sexta-feira, 25 de abril de 2008

ISABELLA: VÍTIMA INOCENTE DA INSENSIBILIDADE POLÍTICA

Além da dor e da morte física, Isabella também é vítima da insensibilidade política que reina neste país. Tiveram e têm a coragem de fazer uso de tudo o que aconteceu para manipalar cabeças, ocultar fatos, usar e explorar de um povo tão inocente quanto ela. Partem da lei da física de que dois corpos não podem ocupar um só lugar ao mesmo tempo. Com os pensamentos e as idéias é exatamente a mesma coisa.
Quem se emociona com Isabella, o choque, o crime, a dor, o desalinho e os erros - propositais? - da polícia em desvendar o caso, não poderá; igualmente se preocupar com a mesma proporção com as lides do governo, as falcatruas políticas, as múltiplas crises que constituem o dia a dia desta gente. Nós.

Um crime brutal como este que envolve criança, família e mistérios é um prato cheio para as pessoas sem escrúpulos que manipulam os destinos do país, as condutas da informação, a opinião pública e seus processos e resultados em relação à qualidade de vida da sociedade. Portanto, é preciso manter as pessoas presas a esta comoção, para que elas não revidem, não questionem, não incomodem. O crime é usado como se fosse o futebol, os resultados dos campeonatos, da copa do mundo, o último capítulo das novelas, o vencedor do BBB da Rede Globo, a missa do Padre Marcelo Rossi, acompanhada de um cinismo confessional sem precedentes.

A ida do jogador Ronaldo com o travesti a um motel, o passeio da atriz Malu Mader com o marido à praia do Leblom... Tudo isto, gente é importante demais. Vivemos como um povo que não tem mais nada o que fazer. Somos, para todos os efeitos, uma gente desocupada, ociosa e que vive à marcê dos diz-que-diz feitos pela Candinha. Tudo é motivo para prender a atenção do povo. Para mantê-lo preso às correntes de uma ideologia falaciosa, enquanto seus valores e direitos são reduzidos a pó e obstruídos na escuridão dos palácios, nos corredores do Congresso, nos palcos do poder.

Assim, o caso não anda. A polícia nada descobre. E tudo se mantém no mais confuso diz-que-diz, ouvindo mais testemunhas, ampliando os autos, abrindo e fechando inquéritos e nada de solucionar este espetáculo dos horrores que precisa render suspenses; pois, muito dificilmente teremos uma segunda exibição tão rica de detalhes sórdidos envolvendo um pai enlouquecido, uma madrasta inconsequente e uma mãe omissa, fechando o jogo do xadrez necessário para a novelinha da vida real. Que causa choro, lamentos, arrepios, manifstações públicas, enquanto a onda da inflação, dos juros altos, das medidas coercitivas, da destruição contínua da vida invade casas e almas.

Hoje já contamos com sofisticados recursos da ciência para detectar verdades e mentiras. Temos a hipnose, os jogos sagrados da psicologia que conseguem desvendar os mistérios incontidos no mais fundo ermo dos vivos e até dos mortos. Existem sofisticados medicamentos que deixam a pessoa à mais absoluta mercê da verdade e que, inconscientemente entregam senhas de bancos, levam bandidos em casa, abrem cofres, entregam jóias, dólares, destroem suas vidas.

Será por exemplo que Ana Carolina Jatobá, a má-drasta, uma moça tão jovem e insegura não se deixa levar por nenhum lápso? Não é pega na menor armadilha do psicológico? Então, se culpada, ela é mais inteligente e esperta do que os Institutos de Criminalística, os exercítos de policiais, delegados, técnicos e pessoas altamente qualificadas e com anos de experiência? E o mesmo não acontece com o moço das entradas profundas e demoníacas? Não querem de fato descobrir se são culpados e incentes pois seria prejudicial em matéria de mídia, de adestramento do povo como se adestram bois que seguem indefesos para o matadouro.

Ora, por que então não desvendam o caso? Por que não esclarecem as pessoas de uma vez por todas se o pai e a madrasta são, definitivamente culpados ou inocentes, que é o que mais intriga a toda a população? A resposta é que tudo isto é uma grande carta na manga. A falta de escrúpulos faz com que usem a dor, a vida e o sangue inocente para lavarem as sujeiras dos púlpitos do poder incauto, covarde e mesquinho.

Não temos mais espaço para a ética, a dignidade, o respeito à dor alheia. Só à nossa. De qualquer modo, nada disso trará Isabella de volta. Mas todos os diretamente envolvidos no esquema da apuração: polícia, família, inocentes e culpados. Advogados, testemunhas, todos são gente como a menina que se foi para sempre, e, sua morte tão trágica e sofrida ainda serve de instrumento para espezinhar os que ficaram. Deixando-nos confusos para identificar qual afinal é o crime maior? Quem são os verdadeiros culpados e vítimas deste crime que a cada dia se amplia para além das suas dimensões originalmente maiores do que o mundo de Deus. Pelo menos, Isabella, você não está sozinha. Tem todos os brasileiros em sua companhia, de mãos dadas e brincando de ciranda nos jardins do paraíso.
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Antonio da Costa Neto

Um comentário:

MIster Teles, o Musical disse...

Antonio, o Brasil inteiro esta chocado com esse crime, é incrivel a repercursao que isso faz, parece mesmo BIg Brother, ontem na Receita Federal, tava vendo na TV, uma noticia que me parece q a midia inventou para aumentar o ibope de que o casal estava prestes a deixar o país. Tenho certeza que este crime nao ficará impune pq a sociedade toda está de olho nisso! Tb concord com vc q tudo deveria ser esclarecido o mais rapido possivel, nao ha duvidas de que o casal assassinou a crianca. Por que nao confirma logo isso? Vejo que a familia dos assassinos tem muita grana e muito advogado pra defende-los, outra coisa que me intrigam é que eles nao confessam o crime de jeito nenhum. POr que será?
Grande abraco pra vc!