segunda-feira, 7 de maio de 2007

UM SANTO BRASILEIRO CHAMADO WALDEMAR


Tive meu primeiro contato com a fabulosa obra do Dr. Waldemar de Gregori quando era pouco mais que um menino. A bem da verdade, a exatos trinta e cinco anos. Quando a jovem, sorridente e recém-formada pedagoga pirenopolina, Colandi Carvalho de Oliveira foi ministrar um curso de Criatividade Comunitária para um grupo de jovens de Silvânia-GO; que trabalhávamos como voluntários em uma pesquisa de mestrado em educação sobre escolas-comunidades. Aliás, uma experiência belíssima, que como a professora Colandi, encantou-nos a todos e transformou nossas vidas, e, se posso falar de cadeira, em particular a minha. Era como se Colandi enchesse de fichas um daqueles antigos orelhões com tantas teorias, bonitos e palavrões ousados e exóticos, como: subsistemas sociais, redução ciberética de personalidade, feedback, pensar cibernético, nova práxis, maya, uapaya, hológrafo social...e por aí vai. Coisas que para nós era a mais absoluta novidade.

Saímos dali loucos da vida e querendo saber quem era este Waldemar, o inventor de tudo aquilo que enchia nossas mentes e almas e jurávamos então que éramos as pessoas mais sabidas do mundo. Todos detentores do saber universal e capazes de definir a força do bem e do mal. Achávamos que fomos transformados em seres quase sobrenaturais, tamanha era a nossa ignorância. Depois, aos poucos. Uma a uma as fichas começaram a cair e passamos a entender v-a-g-a-r-o-s-a-m-e-n-t-e o que tudo aquilo queria dizer.

O tal Waldemar nos acordava para a vida, para a luta. Para brigarmos ferrenhamente contra as agruras, as maldades e as ingratidões do mundo dos homens. Convidava-nos a ajudá-lo a fazer da terra um paraíso, a mudar as coisas, a transformar a sociedade para melhor. Até que chegou o dia de conhecermos aquele moço jovem, de cabelos totalmente grisalhos, o que lhe emprestava um brilho, um jeito especial, uma aura iluminada. Pois só alguém com tanta luz é que poderia conceber aquelas coisas e mudar as cabeças e as idéias daqueles jovens toscos e matutos de mãos calejadas, e de uma cultura grosseira de quem nunca respirou civilização, e que, de repente, começam a ter contato com tanta filosofia, tanto conhecimento, tanta coisa linda e, ao mesmo tempo, sofrida. Nunca mais fui capaz de deixar de citá-lo, copiá-lo, plagiá-lo em tudo o que fiz, escrevi e falei pela vida. É-me impossível. É a síntese da sabedoria de que preciso para a realização dos meus sonhos de um ser humano indignado, inquieto e que tenta trabalhar pela justiça, a harmonia, a felicidade.

Waldemar nos presenteava com espadas para superar conflitos. Idéias para mudar paradigmas. Espécies de orações, quer dizer ora + ações num rogar, pensar e fazer necessários para que os herdeiros de um sistema social absolutamente perverso pudessem lutar contra as injustiças que os rodeiam. E se armarem até os dentes tendo uma nova esperança de melhores dias...que talvez nem vieram. Mas certamente estão mais próximos de cada um de nós por uma ação milagreira.

Depois da transformação gradual da Criatividade Comunitária em Cibernética Social, um ciência plena, aberta, integrada e holística entre o saber e o viver, vieram os seus livros : Cibernética social I e II; Educação comunitária do oprimido, do opressor e do revolucionário da América Latina; Sociologia política pós-socialista, pós-capitalista; Saúde autoconduzida; O poder dos seus três cérebros; A construção do cérebro pela família e pela escola; Administração sistêmica e muitos mais. Os congressos, encontros, seminários, palestras no Brasil, Colômbia, Chile, Venezuela, Estados Unidos. Sei lá, este homem-santo revoluciona o mundo inteiro. Um guerreiro ferrenho contra o que destrói o mundo, a paz, a harmonia dos seres vivos, sobretudo, daqueles mais massacrados e oprimidos.

Deveria estar na mídia, ser conhecido, difundido, divulgado em todo o mundo, nas universidades, pelos meios de comunicação. Mas, na absoluta inversão de valores em que vivemos só é conhecido quem enriquece os ricos, quem alicia injustiças, quem ajuda a desgraçar o planeta, a explorar as pessoas, a violentar a vida; o que, definitivamente não é função e nem idéia deste anjo, deste santo. Maior que Frei Galvão, que Madre Paulina, este sim, o primeiro santo brasileiro de fato.

Lembro-me quando dividíamos um pequeno escritório na Quadra 103 Norte em Brasília, para nossas lides comuns de trabalho social e educativo. Certa tarde, fui entrando e encontrei o Waldemar literalmente estatelado por detrás da máquina de escrever. Ele estava alí absolutamente imóvel. Os olhos claros fixos num ponto em branco da parede. Os cabelos desalinhados caídos sobre a testa, os óculos saltando-lhe do rosto, a testa suada. A boca semi-aberta deixava que ele respirasse sem esforço. Olhei aquela cena por alguns momentos e depois saí pé-ante-pé sem que ele me percebesse.

Quando voltei, muitos minutos depois, ele já trabalhava na máquina e trocava idéias comigo com um humor e uma alegria que eu jamais vi naqueles olhos santos que tive pouqauíssimas oportunidades de observar de perto. Pois, afinal, não passo de um mortal comum. Por muito tempo pensei que ele tivesse tido um transe, fazia um exercício de relaxamento, ou mesmo tivesse um mal súbito, uma queda de pressão...

Mas só depois, com o tempo, o amadurecimento, a convivência com ele e a compreensão maior de tudo é que pude compreender: naquele momento, Waldemar conversava com Deus.




Antonio da Costa Neto

4 comentários:

Anônimo disse...

Olá Antonio!!!
Meus sinceros parabéns! Adorei tudo que li aqui...olha que li absolutamente tudo! rs
Tomara que nosso Santo Waldemar Volte a fazer milagres aqui no Brasil também!
Bjs carinhosos,
Vera
P.S.seu projeto vai ser um sucesso!

Eurico disse...

t

Eurico disse...

Olá Antonio
Estou tentando entrar em contato com Waldemar Degregori. Se tiveres o email ou fone, favor me fornecer. Obrigado
Eurico

Paulo Sérgio disse...

Passados muitos anos deparei-me com um livro recebido de presente do Waldemar. Procurando noticias suas li o maravilhoso comentário sobre o Waldemar. Convivi com ele, fui seu anfitrião, em uma passagem por Luanda - Angola. Tenho a mesma admiração sua pelo estimado amigo.
Gostaria de me counicar com ele.
Paulo Pimentel ( de Furnas ) email:
pspimentel@terra.com.br ou pspimentel@gmail.com

Obrigado.