2016 era de 16.841 habitantes.Em Poço Fundo(foto acima de Fernando Ferreira dos Santos) encontra-se o tumulo do primeiro Cônsul da Suécia e as ruínas do casarão onde viveu parte de sua vida, por volta do século XIX. Sobre o casarão e o Cônsul circulam até hoje varias história que despertaram o interesse do Político Julio Olivar e o levou a editar o livro "os mistérios do Cônsul". Outros pontos são as varias cachoeiras. Entre elas destacam-se as seguinte:
Cachoeira Grande, Cachoeira da Bocaína e Cachoeira do Porto que devido sua localização atrai turistas de diversas cidades vizinhas como: Campestre, Congonhal, Ipuiuna, Caldas e outras.
A cidade de Poço Fundo possui várias festas tradicionais, como a Festa à Fantasia, o Carnaval, Festa de São Benedito, aniversário da Cidade, Festa Hippie e outras, onde sempre conta com muitos visitantes de outras cidades.

A Micro região de Andrelândia, é formada pelos municípios de 

Aiuruoca, Andrelândia, Arantina, Bocaina de Minas, Bom Jardim de Minas, Carvalhos, Cruzília, Liberdade, Minduri, Passa-Vinte, São Vicente de Minas, Seritinga, Serranos.

03 – Andrelândia
Sua população é estimada em 12.507 habitantes. (Foto feita por Cláudio Alves Salgado no dia 3/05/14 as 14:05 da janela da Matriz). Foi fundada em 20 de julho de 1868 com o nome de Vila Bela do Turvo e constituída por cinco distritos: Turvo, Arantes, Bom Jardim, Madre de Deus do Rio Grande e São Vicente Ferrer. Ao longo dos anos os distritos elevaram-se a cidades, restando em Andrelândia apenas a sede, seu único distrito.
A cidade tem grande tradição em turismo. Muitos de seus antigos casarões são considerados patrimônio histórico municipal.
Outros destaques são as festas religiosas, como a Festa de São Sebastião, Folia de Reis, Semana Santa, Festa de São Benedito, Corpus Christi e a festa da padroeira, Nossa Senhora do Porto, em agosto. Ao longo dos anos, a cidade organiza uma Carreada de Carro de Bois, o que já é tradicional na região e um dos mais bem organizados do Estado.


04 – Bocaina de Minas 
De acordo com o IBGE em 2016, sua população é de 5.180 habitantes.(Foto acima de Juleni)
Nas imediações do município encontram-se várias cachoeiras, como a de Santa Clara,Toca da Raposa, Parque ecológico Cachoeiras do Santuário, Alcantilado, Paiol, Rio Grande e outras, locais de atração turística com serviços de bar e restaurante, podendo o visitante adquirir peças do artesanato local.
Parte do município está no Parque Nacional de Itatiaia, inclusive o lado mineiro do Pico das Agulhas Negras (na divisa com Resende, estado do Rio de Janeiro) e parte da Pedra do Sino de Itatiaia (na divisa com o município de Itamonte). Parte da vila turística de Visconde de Mauá, em sua maior parte no estado do Rio de Janeiro, ultrapassa a divisa e localiza-se no território de Bocaina de Minas.
No município encontram-se também as nascentes do rio Grande, um dos formadores da bacia do rio Paraná, e do Rio Preto, que forma a divisa natural entre os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro.

05 – Cruzília
De acordo com o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2016, sua população é de 15.435 habitantes. Cruzília (foto acima de Rildo Silveira) pertence ao Caminho Velho da Estrada Real e integra o circuito turístico das Montanhas Mágicas da Mantiqueira. É conhecida por suas fazendas centenárias, por ser o berço dos cavalos da raça Mangalarga Marchador e sua indústria de móveis e queijos.
Cavalos
Cruzília é conhecida como o Berço do Cavalo Mangalarga Marchador. Na Fazenda Campo Alegre, por volta de 1812, Gabriel Francisco Junqueira, o "Barão de Alfenas", ganhou de D. João VI um garanhão da raça Alter Real e iniciou sua criação de cavalos, cruzando este garanhão com as éguas comuns de sua fazenda. Dezenas de haras estão espalhados pelo município, alguns em fazendas centenárias, carregadas de histórias e cultura. No final do mês de Agosto acontece anualmente, no Complexo Humano da Ventania, a Copa de Marcha do Sul de Minas.
Queijos
A fabricação de queijos finos levou Cruzília à liderança do Ranking Nacional dos Melhores Queijos do Brasil em 2009 e novamente em 2010. No município são produzidos diversos tipos de queijo, que se dividem em sete grupos: queijos de massa filada, queijos de massa cozida, queijos de massa semi-cozida, queijos de massa crua, queijos de mofo branco, queijos de mofo azul e queijos condimentados.


06 – Serranos 
A sede municipal está a 1.009 metros acima do nível do mar e a igreja matriz está a 950 metros de altitude. Sua população em 2016 é era de 2026 habitantes. O acesso à sede do município é feito pela rodovia AMC -1020. (Foto acima de Dalton Maciel)


07 – Seritinga
Sua população em 2016 era de 1.870 habitantes.
Seritinga é uma pequena cidade situada a três quilômetros da BR 267 que liga as cidades de Caxambu à Juiz de fora, cidade com povos descendentes de italianos, portugueses, àrabes, dinamarqueses, etc. (foto acima arquivo da Prefeitura Municipal)
A cidade se formou no início do século XX com instalação da antiga ferrovia que ligava as cidades de Aiuruoca à Liberdade,ferrovia esta que foi desativada em 1977, porém, ainda resta na cidade a antiga estação ferroviária, conservada com muito orgulho pelos seritinguenses. 
A cidade possui alguns atrativos turísticos, principalmente para quem gosta de apreciar a natureza, como por exemplo a cachoeira do Galvão, as prainhas do rio Aiuruoca e do Rio dos Franceses, a tradicional festa de aniversário da cidade que acontece na passagem do ano, e a linda praça Sete de Setembro, construída e inaugurada pelo Sr. José Serafim de Oliveira. Também está muito próxima das cidades de Carvalhos, Aiuruoca e Serranos que também oferecem belos pontos turísticos. 
A cidade também é famosa pela qualidade dos queijos ali produzidos pelo Laticínio Skandia, de propriedade da família do Sr. Godfredson, que trouxe a qualidade dos queijos direto da Dinamarca,hoje a tradição continua com outras pequenas fábricas na cidade, visto que o Laticínio Skandia foi desativado, porém toda propriedade foi adquirida para o município. Na relação dos imóveis consta uma casa do século XX, construída em estilo dinamarquês, outra atração da cidade.


08 – Bom Jardim de Minas
Sua população em 2016 era de 6 648 habitantes.(foto acima de Marcilei Souza) O município está localizado às margens do Rio Grande e na Serra da Mantiqueira. A região de Taboão é constituída de muitas serras de grande altitude, com muitas nascentes de água, o que faz com que haja várias cachoeiras na região. As nascentes do Rio do Peixe, um dos maiores rios da região, localizam-se nas serras do distrito de Taboão.Situa-se sobre um divisor de águas de duas importantes bacias hidrográficas, a Bacia do Rio Grande e a Bacia do rio Paraíba do Sul, apresentando muitos córregos afluentes dessas bacias como: Rio do Peixe, Ribeirão Imbutaia, Ribeirão do Taboão, Córrego das Três Barras, Córrego da Serra da Bandeira, Córrego do Goiabal, Córrego do Ataque, Córrego do Milho Branco, entre outros córregos e ribeirões sem denominação.

A Micro Região de Itajubá é formada pelos municípios de Brasópolis, Consolação, Cristina, Delfim Moreira, Dom Viçoso, Itajubá, Maria da Fé, Marmelópolis, Paraisópolis, Piranguçu, Piranguinho, Virgínia, Wenceslau Braz.

09 - Itajubá
Itajubá, (foto acima de Vinícius Montgomery) tem 96.523 habitantes, 2016/IBGE.
Edifícios históricos
Há na cidade diversos prédios históricos, entre eles: A Casa Rosada, antiga residência do presidente da República, Wenceslau Brás; o quartel-sede do Quarto Batalhão de Engenharia e Combate, o edifício da Fundação Teodomiro Santiago, o prédio da antiga Estação Ferroviária, o prédio da Escola Estadual Coronel Carneiro Junior, o prédio da Agência Companhia Energética de Minas Gerais, o prédio da Santa Casa de Misericórdia de Itajubá, o prédio do Club Itajubense, o prédio da Câmara Municipal, o prédio do Grande Hotel de Itajubá, o Palacete Isaltino Faria (ao lado do Banco do Brasil), parte da construção da antiga Companhia Industrial Sul Mineira (Fábrica Codorna), o prédio do atual Banco Santander (Antigo Banco de Itajubá, no calçadão da cidade), a casa de máquinas da Pequena Central Hidrelétrica Luiz Dias, dentre outros.
Pequena Central Hidrelétrica Luiz Dias
A Pequena Central Hidrelétrica Luiz Dias localiza-se em Itajubá e foi inaugurada em 1914. Foi a segunda usina desse porte a ser instalada no sul do estado de Minas Gerais. A central pertenceu à Companhia Industrial Sul Mineira, à Companhia Industrial Força e Luz, à Companhia Sul Mineira de Eletricidade e atualmente é propriedade da Companhia Energética de Minas Gerais.
Cachoeiras
Na cidade, encontram-se diversas cachoeiras, como a da Serra dos Toledos; a Cachoeira da Estância; Cachoeira da Pedra Vermelha; Cachoeira Grande do bairro Lourenço Velho e Cachoeira da Peroba. A 15 Km do centro de Itajubá, na divisa com a cidade de Delfim Moreira, encontra-se também a Cachoeira Ninho da Águia.
Cultura
Itajubá é vocacionada para todos os segmentos da cultura e das artes, promovendo festivais e exposições nas artes plásticas, cênicas, musicais, literárias e artesanato. Entre os festivais se destaca o FICA (Festival Itajubense de Cultura e Arte), realizado desde 2011 e que reúne cerca de 100 atrações em música, teatro e dança.
Itajubá também é reconhecida pela velha tradição no culto ao folclore do Saci. O personagem, eternizado pelo escritor Monteiro Lobato, alimenta o imaginário da população local, principalmente os que moram na zona rural. O negrinho de uma perna só, com sua indefectível carapuça vermelha, estaria fazendo traquinagens em Itajubá. O Saci Pererê já tem seu dia instituído em Itajubá: o dia 2 de outubro é o Dia do Folclore do Saci.
Visitação
Capela de São Miguel Arcanjo - Comunidade Sol de Deus, Itajubá, Minas Gerais.
Casa de Retiros Davi - Comunidade Sol de Deus, Itajubá, Minas Gerais.
Há na cidade muitos casarões históricos, entre eles: A Casa Rosada, antiga residência do ex-presidente da república, Wenceslau Brás; o Edifício da Santa Casa de Misericórdia, o Edifício do Grande Hotel (um dos mais antigos), o Edifício da Fundação Teodomiro Santiago; o Palacete de Isaltino Faria (Antigo Gabinete do Prefeito), o Prédio da Câmara Municipal (Antigo Fórum), a antiga Estação Ferroviária (Museu Wenceslau Braz). Também há a igreja Matriz de Nossa Senhora da Soledade, padroeira local e de arquitetura neoromântica; o Santuário de Nossa Senhora da Piedade que durante todo o ano recebe milhares de romeiros, Igreja Matriz de São José Operário e santuário de Nossa Senhora da Agonia, Igreja Matriz de São Benedito, Igreja de Nossa Senhora Aparecida (Vila Vicentina), a Capela de Nossa Senhora dos Remédios (Colégio das Irmãs) além de diversas outras igrejas e capelas urbanas e rurais.
Pode-se visitar, ainda, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus, que foi uma das pioneiras no processo de evangelização entre as igrejas protestantes no sul de Minas Gerais. Hoje, a Assembleia de Deus de Itajubá conta com mais de 70 congregações espalhadas por vários pontos da cidade e é uma instituição de credibilidade no município.
Comunidade Sol de Deus, Itajubá, Minas Gerais.
Um imprescindível local de visitação e peregrinação religiosa é a "Comunidade Sol de Deus", localizada no bairro Santa Rosa. Contem uma Capela dedicada à São Miguel Arcanjo, construída com toques de estilo romano e clássico; possui ainda a "Casa de Retiros Davi" que é sede para inúmeros retiros de Comunidades e Movimentos Religiosos da Igreja Católica; uma Capelinha dedicada à Divina Misericórdia, onde o Santíssimo fica exposto para adoração; dois pequenos Oratórios, dedicados à São Pio de Pietrelicina e Santa Faustina; e uma pequena Gruta natural na encosta da montanha, dedicada à Nossa Senhora Aparecida. Enfim, um local de natureza belíssima, cercado de montanhas, com um silêncio acolhedor, onde experimenta-se a presença de Deus e o convite à oração.


10 – Cristina
Fotografia de Sandra Walsh
Sua população estimada em 20164 era de 10 483 habitantes. Cristina (foto acima de Sandra Walsh) é conhecida como cidade imperatriz e está localizada no sul do Estado. Faz divisa com os municípios de Maria da Fé, Dom Viçoso, Carmo de Minas, Olímpio Noronha, Pedralva, Conceição das Pedras.
O nome é uma homenagem à imperatriz Teresa Cristina, esposa de Dom Pedro II. O nome foi sugerido por um filho do município, o conselheiro Joaquim Delfino Ribeiro da Luz. Por esta razão, em 1° de dezembro de 1868, a Vila Christina (que se denominava "Espírito Santo dos Cumquibus"), recebe a visita da Princesa Isabel e seu esposo, o Conde D' Eu, a convite do conselheiro, para conhecer a terra que recebera o nome de sua mãe.


11– Dom Viçoso
O topônimo do Município revela o amor e a gratidão dos Sul Mineiros para com o santo Bispo de Mariana – Dom Antônio Ferreira Viçoso. Teve ele grande atuação em todo território mineiro. Foi em seu governo eclesiástico que nasceu, cresceu e se prosperou a simpática e formosa cidade e Paróquia de Dom Viçoso.
Localizada próximo às cidades de renome nacional, como São Lourenço (a 24 km), Caxambu, Maria da Fé e Carmo de Minas, possuidora de um café vitorioso em diversos concursos nacionais, integrante do Circuito Caminho do Sul de Minas e Estrada Real, Dom Viçoso é uma cidade pequena, com cerca de 2994 habitantes.
A cidade fica a 320 quilômetros de São Paulo, 262 quilômetros do Rio de Janeiro e 430 quilômetros a sudoeste de Belo Horizonte e tem 3073 habitantes (IBGE 2016). Fonte:Site da prefeitura

12 – Piranguinho
Sua população em 2016 era de 8 553 habitantes.
A sede tem uma temperatura média anual de 15,9 °C e na vegetação do município predomina a mata atlântica. Com 61% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com sete estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,717, considerando como alto em relação ao estado.(Imagem acima extraída do sitewww.caminhosdosuldeminas.com.br)
O povoamento de origem europeia do lugar teve início no final do século XIX, com a construção da Estrada de Ferro Sapucaí. Nas décadas seguintes, houve um desenvolvimento da agropecuária na região, que propiciou o crescimento econômico e populacional, tendo a cidade se emancipado do município de Brazópolis em 1962 e instalada em 1º de março de 1963. O comércio e o turismo ganharam força a partir da década de 1990, sendo que Piranguinho é considerada hoje como a capital nacional do pé de moleque, devido à tradição na produção desse doce.
Para estimular o desenvolvimento socioeconômico local, a prefeitura de Piranguinho, juntamente ou não com instituições locais, passou a investir mais no segmento de festas e eventos.[59] Os principais eventos são o Carnaval, organizado em fevereiro ou março, com desfiles dos blocos carnavalescos formados por grupos da cidade, marchinhas, concursos e shows com bandas regionais; as festas juninas, em junho ou julho, que são realizadas anualmente e em algumas edições atraem cerca de 8 mil pessoas durante os dias dos eventos, sendo uma das mais conhecidas da região e contando com shows com bandas locais, exposições e barracas de alimentação com comidas típicas e tradicionais, em grande parte produzidas na própria cidade; a Festa de Santa Isabel, na semana de seu dia, 4 de julho, com shows musicais, barracas com comidas típicas, procissões e missas; a Festa de Santa Ifigênia, em setembro; e as comemorações de Natal, durante o mês de dezembro.
A cidade possui uma tradição muito forte na produção e comércio do pé de moleque. (Imagem extraída do sitewww.caminhosdosuldeminas.com.br) Assim, anualmente ocorre a "Festa do Maior Pé de Moleque do Mundo", unindo as tradicionais festas juninas de Minas Gerais com a produção do doce, que é considerado patrimônio cultural imaterial do estado. O principal atrativo da festa é justamente o maior pé de moleque do mundo, que é feito com parceria das diversas barracas e restaurantes da cidade que produzem o doce. Em 2012, na sua sétima edição, foi feito um doce de pé de moleque com 17 metros de comprimento e 800 quilos.

A Micro Região de Passos é formada pelos municípios de Alpinópolis, Bom Jesus da Penha, Capetinga, Capitólio, Cássia, Claraval, Delfinópolis, Fortaleza de Minas, Ibiraci, Itaú de Minas, Passos, Pratápolis, São João Batista do Glória, São José da Barra.

13 - Passos
Com uma população de 1131 807 habitantes em 2016, distribuídos em uma área total de 1.339 km², é o quarto município mais populoso de sua mesorregião e o 26º do estado. Situa-se a 745 metros acima do nível do mar e possui clima Tropical de Altitude.
A formação de Passos (na foto acima, a Igreja de Nossa Senhora da Penha, de autoria de José de Paula Silva) inicia-se em meados do século XVIII, com as primeiras fazendas sendo implantadas entre 1780 e 1830, sendo que a Vila propriamente dita, inicia-se em 1848, sendo elevada à categoria de cidade no ano de 1858. O aniversário da cidade é comemorado no dia 14 de maio, portanto, possui hoje 158 anos.
A cidade se destaca como polo regional, possuindo uma economia baseada principalmente na agropecuária e no agronegócio, em pequenas indústrias de confecções e móveis, além de um forte setor de serviços. Nos transportes, a cidade é servida principalmente pelas rodovias MG-050 e pela BR-146.

14 - São João Batista do Glória 
Sua população estimada em 2016 era de 7.387 habitantes. Cidade predominantemente rural, onde o leite é o principal produto.(foto acima de Amauri Lima)
Atualmente foi construída a ponte sobre o rio Grande, onde antigamente as balsas realizam as travessias. O município tem várias cachoeiras, o que torna a cidade conhecida regionalmente por cidade das cachoeiras. Devido ao grande nome da cidade, ela leva o apelido de "Glória".
É no município que está o Paraíso Perdido (fotografia acima de Edison Zanatto), um dos mais lindas paisagens de Minas, procurado por turistas to mundo inteiro.

A Micro Região de Poços de Caldas é formadas pelos municípios de Albertina, Andradas, Bandeira do Sul, Botelhos, Caldas, Campestre, Ibitiúra de Minas, Inconfidentes, Jacutinga, Monte Sião, Ouro Fino, Poços de Caldas, Santa Rita de Caldas.

15 - Poços de Caldas MG
Segundo estimativa do IBGE é o 15º município mais populoso do estado com uma população em 2016 de 164912 habitantes
Turismo e Cultura
Parte considerável das atividades econômicas do município gira em torno do turismo, graças à fama de suas fontes de águas minerais usadas em diversas terapias. Por estar a 260 km do município de São Paulo e a 169 km de Campinas (às quais se liga por estradas em boa parte de pista dupla) e ainda a 468 km de Belo Horizonte e 470 km do município de Rio de Janeiro, o fluxo de turistas oriundos destes grandes centros é expressivo, e ajuda a movimentar o comércio local e ainda a produção de doces artesanais e de objetos decorativos em vidro fundido que lembram os de Murano, na Itália.(foto da Rodoviária de Poços de Caldas).
O município de Poços de Caldas foi tema do samba-enredo 2006 da Escola de Samba Beija-flor do Rio de Janeiro. Em 2014, Poços de Caldas foi cenário para a novela das sete da Rede Globo de Televisão, Alto Astral. A novela se passava na cidade fictícia de Nova Alvorada, mas as imagens foram gravadas em Poços de Caldas, Pedra Azul (ES) e no Projac.
Como um dos atrativos culturais de Poços de Caldas, temos a Banda Municipal Maestro Azevedo, tombada em 2005 como patrimônio artístico cultural do município, a banda faz suas apresentações dominicais desde o ano de 1914 no Coreto da Praça.
O turismo de eventos também atrai turistas, com destaque para a Sinfonia das Águas, Festa UAI, Feira Nacional do Livro, Flipoços, Julho Fest, Festival Música nas Montanhas, Jazz & Blues Festival e Enaf.
A cidade ainda tem uma sede do Instituto Moreira Salles, onde acontecem exposições artísticas e exibição de filmes com aceitação pela crítica especializada.

16 – Caldas
De acordo com o IBGE em 2016, sua população é de 14.464 habitantes.(foto acima de Fernando Campanella)
Segundo a pesquisa Produção Agrícola Municipal do IBGE, a cidade está entre as 20 maiores produtores de batata-inglesa (em área plantada) do Estado.A cidade é a segunda maior produtora de uvas do Sul de Minas e quarta maior do Estado, com 151 hectares e produção de 955 toneladas de uvas.A produção de uvas, que rareou durante um tempo, foi retomada com o Núcleo Tecnológico EPAMIG Uva e Vinho, onde é desenvolvida tecnologia para o plantio de vinhas e desenvolvimento do vinho em todo o Estado.
A cidade possui grande rebanho bovino. Cerca de 22 mil litros de leite, fornecido por famílias de 300 pequenos produtores do próprio município, abastecem as fábricas produtoras de doces. Em 2008, a produção de doces de uma delas, que tem cerca de 130 funcionários, atingiu 1,2 milhão de potes.
O setor do turismo compreende-se às Festa da Uva, Carnaval, Arraial de Caldas e Festa do Biscoito, tradicionais da cidade. Para acomodações, contam ainda com os hotéis Itacor e Edmar Hotel, ambos dentro da cidade.
Existe ainda a mineração de granito e a produção de alimentos como o tomate, a cenoura e a mandioquinha.

A Micro Região de Pouso Alegre é formada pelos municípios de  Bom Repouso, Borda da Mata, Bueno Brandão, Camanducaia, Cambuí, Congonhal, Córrego do Bom Jesus, Espírito Santo do Dourado, Estiva, Extrema, Gonçalves, Ipuiuna, Itapeva, Munhoz, Pouso Alegre, Sapucaí-Mirim, Senador Amaral, Senador José Bento, Tocos do Moji, Toledo.

17 - Pouso Alegre
A população estimada pelo IBGE em 2016 é de 145.535 habitantes, sendo o 2º município mais populoso do Sul de Minas e o 17º do estado de Minas Gerais. (fotografia acima de Fernando Campanella)
Atrações turísticas
Parque Municipal de Pouso Alegre, Mercado Municipal, 14º GAC (Grupo de Artilharia de Campanha), Antiga Estação Ferroviária (Hoje centro de Convivência do Idoso), Capela Nossa Senhora Aparecida (Remonta), Capela Nossa Senhora de Fátima
Capela Santa Dorotéia, Capela Santa Teresinha (Fachada réplica da capela do Carmelo de Lisieux), Capela São Benedito, Carmelo da Sagrada Família (Monjas Carmelitas Descalças), Catedral Metropolitana de Pouso Alegre, Conservatório Estadual de Música
Cristo Redentor (A terceira maior réplica do Brasil, no Bairro São João), Estádio Municipal Irmão Gino Maria Rossi, conhecido como "Manduzão"(referência ao principal rio do município), inaugurado em 1997, tem capacidade para 35.000 pessoas (um dos maiores do estado), tem formato circular, Feira do Livro Espírita, Galeria Artigas, Maria fumaça (Inativa), Mercado Municipal, Minas de Água mineral, destaque para o fontanário da Mina do Machado, Museu Histórico, Museu Municipal, Palácio Episcopal, Parque Natural Municipal de Pouso Alegre(Antigo Horto), Pastéis de farinha de milho (tombado patrimônio histórico da cidade, pode ser encontrado facilmente nas principais ruas de Pouso Alegre), Praça João Pinheiro, Primeira Fonte Luminosa do Brasil (instalada em 1935 - Projetada e executada por Antonio Correa Beraldo, e é localizada na Praça Senador José Bento), Quarta na Praça (Evento realizado semanalmente na Praça João Pinheiro), Santuário, SerraSul Shopping (143 lojas, multiplex com 4 salas e área de lazer), Teatro Municipal (que é uma réplica do Teatro de Milão).

18 - Sapucai-Mirim
O município de Sapucaí Mirim está localizado do Sul de Minas Gerais na Serra da Mantiqueira, no vale do Rio Sapucaí-Mirim, em uma região repleta de belezas naturais, compreendendo cachoeiras, montanhas e vales. A cidade tem como limites geográficos o município de Gonçalves (MG) ao norte, São Bento do Sapucaí (SP) a nordeste, Santo Antonio do Pinhal (SP) a sudeste, Monteiro Lobato (SP) a sul, São José dos Campos (SP) a sudoeste e Camanducaia (MG) a oeste.A Sede do Município (Centro), esta localizada na zona nordeste, nas proximidades da linha divisória com o Estado de São Paulo. Em 2016 sua população era de 6.796 habitantes.Sua localização é privilegiada, pois esta a uma pequena distancia das três maiores capitais do país (São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte). A beleza natural da cidade, juntamente com a hospitalidade comum dos mineiros, fazem de Sapucaí-Mirim uma ótima opção para pessoas que preferem viver em um lugar tranqüilo e bem perto da natureza. (Fonte:http://www.sapucaimirim.net/)

19 – Tocos do Moji
Tocos do Moji (foto acima da Prefeitura) se destaca por abrigar, no seu território de 115 quilômetros quadrados, montanhas que chegam a 1 600 metros de altitude, cachoeiras, maciços de pedras imensos e vistas panorâmicas. Integra o Circuito Turístico Serras Verdes do Sul de Minas. A cidade, possui, segundo o IBGE 4136 habitantes em 2016. Também faz parte do projeto Caminho da Fé, com seu início na cidade de Tambaú, em São Paulo, passando por Casa Branca, Itobi, Vargem Grande do Sul, Águas da Prata, Andradas, Ouro Fino, Inconfidentes, Borda da Mata e Tocos do Moji, Estiva, Consolação, Paraisópolis, Luminosa, Campos do Jordão, Pindamonhangaba, Roseira e finalizando em Aparecida. O referido projeto tem como objetivo demarcar uma trilha de Tambaú a Aparecida num percurso de 415 quilômetros, com locais de descanso para o peregrino e todas as informações necessárias para que se faça uma caminhada de quinze dias a pé com toda a segurança. O projeto foi inspirado na trilha que existe na Espanha, com quase mil quilômetros de extensão, da França até Santiago de Compostela.

A Micro Região de Santa Rita do Sapucaí é formada pelos municípios de Cachoeira de Minas, Careaçu, Conceição das Pedras, Conceição dos Ouros, Cordislândia, Heliodora, Natércia, Pedralva, Santa Rita do Sapucaí, São Gonçalo do Sapucaí, São João da Mata, São José do Alegre, São Sebastião da Bela Vista, Silvianópolis, Turvolândia.

20 - Santa Rita do Sapucaí
Sua população em 2016, segundo estimativa do IBGE, era de 41 886 habitantes.(Foto acima de David C kallas).É conhecida como "O Vale da Eletrônica", devido aos centros educacionais e empresas dessa área situados na cidade.
As referências na área de educação são: a Escola Técnica de Eletrônica, o Instituto Nacional de Telecomunicações e a FAI - Centro de Ensino Superior em Gestão, Tecnologia e Educação. Esses centros educacionais são responsáveis pela formação da mão de obra especializada na cidade.
Atualmente, é sede de comarca intermediária e dista 420 quilômetros da capital do estado, Belo Horizonte. Situa-se em uma região onde se alternam montanhas e vales que formam a Bacia do Rio Sapucaí.
A data magna da cidade é o dia 22 de maio, festa da padroeira, Santa Rita de Cássia, celebrada todos os anos com conotações religiosas, folclóricas e sócio-culturais. O aniversário de emancipação político-administrativa é comemorado no dia 24 de maio.

21 – Conceição dos Ouros
Sua população em 2016 era de 11.367 habitantes, situando-se a 450 km de Belo Horizonte.É um município que tem algumas indústrias (principalmente indústria de polvilho, gesso e duas do setor automobilístico). Tem uma equipe de futebol e futsal regional (é bicampeã da Taça EPTV de futsal). É famosa pelos biscoitos salgados que são feitos lá.(foto acima de Timóteo Alves de Freitas)

A Micro Região de São Lourenço é formada pelos municípios de  Alagoa, Baependi, Cambuquira, Carmo de Minas, Caxambu, Conceição do Rio Verde, Itamonte, Itanhandu, Jesuânia, Lambari, Olímpio Noronha, Passa-Quatro, Pouso Alto, São Lourenço, São Sebastião do Rio Verde, Soledade de Minas.

22 - São Lourenço
Uma das mais conhecidas estâncias hidrominerais do Brasil. Faz parte do Circuito das Águas de Minas Gerais, na serra da Mantiqueira. Sua população é de 41.128 habitantes.
Atrativos turísticos
Parque das Águas, Trem das Águas, Calçadão, Centros Comerciais ("shopping centers"), Aldeia Vila Verde (artesanato), Teleférico, Templo da Eubiose, Sítio Lagoa Seca, Quinta do Cedro, Rampa de voo livre da Fazenda Santa Helena.(Foto acima de Mario Sergio Araujo dos Passos)

23 – Olímpio Noronha
Fotografia de Rogério Bigas
Pequeno paraíso localizado na região sudoeste de Minas Gerais, Olímpio Noronha (foto acima de Rogério Bigas) fica a 354 km de Belo Horizonte e é ponto certo para quem deseja descansar da vida corrida das grandes metrópoles.Sua população em 2016 era de 2.743 habitantes.
Dona de um povo simples e acolhedor, a cidade possui entre seus destaques turísticos a antiga estação ferroviária, que, extinta em 1966, hoje abriga uma residência. A Cachoeira da Usina também é um ponto forte do município, exibindo gélidas águas que servem de refresco durante o verão.
Apesar de pacata, a cidade possui manifestações culturais que movimentam o local, como o carnaval e o rodeio da cidade. Instituto Estrada Real

A Micro Região de São Sebastião do Paraíso é formada pelos municípios de Arceburgo, Cabo Verde, Guaranésia, Guaxupé, Itamogi, Jacuí, Juruaia, Monte Belo, Monte Santo de Minas, Muzambinho, Nova Resende, São Pedro da União, São Sebastião do Paraíso, São Tomás de Aquino.

24 - São Sebastião do Paraíso
A população estimada em 2016 é de 70.066 habitantes.O município tem como principal atividade a produção de café.(fotografia acima de Sérgio Avelino)

A Micro Região de Varginha é formada pelos municípios de Boa Esperança, Campanha, Campo do Meio, Campos Gerais, Carmo da Cachoeira, Coqueiral, Elói Mendes, Guapé, Ilicínea, Monsenhor Paulo, Santana da Vargem, São Bento Abade, São Tomé das Letras, Três Corações, Três Pontas, Varginha.

25 - Varginha 
A cidade está localizada às margens do Lago de Furnas, e ao mesmo tempo equidistante a três capitais do Brasil, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Varginha foi apontada pela revista Veja em 2011 como a sétima melhor cidade do Brasil para se viver e investir. Varginha tornou-se conhecida internacionalmente em 1996 pelo suposto aparecimento de criaturas alienígenas, no episódio que ficou conhecido como o "Incidente de Varginha". A cidade é um dos principais centros de comércio e produção de café do Brasil e do mundo, e é referência na produção cafés de alta qualidade. A cidade é um polo de exportação de café escoando a maior parte da produção do Sul de Minas, fazendo o comércio do grão com diversos.
Lazer e turismo
O Município possui ao longo do braço sul do Lago de Furnas, marinas para barcos, jet skis, casas flutuantes e também locais para pescaria.
Varginha é uma cidade essencialmente comercial, mas existem também opções para lazer e turismo, por exemplo:
Nave Espacial; (que se trata de uma caixa d'água em formato de nave, com cerca de 5 metros de diâmetro - foto acima, arquivo da Prefeitura); Estação ferroviária; (onde todas as quintas-feiras acontece o projeto Quinta da Boa Música, evento de bandas locais); Parque Zoobotânico; Parque Novo Horizonte; Represa de Furnas; (Marinas para esportes náuticos, pesca, lazer e gastronomia); Museu municipal; Parque Centenário; Casarões coloniais, dentre eles o que abriga hoje a Câmara Municipal;
Regiões Turísticas vizinhas:
Circuito das Águas, Cambuquira (40 km), Lambari, Caxambu e São Lourenço (1 hr de carro); Estância Turística de Poços de Caldas (aproximadamente 1 hora e 20 de carro); Região do Lago de Furnas (Fama, Alfenas, Boa Esperança, Guapé, etc); Três Corações, casa Pelé, casa onde morou o rei do futebol (30 minutos de carro);
São Tomé das Letras (1 hr de carro); Serra da Mantiqueira (aproximadamente 1 hora de carro na região de Baependi); Existe ainda um evento que acontece todos os anos chamado Roça N' Roll, idealizado e organizado pelos integrantes da banda Tuatha de Danann. O evento reúne nomes importantes do heavy metal nacional e já contou até mesmo com a participação de bandas internacionais.


26 – Campanha
Fotografia da Prefeitura Municipal
Em julho de 2016 sua população era de 16 532 habitantes.
A cidade é sede da Academia Sul Mineira de Letras, do Instituto Histórico e Geográfico Alfredo Valadão, da Cruzada Nacional de Alfabetização, precursora do Movimento Brasileiro de Alfabetização, da Fundação Cultural, entre outras entidades socioculturais.É porta de entrada para o Circuito das Águas de Minas Gerais e recebe turistas também por causa de suas igrejas e casarões coloniais. As principais atividade econômicas de Campanha são: a agropecuária, com maior destaque para as culturas de café, milho, feijão, cítricos, batata e gado leiteiro; laticínios e metalúrgica.(foto acima: arquivo da Prefeitura)
Fonte das informações, exceto as com fonte citadas: Wikipedia

segunda-feira, 17 de abril de 2017

ESTE RAPAZ JÁ FOI UMA MOÇA COM ÚTERO, OVÁRIO E TUDO... ACREDITE...





Por Neto Lucon
Fotos Lucas Ávila

Tente (se conseguir!) desviar o olhar, dos lábios e do corpo de Paulo Vaz, de 31 anos. O mineiro é pura beleza, charme e sedução. E acaba de tirar fotos quentíssimas para o fotógrafo Lucas Ávila, publicadas com exclusividade noNLUCON – com direito a sorvete espalhado pelo corpo. Paulo é formado em design, concurseiro, ataca de modelo e também é um homem trans. 

Amante da fotografia, ele já havia feito três ensaios, um antes e dois depois da transição de gênero – para quem não entendeu, ele foi designado mulher ao nascer, mas se identifica com o gênero masculino e é um homem – mas foi a primeira vez que ele (quase) se desnudou por completo para alguns cliques. Os cliques falam sobre a vivência do corpo. 

O contato entre modelo e fotógrafo veio do artista plástico Paulo Bevilaqcua, alguém de muita importância para o processo de descoberta de Vaz. Muitas conversas, risadas, ideias parecidas e o convite. “Fiquei um pouco nervoso no começo, por estar praticamente nu na frente dele, mas rapidinho me acostumei”, declarou ao NLUCON. 

O ensaio foi realizado na casa de Lucas e feito a quatro mãos, explica o fotógrafo. Os cliques se inspiraram ao som da MØ, Lorde e Madonna. “Paulo tem uma noção muito boa de iluminação e de composição fotográfica. Deixei ele a vontade para escolher o que queria ser fotografado, o que queria transmitir e o que mostrar enquanto homem trans. Selecionamos as fotos juntos, conversamos sobre o tratamento das imagens”, afirmou Lucas.





“Minhas cicatrizes trazem paz”

O fotógrafo e sobretudo Paulo gostaram bastante do resultado e o modelo ressalta que é apaixonado pelo estilo preto e branco. “Tentei passar como é ser um homem trans na intimidade, o corpo modificado, algumas expressões, algo que não vemos com tanta frequência”. A preferida dele – e a de muita gente- é a do sofá com sorvete. 

As cicatrizes que ganhou por meio da cirurgia de masctetomia masculinizadora também receberam destaque. Para ele, são motivos de orgulho: “Muito, elas me trazem paz e me fazem lembrar de quem eu sou”. 

Mas a parte que as pessoas mais elogiam, sobretudo nas redes sociais, é a boca. “É a parte que eu mais gosto também, é a boca”. Agora terão outras e outras (e não encarem isso como um assédio à la Vin Diesel, por favor). 

Apesar de estar muito à vontade com o seu corpo e de mostrar isso com extrema sensualidade, ele diz que nem sempre esteve em paz com o espelho. “Minha autoestima está muito melhor. Ainda quero melhorar uma parte específica do meu corpo – os quadris – e vamos ver se a testosterona ajuda com o tempo”. 

Paulo conta que com 17 anos chegou a ser gordinho, chegando 95kg, e que continuou assim até os 23. “Chegou um dia que eu não queria ficar mais desse jeito, então resolvi procurar um nutricionista e treinar corretamente”. Hoje, ele malha, faz exercício aeróbico, bicicleta, aparelho de escalada, elíptico e corrida.





E modelo?

Quando se fala de mulheres transexuais ou travestis, o espaço da moda parece ter algumas representes. Mas em se tratando de homens trans há uma carência de nomes fazendo sucesso no mercado. “Não sei porque dessa carência, mas espero que isso um dia mude. Não trabalho como modelo, mas se vier oportunidades, serão muito bem-vindas”. 

Lucas endossa: “Já passou da hora de pessoas trans ocuparem cada vez mais postos de trabalhos em todos os nichos. A moda é algo que é muito importante e valorizada em nossa sociedade. Campanhas com modelos trans ajudam a combater o preconceito e ainda geram postos de trabalho para essa população. Temos uma dívida enorme com a população trans, que ainda tem direitos básicos negados pelo poder público e privado. É um dever social contribuir para amenizar estes problemas”. 

“Não sabia que existia o mundo transexual”

Até terminar a faculdade, Vaz sequer saber da possibilidade de ser um homem trans. Ele conheceu o artista plástico Paulo Bevilacqua, que achava que Paulo poderia ser trans. “Ele veio conversar comigo e eu não entendia ‘bulhufas’ do que ele estava falando. Depois que entendi, fiquei pesquisando um tempão sobre o assunto, até me dar conta que eu era um”.

Em termos de visibilidade, ele afirma que o primeiro homem trans que viu foi Buck Angel, ex-ator pornô, diretor de filmes adultos e ativista. Mas destaca que o grande responsável por trazer visibilidade ao tema foi o amigo Paulo Bevilacqua. 

As peças foram se encaixando: infância, adolescência, modo
s, mentes, “enfim, tudo estava enquadrado naquele conceito como a maioria dos homens trans”. Primeiro, ele procurou uma psicóloga, um psiquiatra e teve atestada a sua transexualidade. Com o laudo em mãos, foi direto ao endocrinologista, fez todos os pré exames e deu início à hormonização.

"Para a família não foi nenhuma surpresa. Ele sempre fez tudo o que era considerado masculino desde criança. “Falei primeiro para a minha mãe, depois para minha irmã mais nova e elas aceitaram muito bem. Meu pai foi o terceiro e achei que ia matá-lo do coração, mas ele é quem mais está acertando os pronomes. Depois foi o restante da família e foi muito tranquilo”. Os amigos também já sabiam antes da transição, então “posso falar que tive sorte no meu convívio social, pois não fui discriminado. Diferente da realidade de muitos trans”.








Sendo trans

No dia nacional da visibilidade trans, 29, Paulo afirma que os homens trans ainda hoje precisam de visibilidade. E que muita gente sequer sabe o que significa ser homem trans. “Exemplos: entrar em locais públicos onde precisa mostrar a identidade (não retificada), falar sobre nome social e a pessoa não entender, na hora de exames médicos, principalmente ginecologia, você marcar por telefone e chegar lá com fisionomia masculina e ter que se explicar, em hospitais ou clínicas para fazer exames e não ser chamado pelo nome social”.

Segundo ele, o que as pessoas precisam saber primeiramente é que homens trans existem. “Segundo, entender que o gênero (homem/mulher) está no cérebro e não na genitália. Sei que muitas vezes as pessoas não sabem como pensar, falar ou até mesmo lidar com o assunto por uma simples falta de informação. Um dos motivos para tratar questões de gênero na educação”.

Transfobia ele já sofreu pela internet. Mas embora tenha um rosto e um corpo dentro de padrões que chamam de passabilidade cisgênera, Paulo continua ressaltando que é um homem trans. Para ele é importante botar “a cara no sol” para ter direito básicos no âmbito educacional, judicial e da saúde respeitados. “Se ficarmos calados, nada vai mudar por aqui”. Outra pauta necessária é a facilitação da retificação do nome/gênero, “porque é muito lento e burocrático, além de tudo, é o que mais causa constrangimento. Esse sistema precisa ser atualizado”.

Pois é... Além de lindo e sexy, é inteligente e engajado. Quem resiste? E, olha, que ele não se define a respeito da orientação sexual. “Gosto da personalidade da pessoa. E não estou namorando”.