quarta-feira, 27 de novembro de 2013

O MUNDO É LINDO, MARAVILHOSO E CONFUSO; 10 HOMENS QUE NASCERAM COM O CORPO DE MULHER

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A história de 10 homens que nasceram no corpo de mulher, e conseguiram se libertar.
Na foto acima: Loren Cameron
Loren Cameron Rex é um fotógrafo americano, autor e ativista transexual. Seu trabalho inclui retratos e auto-retratos onde documenta a sua própria transição fisiológica de mulher para homem.
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Balian Buschbaum
Balian Buschbaum  nasceu Yvonne Buschbaum em 1980 na alemanha, e é um ex-saltador com vara. Embora ele tenha sido o segundo melhor saltador feminino na Alemanha, em 2007 anunciou sua aposentadoria devido a uma lesão persistente.  Foi quando começou a terapia de mudança de sexo. Em 2008 mudou oficialmente seu nome e passou por uma cirurgia para se tornar homem.
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Buck Angel
Cineasta e transexual, Buck Angel é um ícone da comunidade LGBT. Buck foi o vencedor da Adult Video News Award como "Performer Transsexual do ano" em 2007. Atualmente trabalha como advogado, educador, conferencista e escritor.
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Ian Harvie
Ian Harvie é um comediante de stand-up que muitas vezes usa sua experiência e sexualidade como material para as suas apresentações.
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Lucas Silveira
Nasceu no Canadá em 1979 e fez história sendo o primeiro homem abertamente trans a estar em uma banda de rock. Silveira é vocalista, guitarrista e compositor da banda Cliks, e acaba de lançar um novo álbum solo.
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Katastrophe
Kayiatos é conhecido como Rocco Katastrophe, um rapper americano e produtor. Kayiatos é creditado como o primeiro cantor abertamente transgênero no hip-hop.
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Thomas Beatie
Thomas Beatie ganhou a atenção internacional por ser o um dos "homens-grávidos" mais famosos do mundo. Nasceu mulher, e viveu como mulher até os 20 poucos. Começou a tomar hormônios masculinos, mas manteve os órgâos femininos para que ele e sua esposa - que não podia engravidar - pudessem ter filhos. Beatie, desde então, teve três filhos e agora está de volta aos hormônios masculinos.
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Ryan Sallans
Ryan Sallans nasceu como Kimberly Ann Sallans, e agora é defensor dos direitos LGBT e orador público, que viaja pelos EUA para educar as pessoas sobre questões transexuais e mudanças no sistema de saúde.
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Andreas Krieger
Andreas Krieger era membro da equipe de atletismo da Alemanha Oriental. No início da adolescência, ele recebeu doses de anabolizantes sem saber, o que o levou a tornar-se mais masculino na aparência e na atitude. Krieger se aposentou do esporte em 1990 e passou por uma cirurgia de mudança de sexo em 1997. Ele já declarou publicamente que preferia não ter sido drogado, e sim ter descoberto por si mesmo que sob que gênero gostaria de viver.
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Chaz Bono
Nasceu Chastity Bono, a filha dos famosos Sonny e Cher. Nascida sobre os olhos público, Chastity se assumsiu lésbica aos 25. Chaz foi submetido a uma operação de mudança de sexo ao longo de dois anos, e agora está feliz e vivendo a vida como um homem.

terça-feira, 19 de novembro de 2013

ESTE LULA REALMENTE EXISTE?






NUNCA VI UMA MENSAGEM QUE DESCREVESSE TÃO BEM ESSE PESADELO PELO QUAL, AINDA, ESTAMOS PASSANDO.Não há neste artigo uma só frase mentirosa. Pelo contrário, todas elas são verdades incontestáveis. Parabéns, Dr.Caio Lucas, seja lá você, quem for.O homem que esteve à frente desta nação e não teve coragem, nem competência, nem vontade para implantar reforma alguma neste país, pois as reformas tributárias e trabalhistas nunca saíram do papel, e a educação, a saúde e a segurança ficaram piores do que nunca.O homem que mais teve amigos safados e aliados envolvidos, da cueca ao pescoço, em corrupção e roubalheira, gastando com os cartões corporativos e dentro de todos os tipos de esquemas.O homem que conseguiu inchar o Estado brasileiro e as empresas estatais com tantos e tantos funcionários, tão vagabundos quanto ele, e ainda assim fazê-lo funcionar pior do que antes.O homem que tem uma mulher medíocre, inútil, vulgar e gastadeira, que usava, indevidamente e desbragadamente, um cartão corporativo, ao qual ela não tinha direito constitucional, que ia de avião presidencial para São Paulo "fazer escova" no cabelo e retornar a Brasília.

O homem que ajudou seu filho a enriquecer, tornando-o milionário do dia para a noite, sem esforço próprio algum, só às custas de conchavos com empresas interessadas em mamar nas “tetas” do governo.E depois ainda disse para a nação que “esse garoto é um fenômeno”, e lhe concedeu um passaporte diplomático.
O homem que mais viajou inutilmente, quando presidente deste país, comprando um avião caríssimo só para viajar pelo mundo e hospedar-se às custas da nação brasileira nos mais caros hotéis, tão futilmente e às custas dos impostos que extorquiu do povo.
O homem que aceitou passivamente todas as ações e humilhações contra o Brasil e contra os brasileiros diante da Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai.
O homem que, perdulária e irresponsavelmente, e debochando da nossa inteligência, perdoou dívidas de países também corruptos, cujos mandatários são “esquerdistas”, e enviou dinheiro a título de doação para eles, esquecendo-se que no Brasil também temos miseráveis, carentes de bons hospitais, de escolas decentes e de um lugar digno para viver.
O homem que, por tudo isso e mais um elenco de coisas imorais e absurdas, transformou este país num chiqueiro libertino e sem futuro para quem não está no seu "grande esquema".
O homem que transformou o Brasil em abrigo de marginais internacionais, FARC'anos etc., negando-se, por exemplo, a extraditar um criminoso vaga-bundo, para um país democrático que o julgou e condenou democraticamente. Esse homem representa o que mais nos envergonha pelo Mundo afora!!
O homem que transformou corruptos e bandidos do passado em aliados de primeira linha.

O homem que transformou o Brasil num país de parasitas e vagabundos, com o Bolsa-Família, com o repasse sem limite de recursos ao MST, o maior latifúndio improdutivo do mundo e abrigo de bandidos e vagabundos e que manipulam alguns ingênuos e verdadeiros colonos.
Para se justificar a estes novos vagabundos, o homem lhes afirma ser desnecessário ESTUDAR e que, para se "dar bem" neste País, basta ser vagabundo, safado, esquerdista e esperto.

Aliás, neste caso, o homem fez inverter uma das mais importantes Leis da Física, que é a Lei da Atração e repulsão; significa que força de idênticos sinais se repelem e as de sinais contrários se atraem.Mas esse homem inventou que forças do mesmo sinal se atraem.Por exemplo: ele (o homem) atrai, para sua base, políticos como JOSÉ SARNEY, COLLOR, RENAN... que ficaram amiguinhos de seus comparsas JOSÉ DIRCEU, GENOÍNO, GUSCHIQUEN, e ainda agregaram o apoio de juristas como LEWANDOVSKI, TOFOLI, etc. ...
É, homem... Você é o cara... É o cara-de-pau mais descarado que o Brasil já conheceu.
É, homem, você é o cara...É o cara que não tem um pingo de vergonha na cara, não tem escrúpulos, é "o cara" mais nocivo que tivemos a infelicidade de ter como presidente do Brasil!
Mas ...como diz o velho ditado popular:NÃO HÁ MAL QUE SEMPRE DURE...


Caio Lucas MacedoAdvogado-OAB 4536

sábado, 16 de novembro de 2013

A BELEZA - AINDA QUE AMARGA - DA POESIA DE CAIO FERNANDO ABREU ME ENCANTA. ME FAZ CHORAR

Revejo velhos cadernos
anotações de sonhos
saturno, crescentes
intento
invento
e de cada vez sei
sempre
quenão é aqui.

Os amigos perdidos
os cabelos perdidos
os olhos perdidos.

Nenhuma crença
nenhum motivo bom
ou mesmo mau
para seguir ou desistir.

A vida parada
julho, agosto
as estradas poeirentas
o vento norte:
o sono de minha avó
na cadeira de balanço.

A cidade deserta
setembro, outubro
o reboco caindo
o vento sul:
o xadrez no plástico da mesa
com flores vermelhas e amarelas.

Um cão late
o relógio bate
a poeira cobre os móveis
e os rostos dos parentes.
Caminhões que vão para lugar nenhum
cartas que não chegam
as flores descoradas de plático
na luz dura da sala.

Novembro, dezembro
os caminhos que não andei
os amores que não tive
os sonhos que continuo mantendo
pela simples razão de estar vivo.

Aí, Deus
dai-me outra vez o sangue na veia
novamente o coração em descompasso
as visões de antes, o verão ardente
não este mormaço seco
o sangue gelado de agora
e nenhum arco-íris sob os olhos.

Quero de volta meu riso
quero de volta meu passo:
quebrarei todas as cristaleiras da casa
ou me transformarei para sempre
numa flor de plático
inútil, desbotada, coberta de poeira...

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

VISÃO INTRODUTÓRIA DA ORIGEM DO CAPITALISMO PEQUENO-BURGUÊS: UMA PRAGA QUE NOS ASSOLA


Não é a aristocracia feudal a única classe arruinada pela burguesia, não é a única classe cujas condições de existência se estiolam e perecem na sociedade burguesa moderna. Os pequenos burgueses e os pequenos camponeses da Idade Média foram os precursores da burguesia moderna. Nos países onde o comércio e a indústria são pouco desenvolvidos, esta classe continua a vegetar ao lado da burguesia em ascensão.

Nos países onde a civilização moderna está florescente forma-se uma nova classe de pequeno burgueses, que oscila entre o proletariado e a burguesia; fracção complementar da sociedade burguesa, ela se reconstitui incessantemente. Mas os indivíduos que a compõem se vêem constantemente precipitados no proletariado, devido à concorrência; e, com a marcha progressiva da grande indústria, sentem aproximar-se o momento em que desaparecerão completamente como fracção independente da sociedade moderna e em que serão substituídos no comércio, na manufactura, na agricultura, por capatazes e empregados.

Nos países como a França, onde os camponeses constituem bem mais da metade da população, é natural que os escritores que se batiam pelo proletariado contra a burguesia, aplicassem à sua crítica do regime burguês critérios pequeno-burgueses e camponeses e defendessem a causa operária do ponto de vista da pequena burguesia. Desse modo se formou o socialismo pequeno-burguês. Sismondi é o chefe dessa literatura, não somente na França, mas também na Inglaterra.

Esse socialismo analisou com muita penetração as contradições inerentes às relações de produção modernas. Pôs a nu as hipócritas apologias dos economistas. Demonstrou de um modo irrefutável os efeitos mortíferos das máquinas e da divisão do trabalho, a concentração dos capitais e da propriedade territorial, a superprodução, as crises, a decadência inevitável dos pequenos burgueses e camponeses, a miséria do proletariado, a anarquia na produção, a clamorosa desproporção na distribuição das riquezas, a guerra industrial de extermínio entre as nações, a dissolução dos velhos costumes, das velhas relações de família, das velhas nacionalidades.

Todavia, a finalidade real desse socialismo pequeno-burguês é ou restabelecer os antigos meios de produção e de troca e, com eles, as antigas relações de propriedade e toda a sociedade antiga, ou então fazer entrar à força os meios modernos de produção e de troca no quadro estreito das antigas relações de propriedade que foram destruídas e necessariamente despedaçadas por eles. Num e noutro caso, esse socialismo é ao mesmo tempo reaccionário e utópico.

Enfim, para a manufatura, o regime corporativo. Para a agricultura, o regime patriarcal: eis a sua última palavra. E quando os obstinados fatos históricos lhe fizeram passar completamente a embriaguez, essa escola socialista abandonou-se a uma verdadeira prostração, não só de espírito, mas também de ação. Contudo, suas raízes malígnas, plantadas em terras férteis da mente humana, aí estão e frutificam. Frutificarão, talvez para sempre, cujo contrário, depende, tão somente, de cada uma de nós.

Lúcio Martins Moreira da Costa
Pró-Reitor de Pós-Graduação em Sociologia Política 
Universidade do Centro Sul Paulista - UNISP

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

OS ANARQUISTAS ODEIAM A PROPRIEDADE. MESMO AQUELES QUE ADQUIREM TUDO O QUE PODEM. OU NÃO PODEM...


Propriedade é roubo
 “Propriedade é roubo!”, era o grito de guerra de um proeminente anarquista francês do século XIX. “Au, contraire, mon frère”, retrucara outro, “Propriedade é liberdade!”. “Vocês dois estão errados”, disse um outro, “Propriedade é impossível!”. Como essas pessoas conseguiram lidar entre si foi impressionante. Ainda mais que foi o mesmo homem, Pierre Proudhon, que disse as três coisas.
Todos os anarquistas apóiam os direitos de propriedade, incluindo aqueles que são contra os direitos de propriedade. E todos os anarquistas são contra os direitos de propriedade, incluindo aqueles que apóiam os direitos de propriedade. Contexto é tudo. Assim como as definições.
Propriedade é Roubo
Proundhon não era tolo: ele reconhecia a ironia dessa declaração, já que no processo de condenamento da propriedade, ele estava confirmando-a. Sem o conceito de propriedade não pode haver o conceito de roubo. Então vamos tentar descobrir o que ele realmente estava querendo dizer.
Quando Proudhon escreveu essas palavras, de longe a forma mais importante de propriedade era a terra, e a maioria das propriedades de terra eram resultado de reivindicações arbitrárias impostas pelo governo reinante ao invés da apropriação pessoal ou de transferências voluntárias rastreáveis à uma apropriação pessoal da terra. Em resumo, a maior parte das propriedades da época foram roubadas.
Anarcocapitalistas sérios admitem esse ponto, e insistem que eles apóiam apenas as reivindicações baseadas na apropriação, achando que, com isso, conseguiram lidar com toda a objeção anarcocomunista sobre a propriedade privada. Mas não conseguiram. Outro ponto fundamental é que os proprietários de terra são considerados com o direito exclusivo de determinar o que acontece a tudo e a todos em sua terra. E alguns anarcocapitalistas defendem esse ponto de vista. Estranhamente, muitos deles defendem essa visão dos direitos de propriedade como uma consequência lógica do princípio da autopropriedade.
Autopropriedade
Como já disse antes, minha definição favorita de anarquia vem de Roderick Long:
Outras Pessoas Não São Sua Propriedade
Eu ainda não conheci nenhum anarcocapitalista que se opõe a essa definição. Praticamente todos eles também concordam com a definição de Thomas Jefferson sobre os direitos do homem na Declaração da Independência, onde ele declara que os direitos à vida, à liberdade, e à busca da felicidade são intransferíveis (que é uma variação aceitável de inalienáveis, apesar do que você tenha ouvido), significando que eles são “incapazes de ser negados ou transferidos a outros”.
Mas se “Invasores vão levar bala” é uma afirmação válida dos direitos de propriedade pelo proprietário, então está claro que a autopropriedade não vai te levar muito longe: seus direitos inalienáveis apenas existirão caso você possa achar um lugar que nenhum outro possua, momento em que você imediatamente pode ser declarado um estrangeiro ilegal se alguém chegar primeiro. Sim, é claro, eu posso atirar em alguém por ele ser uma ameaça crível à minha vida, mas isso é verdade sempre que sou ameaçado; seja na casa que eu possuo, o apartamento que eu alugo, o hotel que estou hospedado, ou o restaurante em que estou comendo; não tem nada a ver com o fato de eu ser o dono da propriedade.
Propriedades comunitárias são outra aplicação extraordinária do proprietarianismo extremo. Os defensores desse ponto às vezes alegam que quaisquer regras podem ser definidas e executadas, desde que a propriedade fosse legitimamente reivindicada ou transferida. Novamente, qualquer um que apóie isso, que alega que a autopropriedade é inalienável, precisa considerar quão vazio está tornando este princípio. Eu posso dizer com certeza que eles nunca tiveram que lidar com a administração de uma associação de condomínio.
Propriedade é Liberdade
Entretanto, eu não quero sepultar os direitos de propriedade, mas louvá-los. A afirmação seguinte de Proundhon reconhece que as reivindicações dos donos de propriedade privada eram um sustentáculo contra as violações governamentais sobre a vida e a liberdade. Acho que precisamos ir além: direitos de propriedade têm se provado ser uma maneira indispensável de reduzir a violência social em geral. Como James Payne documentou em seu livro A History of Force, o mundo tem ficado cada vez mais pacífico com o passar dos séculos, e uma das prováveis razões é o aumento do respeito pelos direitos de propriedade. John Hasnas escreveu (PDF) um excelente relato de como as leis se desenvolveram na Inglaterra Pré-Normânia, com os direitos de propriedade surgindo como uma alternativa eficaz aos sangüinários feudos. E Bruce Benson, em seus muitos estudos no The Enterprise of Law: Justice Without the State, identificou os direitos de propriedade como uma característica de todos os sistemas legais que se viu desenvolver nas sociedades sem planejadores centrais. Quando pergunta-se a anarcocapitalistas por exemplos históricos de suas sociedades, eles geralmente escolhem exemplos multi-seculares como a Irlanda Celta ou a Islândia Viking, enquanto anarcocomunistas salientam experimentos de curto prazo como os Comunas de Paris e a Revolução Espanhola. Parece que as sociedades anárquicas que respeitam os direitos de propriedade duraram muito mais tempo antes de sucumbir. Aliás, como praticamente todo governo na história, praticamente toda anarquia na história teve uma duração finita. A maioria rápida.
Propriedade é Impossível
A contribuição de Hasnas é especialmente valiosa, porque ele observa os limites sobre a propriedade que naturalmente surgem. Servidões são o exemplo mais óbvio: se você é dono de um pedaço de terra, e eu adquiro, mesmo que seja por apropriação legítima, toda a terra ao redor da sua, eu não tenho o direito de efetivamente aprisionar você ao negar seu acesso à minha terra para sair. Seria inútil ser dono do chão mas de nenhum espaço acima do chão, ainda assim eu não posso ser dono de tudo acima da terra até o fim do universo (eu ainda me pergunto o que existe 1 quilômetro além do fim do universo). Eu não posso excluir o ar e a luz de entrar na minha propriedade, e proibir todas as moléculas que eu considero como poluição (especialmente agora que tantos pensam que o carbono é um poluente). O absolutismo da propriedade rapidamente torna-se um absurdo. E tudo isso por que olhamos para a propriedade de maneira imprópria, tentando obter um único conjunto de regras para todas as situações a partir de primeiros princípios, quando a propriedade é, na verdade, um solucionador de problemas que os autoproprietários adotam com o propósito de viver em paz e harmonia uns com os outros.
Um Conjunto de Direitos
A propriedade não é um único direito, mas um conjunto de diferentes direitos que podem ser desagregados quando desejável. O Prêmio Nobel de 2009 em Economia, Elinor Ostrom, que morreu no começo de 2010, realizou o difícil trabalho de determinar como pessoas reais têm resolvido problemas envolvendo recursos comuns que resistem a soluções tanto do governo e de propriedade privada. Ela discutiu ao menos cinco categorias diferentes de direitos de propriedade: acesso, retirada, administração, exclusão e alienação, e enfatizou que claramente não é “tudo ou nada”.
Pode-se fazer distinções mais finas. Se eu aproprio uma propriedade para construir uma casa, isso pode incluir um direito de não ter barulho alto que possa interromper meu sono, mas se eu aproprio propriedade para construir uma fábrica, esse direito pode não existir. Podemos analisar a minha propriedade apropriada para o plantio de comida, enquanto outro pode usar a mesma propriedade para caminhadas, outro como uma rota de turismo para o outro lado, e desde que o uso do último não interfira com o dos primeiros, cada um apropriou um direito à mesma propriedade. A apropriação admitida de um local para uma residência pessoal deve fornecer mais de um direito além de excluir outros. Ainda assim, a razão deve prevalecer.
Nós apropriamos propriedade na medida que estamos usando-a e da forma que estamos usando-a, e abandonamos nossa reivindicação quando torna-se claro que paramos de usá-la (como Bill Orton sugeriu, muitas das diferenças entre as teorias ancap e ancom de propriedade podem ser descritas em quão “pegajosa” a propriedade é após a apropriação).
Uma vez que paramos de tratar a apropriação como uma garantia de controle total e permanente sobre a propriedade meramente pelo ato de misturar um pouco de trabalho com ela ou ao cercá-la, expandimos enormente o número de pessoas que apóiam os direitos de propriedade. Mesmo anarcocomunistas apóiam a posse, um direito de não ser violentamente desapossado da propriedade desde que como pessoa se esteja usando-a. E enquanto muitos ancoms são enfurecidamente vagos sobre o período de tempo que uma pessoa pode parar de usar uma propriedade antes que ela seja considerada abandonada, e por que o empréstimo de propriedade está okay e transferir propriedade está okay, mas alugar propriedade em troca de uma transferência de propriedade (aluguel) não está okay, eles não seriam tão insanos em argumentar que uma pessoa que deixa sua cama para ir à sala de estar à noite abandonou sua cama e a deixou aberta à reivindicação por outro, como alguns tem acusado.
Similarmente, um dos preceitos mais conhecidos da common law no mundo relativamente pegajoso da propriedade que vivemos é o de “posse são os nove pontos da lei”[“possession is nine points of the law”, expressão sobre a aplicação dos direitos de propriedade], e enquanto possa não ter sido literalmente verdade em declaração, era e em grande grau ainda representa o senso comum de uma pessoa média no mundo Anglo-Saxão. O princípio legal aceito de posse adversa deriva disso, e estudiosos legais tem se referido a ele com o passar dos séculos como uma ideia válida se não uma declaração matematicamente literal. Então não vamos perder tempo reivindicando que os anarcocomunistas estão vomitando asneira pura quando falam de posse ao invés de propriedade.
Além disso, mesmo no sentido de que os direitos de propriedade são legítimos, a resolução de disputas sobre a propriedade não pode ser baseada em território, porque isso significa apelar para a própria questão. Você não pode fazer isso na minha propriedade! Quem disse? O juiz disse! Que juiz? O juiz que eu escolhi para todas as disputas envolvendo a minha propriedade! Quem disse que é sua propriedade? O juiz! Que juiz? O juiz que eu escolhi para todas as disputas envolvendo a minha propriedade! Eu quero um juiz diferente! Você não tem escolha, já que você está na minha propriedade! De acordo com quem? De acordo com o juiz! Que juiz? O juiz que eu escolhi para todas as disputas envolvendo a minha propriedade!
Anarquia Sustentável
Geralmente os anarquistas são levados a um beco sem saída quando tentam defender a praticabilidade de suas visões, quando as pessoas perguntam por exemplos históricos. Se destacarmos que ainda não houve um experimento anárquico completo, isso é tratado como uma prova de utopianismo. Se fornecemos exemplos claros do mundo atual, como o livro excelente de Hasnas The Obviousness of Anarchy (PDF), todos os nossos exemplos são desacreditados porque ocorreram em uma sociedade que ainda tinha um governo (mesmo quando sua existência não tem conexão crível com os exemplos). E se fornecemos exemplos históricos, dos quais existem vários, de aproximações razoavelmente próximas ao que propomos, perguntam-nos por que elas não existem mais.
Baseado em sua maior longevidade, eu acho que os experimentos em anarcocapitalismo tem se provado mais bem sucedidos que aqueles do anarcocomunismo. Mas eu acho que os anarcocomunistas tem a resposta do por que o primeiro ainda assim falha: a concentração de poder é perigosa mesmo quando resulta de comportamento voluntário. Tanto na Islândia quanto na Irlanda, leis voluntárias e propriedade privada prevaleceram por séculos, mas a aceitação da cristiandade e, mais importante, do dízimo do dinheiro à igreja, gerou uma concentração crescente de riqueza nas mãos daqueles dirigindo operações paroquiais, e o que era voluntário tornou-se coercivo uma vez que a riqueza concentrada era usada para esboçar poder violento.
Portanto, é correto questionar a hierarquia em todas as suas formas, incluindo as relações senhorio-inquilino e relações patrão-empregado. Isso não significa declará-las ilegais, mas significa ficar inconfortável com TODOS os desequilíbrios de poder e abordar  as razões para eles. Atualmente, grandes quantidades de terra estão fechadas para apropriação, mesmo em cidades, e tanto o licenciamento e a regulação são usados para destruir várias oportunidades de trabalho independente. A propriedade intelectual é utilizada para evitar que as pessoas usem sua própria propriedade real com base em seu próprio conhecimento, e as únicas pessoas que podem bancar a execução dessas leis são os mais ricos por causa de um sistema de monopólio legal que é escandalosamente custoso de usar. Livre-se dessas restrições e os desequilíbrios de poder de que acusam o capitalismo tornam-se imensamente menores.
E se você prestar atenção nas palavras dos anarcocomunistas mais inteligentes ao invés de trolar suas visões, você descobrirá que os métodos que eles propõem para se livrar das hierarquias não-violentas que  se opõem são não-violentos e totalmente consistentes com um livre mercado. Da maneira que eu vejo, não somos somente aliadaos nas questões mais importantes de nosso tempo, como as intervenções militares, a proibição das drogas, o corporativismo e as licenças, regulações e impostos que destróem as oportunidades da pessoa média, mas somos aliados em até mesmo contra a hierarquia. David Friedman, cujo livro As Engrenagens da Liberdade me converteu ao anarcocapitalismo (embora agora eu prefira me chamar de anarquista de mercado, anarquista common law, ou somente com um seco anarquista), deixa claro que ele prefere fortemente uma sociedade de pequenos proprietários individuais de que grandes corporações, e ele vê um amplo livre mercado como a melhor maneira de alcançar isso.
Na anarquia, redes trocam as hierarquias como ferramentas de organização da sociedade. Similarmente, vejo preços trocando chefes, à medida que coordenamos atividades através do sistema de preços ao invés de ter pessoas que dão ordens e pessoas que as obedecem. Mas, além disso, precisamos de vigilância contra os desequilíbrios de poder enquanto nos desenvolvemos, mesmo como sendo resultado de atividade voluntária. Boicotar negócios que tratam mal trabalhores ou usam o poder de mercado para restringir a escolha dos consumidores é parte da manutenção da sociedade livre (eu troco de um Iphone da Apple por um Google Android pela mesma razão). Marginalizar acumuladores de riqueza que não fazem nada para ajudar os menos afortunados e enaltecer aqueles que usam a riqueza para o benefício da sociedade também é parte disso.
Eu gosto especialmente da ideia de benevolência como a última moeda, como William Gillis escreveu em 2009 em seu site, Human Iterations. Em uma sociedade anarquista, os ricos nunca esquecem que eles deixam de ser ricos se o resto da sociedade escolhe não reconhecer suas reivindicações de propriedade: o momento que você reivindica o direito de mais do que você pode controlar pessoalmente, você está confiando em outras pessoas para reconhecer sua reivindicação. Então seja legal com as pessoas.
Para Servir o Próximo
Okay, hora de um pequeno manual anarquista. Eu acredito que a propriedade é um solucionador de problemas, uma ferramenta útil para alcançar paz social e eficiência econômica que beneficia a sociedade enormemente. Entretanto, é uma convenção social útil, não um direito absoluto derivável da autopropriedade: não há razão para que uma pessoa nascida no ano 2100 deva ter menos direitos que uma pessoa nascida no ano 2000, mas se toda a Terra tornar-se propriedade privada, e os donos de propriedade possam estabelecer as regras para sua propriedade, então toda pessoa nascida após essa data irá nascer como um escravo, e a autopropriedade se tornará uma piada. Além disso, os limites dos direitos de propriedade já tem sido reconhecidos na common law, e os ancaps precisam abandonar a versão de desenho animado da contract law, e aprender sobre coação, influência indevida, e adesões: conceitos estabelecidos da common law que vão além da visão “bem, ele concordou com isso” de obrigações contratuais. Temos modificado a contract law o suficiente nos EUA para reconhecer que os empregados tem o direito de demitir-se de seu emprego mesmo se assinaram um contrato de vários anos (exceto para aqueles que juntam-se ao exército), e devedores podem ter suas obrigações canceladas na falência e nunca acabam na prisão se não pagarem (exceto para aqueles que devem impostos ao governo). Em resumo, a santidade do contrato já é reconhecida como um conceito intolerável sob lei, porque viola a autopropriedade.
Tudo que a anarquia necessita é que aceitemos a ideia de que outras pessoas não são nossa propriedade. Somente com isso, criaremos qualquer ordem que seja e a organização que for necessária em um meio de respeito mútuo. Quando temos disputas que não podemos resolver, criaremos ferramentes para resolvê-las. A história nos diz que a propriedade privada é uma dessas ferramentas, mas não devemos elevá-la ao nível de um fetiche que sobrepõe o nosso senso comum e a nossa humanidade.
Todos Nós Podemos Viver Juntos
O que me deixa mais otimista sobre o futuro do movimento anarquista é que a relidade sempre vencerá a teoria. Tanto os ancaps que insistem que a reivindicação de terra cria dominação total e permanente sobre uma localização e os ancom que insistem que toda a propriedade privada é ruim curvam-se à realidade que, enquanto eles podem continuar usando as ferramentas de persuasão, ostracismo e boicote, em última análise eles terão que viver no mundo como ele é. Não vejo evidência qualquer que seja de que as sociedades anarquistas possam adotar com sucesso qualquer um dos extermos (e se eu estiver errado, eu irei me adaptar para essa realidade). O artigo de Hasnas que eu referenciei anteriormente sugere que as pessoas criam direitos de propriedade quando podem resolver um problema e fazem exceções quando essas exceções resolvem um problema. A common law desenvolveu-se a partir do senso comum das pessoas.
A anarquia não é um sistema. Não é nem mesmo um –ismo, embora anarquismo seja uma palavra que às vezes usamos. É uma atitude de respeito por outras pessoas, e uma rejeição das relações mestre-escravo (com nenhuma exceção a oficiais do governo). O que cresce de uma atmosfera de respeito mútuo é impredizível, diferente de lugar para lugar, e muda com o tempo. Acredito que a propriedade privada tem provado seu valor, mas isso não é sustentável sem uma desconfiança de todas as concentrações de riqueza e poder, mesmo voluntárias. Mesmo que eu ache que os anarcocomunistas estejam completamente errados sobre a necessidade de abolir o aluguel e os salários, acho que estão completamente corretos sobre a necessidade de ter desconfiança de todos os desequilíbrios de autoridade e condenar abertamente aqueles que levam vantagem de tais desequilíbrios.
Viva a Propriedade! Abaixo a Hierarquia!
[Nota Final: Não estou alegando que minhas interpretações dos slogans de Proudhon são idênticas às dele. Proundhoun nem mesmo disse essas coisas, porque ele falava francês. Mas eu acho que eu e ele teríamos sido amigos, ao menos até que chegássemos na discussão sobre vinhos frances e californianos.]
[Nota do Tradutor: Os vinhos da Califórnia são ridículos frente os franceses.]
***
Tradução de Robson Silva. Revisão de Ivanildo Terceiro. 

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

A MUDANÇA DA MUDANÇA: UMA REVOLUÇÃO CULTURAL PELA VIDA



A MUDANÇA DA MUDANÇA:
REFLEXÕES PARA AÇÕES  INSPIRADAS NA NECESSIDADE DE CONTINUARMOS VIVOS (*)

Antonio da Costa Neto (**)

“A indignação está sendo proferida, insistentemente, hoje em dia, bem mais do que em qualquer outro momento da história. Nosso primeiro grande desafio é o de criar o consenso de que uma mudança profunda, intensa e fundamental é, não só possível, mas, também, necessária e inadiável: mudança para ontem.  Cabendo, portanto, a cada um de nós buscar, de forma incansável, a  inspiração criativa, as propostas de mudanças, opções a serem adaptadas pelos indivíduos. Este sim, é o papel dos educadores, dos artistas, dos formadores de opinião, dos estrategistas da comunicação e das tecnologias, dos políticos, sociólogos, dos pais e mães, das pessoas comuns, dos homens e mulheres, do povo, enfim, de todos os seres vivos.  Sem esta mudança a tragédia será total.   
 A humanidade sairá, definitivamente, de cena. Cairá o pano.”

(Marilyn Ferguson)
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(*) Artigo elaborado a partir dos fragmentos relacionados às mudanças, transformações, métodos e abordagens da obra A conspiração aquariana – transformações pessoais e institucionais no Séc. XXI, da jornalista norte-americana, recentemente falecida: Marilyn Ferguson (Editora Record/Nova Era – São Paulo – 2010). Ressalta-se que o referido trabalho trata de temas da mais complexa importância para a vida no planeta após o Séc. XX – a denominada “era de aquarius”, tais como educação, saúde, agricultura, política, psicologia, mudança e transcendência. No presente estudo apresentamos os dados relativos aos processos de transformação e mudança, considerando o enfoque metodológico e os seus objetivos a partir, evidentemente, da visão e dos interesses do autor, sendo utilizado como norteador de cursos, palestras, seminários, debates, workshops e afins. Texto publicado no  www.mudandoparadigmas.blogspot.com

(**) Administrador de empresas, especialista em gestão de pessoas, sociologia do desenvolvimento, planejamento e gestão. Mestre em políticas e administração da educação. Professor universitário, pesquisador, conferencista, consultor em gestão e educação. Autor de livros, artigos científicos, resenhas e outras produções científicas com ênfase em modernização e processos de mudança.

É certo, todos sentimos que muita coisa vai errada no mundo. O caos, o sofrimento, as crises, as mazelas se conjugam e se complementam em todos os segmentos do planeta e a cada momento nos surpreendemos com males que não esperávamos. O declínio político, a incapacidade de planejamento, a concentração abusiva do poder e da riqueza que circunda o planeta com a guerra, a fome, o desespero, a precariedade na saúde, o aquecimento global, enfim, uma lista exaustiva, com a qual poderíamos preencher páginas e mais páginas. A educação, o desenvolvimento tecnológico altamente coesos, parciais, e, de certa forma, avalizando todas estas mazelas. A humanidade apresenta profundos sinais de cansaço e o estresse mundial já se tornou, a muito, uma indiscutível realidade a que tentamos mascarar a todo o custo. Assim, a opinião é uníssona: é preciso mudar. Mas, no entanto, parece que nossos métodos e fórmulas para se processar este grandioso fenômeno já deram as mais absolutas provas de suas anomalias e de brutais incapacidades para se fazer o que se busca e de se atingir ao alvo desejado. Suas engrenagens enferrujaram e precisam ser trocadas. Falamos em mudança e a processamos exatamente, no contundente sentido de evita-la. Nossa incapacidade de mudar está mais do que comprovada e o “falar em mudança par evitar a mudança”, com os fins ideológicos de se preservar o poder, a riqueza e o status da decantada burguesia saturou e precisamos de algo radicalmente novo neste sentido. É a mudança da mudança, a tônica do presente trabalho. Apresentar sugestões de como transformar tudo o que precisamos é, na verdade, o seu princípio norteador. Precisamos, sem dúvida, mudar as formas de mudar, para, enfim, mudar ou transformar. Eis no que estamos interessados.
Segundo Thomas Kuhn, em seu importante livro, A estrutura das revoluções científicas,  os que trabalham frutificamente com  velhas ideias permanecem, emocionalmente, tão ligados a elas que as levam até para o túmulo. Aferram-se ao que está errado mas lhes é familiar. Só uma nova geração reconhece o valor e a força de um novo paradigma, buscando o foco inicialmente, na mudança individual: um a um. O que será o caminho para uma mudança coletiva de paradigma que, por sua vez cria um novo consenso, uma nova forma de viver e desfrutar. Gerando, assim, de modo ininterrupto novas ideias num ciclo evolutivo interminável. Instituições revolucionárias, famílias integradas, modernas, transcendentes, arte e cultura do Século XXI estimulam os que delas participam para as suas próprias mudanças, levando, assim, a uma transformação coletiva de mentalidade que é, em síntese, o que todos nós, consciente ou inconscientemente buscamos.
As forças que levaram o planeta à quase catástrofe que, por assim dizer, hoje vivemos com sérias e drásticas perspectivas para um futuro muito próximo trazem em si a semente da transformação necessária. O presente desastroso desequilíbrio pessoal e social prenuncia um novo tipo de sociedade. Funções, relações, instituições e velhas ideias estão sendo reavaliadas, reformuladas, remodeladas – algumas apenas maquiadas por profissionais e pessoas céticas que, infelizmente, ainda não acordaram. Estamos vivendo o fantástico prenúncio da mudança da mudança, uma rápida remodulação de nós mesmos e de todas as nossas instituições em crise. Falamos, portanto de revolucionar, de transformar, trocar o que temos por forças e fatores radicalmente novos e originais em todos os sentidos: o único caminho e a esperança de continuidade da vida humana em sociedade, num padrão aceitável de decência, felicidade, cidadania e valores em todo o dito mundo civilizado.
Devemos mudar para uma humanidade embutida na natureza, promovendo a autonomia do indivíduo numa sociedade absolutamente descentralizada. No sentido político, falamos de uma sociedade anárquica no bom e no amplo sentido. Ou seja, uma sociedade, por ora, utópica, onde todos tenham a verdadeira consciência de até onde e como podem ir. Ou seja, um consenso crítico de liberdade para os pensamentos, as palavras e as ações. Uma sociedade profundamente ética, onde o desrespeito a qualquer direito alheio, por si, não exista. Pois a evolução humana automatizará tais princípios que ocorrerão, naturalmente, como um bebê que chora quando sente fome, ou procurar e beber água quando se tem sede. Simples assim. Não somos vitimas e nem limitados a condições ou condicionamentos. Somos, sim, herdeiros ininterruptos de riquezas evolucionárias. Somos capazes de imaginar, inventar e fazer experiências que até agora apenas vislumbramos. Pois ainda somos guiados pela horrenda cegueira da competição e do pior de todos os males que é o egoísmo.
E todos sofremos, mesmo que indiretamente, de tais revezes que teimam em continuar aí enquanto precisam, drasticamente,  serem transformados. Precisamos, sem dúvida, com a maior urgência, partir em busca de novas perspectivas que, no mínimo, respeitem a ecologia de todas as coisas vivas, incluindo nós os humanos: nascimento, morte, aprendizado, saúde, família, trabalho, ciência, espiritualidade, artes, comunicação, relacionamentos, política e tudo mais. A vida não pode ser, necessariamente, circunscrita, o que faz parte de um passado milenar, sem necessidade, nem mesmo, de ser lembrado.
Até aqui, somos os causadores, querendo ou não, dos conflitos, dores e sofrimentos que carrega a humanidade e precisamos entender que não estávamos errados, mas apenas parciais. O que já é o bastante para desgraçarmos o mundo o que temos conseguido com êxitos invejáveis. É como se tivéssemos enxergando apenas com um olho, sem desafiar os sistemas em seus cernes. Fomos todos induzidos pela nossa educação miserável, pela cultura a competição burguesa a sermos unilaterais demais diante dos fatos e dos fenômenos que nos cercam. O que nos coloca a serviço de perpetuar o que aí está, suprimindo o novo e preservando o velho que nos assusta, corrompe, adoece, estressa, deprime, e, enfim, mata. Choramos, sofremos, mas somos incapazes de mudar.
 Somos, portanto, um construto de covardes e temos o maior medo de pelo menos tentar superar velhos limites e transpor a inércia buscando atingir, assim, uma amplitude de opção, um alento certo para muitos sofrimentos. Mas ficando olhando de longe temendo nos envolver. Qualquer um pode se sentir mais produtivo, confiante e confortável na  insegurança, mas é injusto demais para todos, pois tudo o que precisamos é de sair desta absurda zona de conforto falsa e falaciosa, na qual nos mergulhamos a séculos.  Estamos, assim, a anos-luz de qualquer transformação, evolução que sejam respostas naturais e corretas à crise que talvez durará para sempre, até nos sucumbir. Nossa patologia é nossa oportunidade de desencadear uma epidemia crítica de mudança. A crise não é destrutiva, é instrutiva. Temos que mergulhar no desconhecido, o conhecido nos tem falhado por completo. Eis o que precisamos entender de forma definitiva, desde os cidadãos mais simples dos rincões mais longínquos do mundo, até os detentores de esferas de poder das mais importantes metrópoles mundiais. Este mesmo poder que nos corrompe e destrói, aos pés do qual nos jogamos numa vertente absurda de submissão. Pois ainda somos pobres, pequenos e ignorante em demasia para a ousadia humana necessária.
Segundo Beatrice Bruteau – pesquisadora da ecologia humana profunda – “nós somos o futuro, nós somos a revolução e não podemos, passivamente, aguardar que o tempo nos melhore com ele”. É uma questão do simples para o complexo, do linear para o cíclico, do padrão para o personalístico, iniciando-se de pessoa para pessoa. Só assim poderemos começar a pensar ou sonhar com a transformação social que será possível como resultante da transformação pessoal: de dentro para fora. É a eclosão que acontece como a cura de uma febre. Mas mesmo assim, nós vivemos um dilema, a mudança pode ser facilitada, mas não decretada e o ser humano parece resistir  brutalmente a ela. Transformação não se produz por manifestos e, neste sentido, as más notícias podem ser sim, as boas novas. Novas perspectivas geram  épocas diferentes e mais inteiras, ou sejam, novas libertações de antigos limites. O paradigma que aqui perseguimos com tanta veemência é um esquema para a compreensão e a explicação de certos aspectos  da realidade e não passam de maneiras novas de se pensar velhos problemas. Portanto, a coisa é simples. Pois no fundo, não se acrescentará nada de novo, apenas formas, crenças e valores mudam, o que é mais do que suficiente para se transformar tudo: pura e simplesmente, uma questão de energia a ser transmitida nas ações que fazem as diferenças e não mais, só nas preces, nas desculpas injustificáveis que aliviam os incautos, mornos e sem coragem para quase nada como ainda o é a absoluta maioria de nós.
Recorremos aqui a uma importante visão da física em que Einstein sucedeu a Newton: saída do padrão cronométrico para a incerteza, do absoluto para o relativo e devemos nos inspirar nisto para nossas ações de todas as espécies, inclusive e principalmente quando pensamos em transformar algo, ação, método de trabalho, forma de viver. Neste confronto histórico entre os vivos as novas ideias são sempre recebidas com frieza, zombaria e hostilidade. São atacadas como heresias e de início elas podem sim, parecer bizarras e, até mesmo, vagas. Entendamos o processo e nele  se pode, a princípio, aderir a uma nova ideia sem abandonar a antiga e o que é melhor, se pode ainda ficar oscilando entre as duas durante a maturação, que, se evoluída,  levará, de forma autêntica para a adoção do que for, de fato melhor para todos. É um ciclo em zig-zag, em vai-e-vem, perturbador, que gera um frio na espinha. Mas, no final das contas, sempre as pequenas vitórias somam-se a um grande despertar cultural. A dissolução e o sofrimento são estágios necessários à transformação, os fracassos podem ser poderosamente instrutivos e geradores de um prazer jamais experimentado.
Precisamos adentrar ao pensamento complexo, agregando nele os sentimentos de bondade, amor, empatia, sensibilidade, pois a lógica, por si só é um profeta deficiente. A intuição é necessária para se completar o quadro. Por definição, no atrasado mundo que nos cerca, embora revestido da tardia ciência objetiva e da técnica superdesenvolvida, as resoluções não são lineares e muitas causam transtornos insuperáveis quando atuam sobre as outras ao mesmo tempo de forma impensada por quem as operem. Acreditamos que a confrontação desorganizada, a derrubada pura e simples do sistema ou a reforma gradativa servem apenas para preservar a alienação básica da sociedade; a matéria-prima para a manutenção dos processos de exploração, dor, sofrimentos descabidos para os tempos da era do conhecimento de avanços tecnológicos inimagináveis.
Bernard Levin, colunista do The Time de Londres afirma-nos que “a forma pela qual o mundo vive hoje não dará certo. Muitas pessoas têm todo o conforto material que desejam, mas, mesmo assim, vivem em silencioso desespero, nada compreendendo a não ser que existe um vazio imenso dentro delas. E esse vazio dói”. Mas como são cegas e avessas dentro da linearidade a que estão acostumadas. Tudo o que fazem é manter o mesmo processo que as desesperam. Falta-nos a visão do todo e a sensibilidade suficientes para ajudarmos a proceder as transformações que tanto desejamos, buscamos. Mas fazemos ao contrário.

A indignação está sendo proferida, insistentemente, hoje em dia, bem mais do que em qualquer outro momento da história. Nosso primeiro grande desafio é o de criar o consenso de que uma mudança profunda, intensa e fundamental é, não só possível, mas, também, necessária e inadiável: mudança para ontem.  Cabendo, portanto, a cada um de nós buscar, de forma incansável, a  inspiração criativa, as propostas de mudanças, opções a serem adaptadas pelos indivíduos. Este sim, é o papel dos educadores, dos artistas, dos formadores de opinião, dos estrategistas da comunicação e das tecnologias, dos políticos, sociólogos, dos pais e mães, das pessoas comuns, dos homens e mulheres, do povo, enfim, de todos os seres vivos.  Sem esta mudança a tragédia será total e , em absoluto sem solução.   A humanidade sairá, definitivamente, de cena. Cairá o pano.
E falamos aqui algo de existência incomensurável em relação ao tempo e a cronogramas. Nossa percepção neste sentido é demasiado estreita e por ora, não entenderemos esta axiomática que tanto defendemos. Dentro da eternidade, o tempo que temos não é nada. É um estigma do passado, cujo presente, nem por microssegundos, nós conseguimos captar. Quando temos o menor “insight”, tudo já passou. “Somos uma espécie condenada a viver coletando minúsculos passados quase sempre amargos e tediosos. É o que nos é dado por direito a chamar de vida. A soma de todos os nossos dias é apenas o começo”. E como nos ensina Teilhard de Chardin o futuro está nas mãos dos que podem oferecer às gerações vindouras razões válidas de  esperanças. Depois de tudo que sofremos e sangramos enquanto vivemos vem um “sim” indefinido para continuarmos. E é deste “sim” que depende o futuro do mundo que nos leva ao inusitado que nos amadurece e nos transforma. Profundas mudanças interiores podem ocorrer em resposta a uma meditação disciplinada durante uma grave enfermidade, de uma perda importante, de uma decepção amorosa, por exemplo. É dos maiores amargos que surge o doce sabor repleto de perspectivas novas. O “sim” que vem de dentro nasce da dor e do sofrimento que não podem ser evitados, mas precisam ser vividos e sentidos. É o que precisamos aprender a fazer revestidos de “outros sins”, de outras condutas, mais humanas e cheias de sentido para todos e não só para nós  e a quem dedicamos nossos melhores afetos. Prescindimos de sins, de palavras, pensamentos e ações, que beneficiem a todos os próximos e distantes de nós: somos uma rede de infinitas proporções e este saber é  a transformação iminente e necessária.
A maior parte dos habitantes da terra está preocupada com a sobrevivência, e não, com a transcendência. Uma rápida transformação da espécie humana tem sido articulada pelos mais talentosos pensadores, artistas e visionários da história. E nela, quem confia em si mesmo se sente mais à vontade para confiar nos outros: a transformação exige uma dose mínima de confiança. Estamos familiarizados com muitos tipos de ilusão e de auto-ilusão: nos jogos, na propaganda, na política; na apresentação de uma bela fachada. O ouro do crescimento material e limitado inspirou uma geração inteira de falsificadores. E, por enquanto, esta mera aparência nos satisfaz no âmbito de se levar a vida – mesmo que vegetativa – e pronto. É a dinâmica neurótica do material pelo material como se a grandiosidade da vida se reduzisse a este engano simples para uma humanidade que se acredita grandiosa, esperta, inteligente, muito evoluída e cheia de conhecimento.
No entanto, no âmago das coisas e da verdadeira alegria do existir em sua essência mais poderosa, a infelicidade é a marca da sensibilidade e da inteligência. Num mundo tão conturbado quanto o nosso em que as pessoas sofrem e choram na solidão, as crianças passam fome, os doentes morrem sem tratamento, o medo da peste, da falta de água da turbulência, do calor exagerado e de um frio assassino, nós não temos motivos para sorrir, achar graça e esbanjar as demasiado comuns expressões:  “está tudo bom”,  “está tudo bem”. Porque não está. A questão é nossa superficialidade que nos torna incapazes de enxergar a verdade inteira das coisas. Isto só se dá porque somos uma massa insensível e sem escrúpulos, principalmente, quanto ao sofrimento alheio porque nem sequer sabemos que o outro não existe: nós somos um só. E a vida é como um jogo de xadrez, que, no final, reis e peões são guardados todos na mesma caixa. Fazemos parte de um só bloco que singulariza a vida  seus, mistérios e contornos. “Podemos e devemos aprender a saborear as marcas e cicatrizes de nossos próprios remorsos como uma segunda chance para reencontrarmos o sentido de tudo”. Conforme nos esclarece Teodore Roszak.
Mas, sobretudo, pela nossa extrema falta de senso nós preferimos manter uma certa fidelidade hipócrita ante a um antigo paradigma. Mas, se tivermos coragem para comunicar nossas dúvidas poderemos desmantelá-lo enquanto há tempo de nos mantermos vivos e a serviço de alguma causa que valha realmente a pena. Não há a necessidade de esperarmos que ele, o paradigma decadente, apodrecido e aos pedaços caia encima de nós. É preciso focar os seus perigosos mitos e místicas, a fim de atacar suas ideias e táticas mais que ultrapassadas e obsoletas. O que nos faz um mal imenso.
A implosão da informação de Marshall McLuhan, segundo a qual a comunicação não deve ser somente ampla, mas também profunda, o que é ponto fundamental para mantermos, a partir de agora, nossos contatos, relações, trocas, querências pessoais e amorosas . É Carl Roggers que nos ensina que “as pessoas estão se mostrando realmente abertas, expressando o que sentem e sem medo de serem julgadas naquilo que consideram fundamental em seus seres em suas personalidades e somente aquilo que sentimos muito profundamente pode nos modificar”. É o soberano direito da autodescoberta. Um novo mundo é uma nova mentalidade e que agora  é centrada no interior das pessoas. Conhecendo suas diferenças, modos, ritmos, formas de ver, sentir, fazer, habilidades, sonhos, limitações e respeitando-os integralmente e em quaisquer instâncias, sem nome, classes ou distinções. Só assim estaremos processando a mudança, ou, melhor dizendo, nos transformando as coisas e as pessoas.
Parece um tanto paradoxal, mas ainda, Aldouxs Huxley  se mostra profundamente otimista quanto à multidão dos homens existentes à margem da sociedade, o que foi considerado como uma heresia. Mas não nos esqueçamos que foi com esta premissa que ele veio  apoiar Bertalanfy, na Teoria Geral dos Sistemas, tão aplaudida atualmente, e,  segundo a qual, “nada pode ser considerado isolado, pois tudo faz parte de um sistema”, daí a sua importância pela função de incluir a todos, sem quaisquer fronteiras, e, isto é grandioso. Lowis Pauwels e Jaques Berger em  O despertar  dos mágicos descreveram uma rebelião aberta de indivíduos inteligentes, transformados por suas descobertas anteriores, mesmo as de vivências de misérias, dores, erros e sofrimentos, que são ingredientes fundamentais para medidas grandiosas de transformações realmente válidas para a vida.
Só dentro desta perspectiva é que começamos a considerar o sentir a ciência, as crenças e valores, aí incluindo as religiões, tudo num só bloco para o fazer pensar. O que, apenas para iniciar esta discussão, afirmamos ser que as que  podem, juntas, suportar a carga do futuro. “Não a ciência das escolas, as filosofias simplificadas, as  religiões das igrejas, mas a dimensão espiritual e mística que transcende hábitos e políticas”, segundo o pensamento de J. B. Priestley.  No contexto de se inteirar de tais segmentos do saber, nós, passaremos, ao invés de desejar  ver o que há do outro lado da lua, deveremos tentar entender o que há do outro lado de nossas mentes, o que só poderemos fazer exercitando o nosso lado bom  que temos e trazemos no íntimo. Se, espiritualmente falando, conseguirmos, pelo menos apontar o que há de errado conosco, quais as nossas  necessidades mais profundas, então, talvez, o desespero, o medo da morte irão, gradativamente, desaparecer.  E somente os seres inteiros, com tais características, é que serão os agentes das transformações que aqui descrevemos. Mas os  homens, em sua maior parte, ainda continuam a pensar de acordo com os velhos padrões fragmentados dos dias mais lentos da história.
Ruth Ananda “se referiu a uma nova consciência que poderia levar a humanidade para muito além do medo e do isolamento, incluindo o conceito de auto realização de Abranham Maslow”. Pessoas engajadas em outros estados de consciência se tornam mais abertas,  menos egocêntricas e mais responsáveis. Substituindo as estreitas lealdades por uma preocupação ampla, crítica e amorosa com as outras pessoas. Buscando o que o educador  John  Holt clama por um ser humano radicalmente novo. Necessitando, portanto, de uma revolução de consciência. A liberdade canta não só dentro de nós, como também em nosso exterior. O homem não quer sentir-se estagnado, o que deseja, na verdade, é ser capaz de mudar, de transformar a si mesmo e os contornos em sua volta o que requer, ao mesmo tempo, tolerância para experiências e ondas de inquietação.
Somos todos, invisivelmente, ligados uns aos outros e há dimensões em que transcendem o tempo e o espaço  exigindo a emergência de um novo ser humano autônomo. Há a procura de pessoas especiais que não podem ser encontradas em qualquer lista “à venda”. Devemos nos procurar uns aos outros, nos encontrar e nos unir. Precisamos acreditar que, algum dia,  vamos conseguir transcender à “consciência normal” e inverter a brutalidade e a alienação da condição humana e fermentar toda a sociedade com esta nova premissa, transformando o todo. Somente através de uma nova mentalidade poderá o ser humano modelar-se a si mesmo. Abram os olhos há mais coisa ainda, mais profundidade, mais altura, mais opções e mais perspectivas do que havíamos imaginado. É preciso acabar com o perigo da cegueira da opinião dominante. Precisamos começar a ver através dos olhos e não mais, ver com eles eliminando, definitivamente, o que fragmenta  os poderes do raciocínio e da imaginação.
A maior revolução em nossa geração é que os seres humanos modificando as atitudes anteriores de suas mentes podem modificar os aspectos exteriores de suas vidas. Só o homem, de acordo com Willian James é o arquiteto de seu próprio destino. A ciência mecanicista não explica os mistérios da vida. Acreditar nisto é uma ingenuidade, ela, ao contrário, viola a natureza, nossa filosofia, nossa arte, sentimentos e intuições. Precisamos, para compreender isto de um novo instrumento holístico; de um novo princípio de organização inerente à natureza. Portanto, ainda aguardamos o primeiro passo poderoso que começa com a união do intelecto com a mente intuitiva, conforme nos ensina Carl Jung por meio de sua sagrada psicologia transpessoal e a revolução que ela representa, deixando o homem pronto para as transformações necessárias e que, com certeza, ainda estão por vir.
Começa-se  assim uma nova conspiração de indivíduos para elevar a um novo estágio o edifício da vida, conforme nos lembra Teilhard de Chardin, em seu O espírito da terra, o alcance que chamou de “ponto ômega” – “nada no mundo pode resistir ao fervor do espírito coletivo”. A mente fica ofuscada quando emerge da sua sombria prisão  e talvez seja este o grande problema, o de saber submergir a este momento de escuridão e insegurança frente o novo que avança ao nosso encontro.
Nós já entramos no maior período de mudança que o mundo já conheceu. Os males que sofremos hoje têm suas bases no pensamento humano até aqui, objetivamente estrangulador e a solução está no entendimento profundo de tais relações por uma metalinguagem que transcenda os estreitos domínios das formas, que, por exemplo, nos comunicamos. Mas, felizmente, um novo tipo de interrelação entre os indivíduos, começa. Alfredo Korzybski ressaltou a linguagem com outro aspecto de consciência que modela o pensamento. Os princípios da semântica geral com as palavras cria em nossas mentes imaturas grandes vazios e por isso mesmo, podemos confundir a realidade e criar falsas certezas. Isolamos as coisas que só podem existir com continuidade, deixamos de perceber o processo, a mudança, o movimento. E tudo é fruto de uma ideologia animalesca, fundada nas concepções de um capitalismo, ou mesmo de um socialismo gritantemente atrasados e que se formatam nos princípios da profunda desigualdade, da miséria para muitos e da opulência, não só material para poucos. E, pior ainda, para os mesmos, desde os primórdios da história do ser humano sobre a terra. E isto persiste na educação, na política, na gestão das organizações, no planejamento genuinamente grotesco que ainda temos. Pois sua evolução está apenas na aparência, nos dogmas, no papel. E não é só isto, as demais ciências, as práticas sociais, a psicologia, a arte, a universidade, os meios jurídicos, a construção civil, as ciências ambientalistas, ecológicas, a biologia, os serviços, a vida, enfim, tudo caminha por esta ainda estreita e pueril estrada que conduz o que a humanidade incauta  chama de evolução.
Quando a pessoa libera uma nova capacidade, esta torna, de súbito, evidente para outras que podem, então, desenvolvê-la também. Certas habilidades, artes e esportes desenvolvem-se de forma espontânea em culturas específicas. Até mesmo nossos talentos “naturais” devem ser encorajados. Os seres humanos não falam e nem andam de forma biologicamente natural, mas por imitação. Se os bebês fossem metidos em berços de asilos sem nada a fazer a não ser olhar para o teto iriam caminhar e falar muito tarde, se é que chegariam a fazê-lo. Estas capacidades têm de ser liberadas e envolvem a interação com outros seres humanos e com o meio. E dentro do contexto de todas as ações e medidas isto se repete, pois, como estamos vendo, tais fenômenos se renovam, pelo menos similarmente, inclusive nos processos de transformação e de mudança que aqui tratamos. Ou seja, tudo volta a acontecer, por isso muitas das mudanças que temos são parciais e limitadas  e devemos suprimir esta limitação dentro de tal processo.  Neste contexto nós conhecemos a meia mudança, também chamada de não-mudança que é a forma mais eficiente de não se mudar nada. A simples inovação é, por assim dizer, uma estratégia dos neutros, dos que na verdade querem falar em mudança, justamente, para não realizá-la. Pois o discurso contrário pareceria reacionário demais para quem precisa se mostrar em grandes evoluções. É chic e necessário falar e propagar a mudança, mas realiza-la, nunca, pois isto irá ferir a nossa zona de conforto. E o mundo civilizado está, infelizmente, cheio disto.
 Outra forma é a  mudança por exclusão a mais fácil e limitada das formas de mudar. Ela dá início a tal segmento, mas não o conclui. Neutraliza processos e cega seus agentes, criando, por assim dizer, um falacioso sentido de satisfação em relação ao que se espera mudar. Quando o velho sistema de convicções permanece intacto, mas admite um punhado de anomalias, do mesmo modo que o velho paradigma tolera um certo número de fenômenos estranhos a ele e que se agregam às suas bordas, antes da ruptura que leva a um outro paradigma mais inteiro. Um indivíduo engajado a uma mudança por exclusão pode desaprovar todos os membros de um particular grupo, exceto um ou dois; os que defendem as exceções que confirmam a regra; em vez de exceções que não confirmam a regra que se excluem mutuamente para que tudo permaneça como antes. E, ao mesmo tempo, nada pode parecer estranho nesta que podemos chamar de uma evolução só das aparências.
Estranho o antagonismo que existe entre o apelo para a mudança e ao mesmo tempo, os processos utilizados para impedi-la.  No geral, quando as pessoas sentem que as mudanças necessárias e desejáveis podem mesmo acontecer, consciente ou inconscientemente, todas as medidas são tomadas para que o fenômeno não se conclua. Quebram-se seus processos e o resultado é evitado a qualquer custo. Demitem-se seus agentes, retiram-se os recursos, promovem-se bombardeios de ideias e exatas revoluções contra qualquer possibilidade, ainda que longínqua. Se for descoberto que certa pessoa, grupo, equipe, organização tem o vírus da mudança ou o potencial para mudar elas, no geral, passam a ser tratadas como quem tem uma terrível doença crônica contagiante e que pode contaminar e desgraçar todo o seu meio. Passam a ser abandonadas, a viver sozinhas e são olhadas com desdém e comiseração, como se fossem infelizes e inúteis. Para disfarçar, opta-se no máximo, pela mudança quantitativa que é aquela que se dá lentamente, pouco a pouco e só acontece porque os indivíduos envolvidos não a percebem. É a mudança por partes, gradual e fragmentada e quando chega ao fim – se é que isto acontece – já se faz necessário começar de novo  um outro processo de mudança mais atual e eficaz. Mudança meramente disfarçada para que tudo continue como estava antes, gerando aí um profundo suspiro de alívio para antecipar as reclamações que se seguiram de que nada muda, nada acontece e assim, sempre, num ciclo vicioso e doentio.
E falando ainda em mudança que não muda, resto-nos ainda o que se acostumou de chamar de mudança pendular –  é o abandono de um sistema seguro e fechado por um outro. É a mudança que falha no processo de integração do que estava correto no antigo e erra ao distinguir o valor do novo, de seus exageros. A mudança pendular rejeita a sua própria experiência interior passando de uma espécie de conhecimento incompleto para outra. Todas estas mudanças não chegam à transformação, pois, lidam com informações limitadas, conflitantes e antagônicas, diria, meio que de propósito. Não conseguindo integrá-las, não fundindo uma visão dupla em uma única, levando os sujeitos a optarem por relações não- conflitantes, reprimindo aquelas que não se encaixam nas convicções dominantes. Ou seja, exibem e camuflam, ao mesmo tempo, o fenômeno da mudança para que tudo permaneça  sem mudar, assim como todos os demais processos até aqui discutidos.
Mudemos, portanto, pelo menos o foco. E, para isto, necessário se faz um certo convencimento  de que estamos inseridos até o atual momento histórico em mudanças que nada mudam, ou seja, fracassam, por razões óbvias. Comecemos a discutir a mudança de verdade, ou, melhor dizendo, possíveis processos de transformação, ou mudança de paradigmas. A bem da verdade, a mudança que buscamos – é, em síntese, a base da transformação, ou seja a mudança das antigas formas de mudar que já deram mostras mais do que suficientes de suas graves anomalias em todos os tempos. A mudança até hoje se dá de uma forma particularmente parcial, sendo coordenada por quem tem mais do que razões e privilégios próprios para nada mudar. Este sim, o sentido filosófico, as questões ideológicas para a não-mudança. Mas seria extremamente cruel, frio e criminoso se admitir tal processo de frente, daí os elegantes  discursos falseadores, o maior, talvez o único grande mal de nossos tempos. Assim, os agentes das tais “mudanças” são, geralmente, sectários e pobremente instintivos, fundam-se na hipocrisia que chamam de técnica. E as suas propostas para mudar são vistas- por eles próprios, é evidente – por uma ótica decadente, proporcionando os privilégios e os benefícios para quem já os tem. E, assim, por mais que se mude, tudo continua a mesma coisa. É o eficaz sentido político da não-mudança que temos visto e vivido.
 Mudar paradigmas é transformar bases, ideias, pensamentos, valores e ações, partindo, portanto de uma visão ampla dos ciclos que envolvem as causas, os efeitos, os processos e resultados de qualquer realidade que se proponha que venha ser  mudada, ou melhor, transformada.  E, para tanto, tudo deve ser feito de forma simultânea, integrada, múltipla. É fundamental o entendimento de que tudo e se liga a tudo e a todos num intenso, global e pertinente sentido de redes vivas e infinitas.  Colocar-se no lugar do outro, dos que sofrem, dos que buscam, dos que necessitam e que, quase sempre estão fora dos processos, dos poderes de decidir, e, portanto, de mudar. Todos devem decidir e mudar juntos. Ao contrário das hierarquias secas que ainda temos. Agregando, desta forma os sonhos, os desejos, as necessidades, ritmos, estilos de ver, crer, desejar e fazer as coisas. Derramar por todos e para todos as benesses do que, do como e do para que e para quem mudar. Já de início, o termo mudança é pouco, é mínimo. E o que precisamos falar e  fazer é uma transformação radical e profunda. Transformar e  evoluir cenários, extinguir normas e hierarquias, formar redes vívidas e lúcidas. Dando chances de vida com abundância de qualidade para todos. Assim, reformar é pouco, inovações não existem, mudança é quase nada. Estamos falando de transformações radicais e propositivas para que a vida seja o êxito possível.
Algo na atividade consciente está apto a uma profunda mudança, a adotar o verdadeiro conceito de transformação nas ações humanas. Uma transformação é, literalmente, uma nova forma de reestruturação de alguma coisa ou de alguém, buscando e esperando processos e resultados novos, autênticos e originais em todos os sentidos. Neste aspecto as mudanças parciais e rasas, não contam, pois são o construto básico da teoria oca que a nada leva. Uma transformação matemática, por exemplo, é a conversão de um problema em termos novos para que possa ser resolvido. Falamos aqui da natureza metafísica da transformação. Uma nova perspectiva que percebe outras perspectivas, ou seja, uma mudança de paradigmas e não como simples novas visões que conceituam como mudança as antigas tradições, tanto no sentido científico, como no místico, no cultural e em outras abordagens. Vivemos, portanto, a cisão entre o consenso e o conflito e este entendimento é fundamental para processarmos o que queremos e precisamos para que a vida persista.
O começo de uma transformação é extremamente difícil. Só temos que nos centrar  no próprio fluxo da atenção. E aí, imediatamente, adquirimos, por assim dizer, uma nova perspectiva. Qualquer coisa que nos conduza a um estado consciente e vigilante, assim como a nossa mente é o próprio veículo da transformação. É a busca de uma dimensão superior, ou seja, mais abrangente. E, para tanto, devemos atender aos apelos das modernas neurociências e colocar toda a energia do nosso cérebro a serviço do que queremos fazer, processar, aprender, descobrir. Para realizarmos qualquer mudança com êxito é a mesma coisa. Exercitando, proporcional e autenticamente, nossas capacidades mentais internas de sentimento, razão e prática, na quantidade, proporção manejo e forma conforme o que desejamos, o que esperamos, seu momento e características. Abandonando padrões, mas personalizando caso a caso, este sim, o grande segredo.
Tanto o cérebro, quanto o comportamento humano são, inacreditavelmente, flexíveis. Somos condicionados para termos medo, ficarmos na defensiva, sermos hostis, ainda que tenhamos também a extraordinária capacidade para a autotranscedência. Aqueles que acreditam na possibilidade de uma transformação iminente, não são otimistas em relação à natureza humana. Em vez disso, confiam no processo da transformação. Todos experimentando uma nova modificação positiva em suas vidas – mais liberdade, sentimento de união e afinidade, mais recursos criativos, meios de lidar com o estresse. Criando, assim, uma outra noção de sentido da vida. Estas pessoas são as que admitem que as outras também podem mudar. Acreditam ainda que se um determinado grupo descobrir novas capacidades em si mesmo, naturalmente, conspirará para criar um mundo mais hospitaleiro para a imaginação, o crescimento, a cooperação humana e que só a evolução individual pode conduzir ao desenvolvimento de todos. Neste sentido, coletivos são meras abstrações linguísticas que acompanham o viés da política da competitividade doentia. Sociedade não existe, mas sim, pessoas, com suas limitações, capacidades, desejos, angústias, carências, necessidades, problemas a solucionar. Coletivizar é adjetivar, quando o que deveríamos fazer é substantivar. Estamos exercendo, portanto, uma forma de enganação social por meio da linguagem elegante, da semântica culta e gramaticalmente correta, justamente para isto.
Não podemos mais nos ajustar aos paradoxos da vida cotidiana, ficando divididos entre o que os outros desejam de nós e o que desejamos de nós mesmos. Pois, no fundo, somos um só e tudo converge para um mesmo fim. O que precisamos ter é a certeza e consciência do fazer correto, sem os engodos elitistas a que fomos adestrados desde a mais ínfima idade. Quando nos reprimimos ou vacilamos porque temos que agradar ao poder sobre nós – seja ele correto ou não e nós intuímos isto sempre – estamos nos privando da transformação. Ao nível da percepção comum nós negamos a angústia e o paradoxo. Quando a luta é abandonada ela está, absolutamente, vencida. Para se chegar mais rápido é preciso diminuir a velocidade. Só vence a corrida quem tira o pé do acelerador, embora pareça que não. A transformação não é um espetáculo para ser observado. É para ser feito por todos, sem plateia. E a complexidade do método não deve ser confundida com a sua eficiência. A prática faz melhores nadadoras ou esquiadoras dentro e fora da água, quaisquer que sejam nossos talentos inatos.
A transformação é irreversível: espelho algum se torna ferro novamente e nenhuma uva madura fica verde de novo. Disciplinas altamente estruturadas tornam-se um simbolismo intrincado e pode beneficiar alguns, enquanto outros sofrem ao desalento e em profundo desespero em volta de todo o mundo civilizado. As altas mudanças com tecnologias simples são realmente as que contam no parâmetro da busca da evolução de verdade. Aquela que precisamos, buscamos, mas que se esconde em meio às complexas confusões criadas por todos nós, seres humanos cegos e incautos frente à real dinâmica do mundo e as exigências de uma vida minimamente digna para todos . Um método que dá certo por algum tempo pode, de repente, parecer inapropriado; ou mostrar que ainda  não está produzindo modificações significativas. Mas num retrospecto, pode-se verificar que muita coisa interessante  aconteceu, daí a carência da mudança, da transformação rumo ao perfeito que deixa, assim, de ser utópico, pelo menos no sentido platônico da palavra.
A transformação é processo, é uma viagem sem destino final. Mas nela há segmentos facilmente identificados: cumes, lamaçais, areias movediças, erosão, sol, chuva, escuridão, calor, frio, mas que quase todos resistem – os fortes, os que se fazem necessários. Para  identificar se o campo é ou não apropriado para a transformação devemos verificar no “mapa do território” alguns  estágios principais:
1.       O ponto de entrada preliminar, quase casual, algo que abale o velho entendimento do mundo, as antigas prioridades. Muitas vezes, produto do tédio,  da desmotivação, da  falta de curiosidade ou do desespero. É uma experiência espontânea, diria, mística, difícil de ser explicada e muito fácil de ser negada. Principalmente, pelo complexo de se resistir a quase todas as formas de mudanças, ou melhor dizendo, a todas elas, pelo menos pela ampla maioria de nós, os humanos. Transformar a realidade de modo a se chegar  mais perto possível do ideal de cada pessoa ou situação. A mudança de paradigmas só pode ter início com a harmonização das ideias e filosofias numa nova e poderosa síntese. Ou seja, uma transformação autêntica de crenças, valores e ações. É a dimensão de uma perspectiva realmente nova que permite que as informações se unam em novas estruturas e conjunturas. Não é isso que desejamos? Por que então nós negamos isto com todas as forças de que somos capazes? Questões que precisamos entender, para só então, termos as condições mínimas de continuar.
2.       Sob muitos aspectos a dificuldade de  processar a mudança  se deve ao fato de ter-se de abrir mão da certeza e passar a trabalhar com aproximações, o que leva a diferentes maneiras de se enxergar os fatos, os fenômenos e suas histórias. Colocando em risco a nossa “zona de conforto” dentro deste mesmo processo e sobre diferentes perspectivas e em distintas ocasiões. Integram-se ao mesmo tempo valores objetivos, subjetivos e intersubjetivos. Agregam-se ideologias, o que, no geral, nossa estreita visão não está preparada para lidar.
3.       Na mudança de paradigmas admite-se que se estava parcial ou totalmente errado antes e que se pode estar agora um pouco mais parcialmente certo. Percebemos opiniões que eram apenas parte do quadro – e aquilo que sabemos hoje é apenas parte do que saberemos amanhã. A mudança não é mais uma ameaça, ela absorve, amplia, enriquece. Cada percepção abre espaço para que a nova etapa seja mais fácil. E, assim, infinitamente. É, em síntese, a mudança da mudança, exatamente como na natureza; a evolução de um processo simples para um outro, complexo. Cada nova ocorrência altera aquelas que se seguem. Ela  não gera apenas um simples efeito linear. É uma súbita mudança, a saída do padrão para uma aspiral em ciclos evolutivos, sequenciados, permanentes e integrados entre si. Uma rede em co-existência, por vezes, um cataclismo.
Tudo altera os fluxos, as percepções, seus processos e resultados. A mudança aumenta infinitamente. Podemos dizer que “síntese se baseia na síntese em evoluções permanentes e infinitas”. É a organização transcendendo velhos conflitos, rompendo a antiga ordenação. Potencializando, assim, a verdadeira transformação das coisas num movimento de maior maturidade, de abertura, de força, de criatividade. Estas são características a um só tempo amplas e sutis e que a pobre e limitada dimensão técnica a que a humanidade tem se dedicado, especialmente, após a revolução industrial, se esqueceu de agregar. E hoje talvez seja demasiado tarde para isto. O que, em si, prenuncia o caos. Daí o sentimento de todo esforço neste sentido ser pouco. Precisamos, pois, arregaçar as mangas, ranger os dentes e tencionar os músculos: enfim, revolucionar, no exato sentido da palavra.
Ninguém pode persuadir a outra pessoa a mudar. Cada um de nós vigia uma porta de mudança que só pode ser aberta pelo lado de dentro. Não podemos abrir a porta para ninguém, nem com argumentos e nem com apelos emocionais. Para a pessoa mudar alguma coisa dentro dela tem que morrer, o que é uma descoberta assustadora. O que prescindimos é de aspectos e valores para que  a solidariedade humana,  a condição essencial para a expansão de qualquer indivíduo, conforme Erich Fromm se faça presente em todos os processos decisivos sobre nossas ações em todos os campos da vida. O que depende de trocas, de relações pessoas fundadas no querer bem entre elas – sem tal amorização tudo parecerá impossível  ou será, no mínimo, muito mais difícil. Não há transformação sem amigos, somos parteiros uns dos outros, o que na intimidade de cada um parece gerar, inexplicavelmente, algum ponto de tensão, de reserva. O que temos é um medo enorme de nos doar pois, somos ainda, e, infelizmente, à revelia de tanta evolução, egoístas e competitivos por excelência.
Neste sentido, o medo tem sido nossa eterna prisão: medo de nós mesmos, medo da perda, medo do medo. Nossos medos são um repositório de tesouros de autoconhecimento e, uma vez que sentimos a transformação de um medo, temos, igualmente, dificuldades de tornar a senti-lo. O eu transformado dispõe de novos instrumentos, dons, sensibilidades que são interações internas que precisam de grandezas que, pelo que parece, ainda não temos. Perdemos tempo demais, historicamente, com os valores outros e até antagônicos a tudo o que necessitamos, daí a realidade a que nos achamos expostos como no fundo de um poço e arranhando loucamente suas paredes para sair. Precisamos, portanto, de processos de transformação e mudança. Eles experimentam, especulam, inventam e saboreiam o inesperado. É como Maslow  nos dizia que “temos medo  de nossas potencialidades superiores. O medo de saber é o medo de saber, pois o conhecimento sempre agrega responsabilidades”.
A transformação é uma experiência que apresenta resultados e nós aprendemos muito com ela. Sempre que integramos a algum processo para tais fins, se soma alguma coisa à nossa compreensão, às nossas habilidades. Seja qual for o fim a que chegamos, nós não perdemos a descoberta, o novo, o crescimento interior que é o profundamente mais importante. Por outro lado, nenhuma ideia radical poderá sobreviver se não tiver incorporada em indivíduos cujas vidas sejam a própria mensagem. Razão e intuição são complementares, enriquecem-se mutuamente quando sucumbem à transformação, resgatando a qualidade do “eu” e da importância de cada indivíduo.
Só ai é que parecemos estar prontos para a exploração – o sim, após o não final é  a entrega deliberada e de uma forma intencional. Nós soltamos alguma coisa que estávamos apertando, para que possamos flutuar. É o colocar a mão na massa transformando fatos, fenômenos, aspectos, coisas, movimentos, pessoas naquilo que desejamos, buscando, assim, a integração de tudo a tudo, ou seja, a penetração do mistério até então oculto por detrás de nossas máscaras, nossos jogos e os conflitos, especialmente, os travados conosco mesmos.
Neste estágio, podemos parecer visionários demais, mas conspirar passa a ser muito mais do que necessário – a conspiração – a descoberta de outras formas e dos modos de usá-las a serviço dos outros facilita a transformação mas não a impõe: conspira para a renovação sistemática e inteira. A mesma que tem sido descrita historicamente como o verdadeiro despertar. O que prescinde do entendimento de que ”se algo vai mal no mundo é porque algo vai mal comigo”. Fomos divididos e somos incapazes de harmonizar pensamentos e sentimentos contraditórios, quanto mais, antagônicos, negando o contágio, a conspiração, a multiplicação de ideias, o fazer-se plural. E neste sentido, a importância do processo é outra descoberta, aprender é mais importante do que acumular informações, assim, nos convencemos de que, buscar, exclusivamente resultados, como temos feito historicamente, faz parte de outro plano. Os objetivos e os pontos finais importam menos, pois transformar é aventurar-se naquilo que não tem fim. Quando entendemos que a vida se torna um processo, desaparecem as velhas distinções entre vitórias e derrotas, sucessos e fracassos tudo é um sinal para nos ensinar a aprofundar a busca. Devemos deixar de adiar a vida, prestando mais atenção no momento do que no relógio. A incerteza é uma companhia mais do que necessária e os conhecimentos tácitos sintonizando sinais interiores tornam-se muito mais fortes.
Mudança significativa, conforme nos ensina Mahatma Gandhy, só pode ser implementada em nível de pessoa, de conversas de vizinhos, de pequenos grupos, em aldeias longínquas, entre árvores e bichos. Ou seja, dentro da simplicidade criativa do espírito que é, o que, de fato, nos enriquece. E, para tanto é preciso saber aproveitar as instâncias, locais e momentos propícios à criatividade lúdica. Mudar e transformar é sair das hierarquias agonizantes para entrar e se integrar a redes cheias de vida. Se quisermos, por exemplo, mudar a burocracia, a primeira coisa a fazer é mudar os tecnocratas, um por um, chegando a todos.  A mudança, a transformação social não virá tão rápida como gostaríamos. Formar uma comunidade em transformação é um processo tão sutil quanto longo e delicado. Devemos, portanto, apenas viver nossas condições, e, assim, poderemos transformar o mundo, provocando a necessária revolução das almas, dos sentimentos bons, eternizando as alegrias de viver.
A revolução pessoal, tão urgente quanto necessária se caracteriza pela nossa capacidade de transformar a nós mesmos, ela não se  com opera milagres e nem com ideias antigas. Deve haver também a crítica interna de injustiças, devido à cultura moral, à religião, aos costumes, às ciências, à tecnologia com que comungamos, à educação que recebemos e assim por diante. Deve exigir respeito pela singularidade individual, com a sociedade sendo considerada como um meio para o desenvolvimento do indivíduo e da fraternidade humana em seu sentido não só mais puro, como também, mais pleno.  Analisar a justaposição existente entre a miséria e a opulência, o maior dos horrores, o maior dos crimes, no final das contas, o que cria toda a problemática e a necessidade de solucioná-la por meios transformadores. Sem mudarmos basicamente esta realidade a partir de nós mesmos e dos nossos privilégios nada poderemos fazer e tudo o que discutimos e estudamos é uma exata perda de tempo.
“Qualquer verdade neste sentido produz o escândalo”, sugere-nos Marguerite Yourcenar. Superar os mistérios dos buracos negros, não no cosmos, mas dentro de nossas almas é, absolutamente, fundamental  e tudo é nulo quando não temos coragem de abrirmos mãos de nossos privilégios geradores das misérias para tantos. Fragmentamos e congelamos aquilo que deveria ser móvel, aquecido, vivo e dinâmico. Montamos hierarquias de poderes artificiais para nada, e o que é pior, nós não conseguimos enxergar isto. Competimos com o que deveríamos cooperar e cooperamos com o que deveríamos competir numa autêntica e absoluta inversão de valores. Vivemos uma necessidade crítica de mudança e tudo fazemos contra a natureza, enquanto deveríamos viver com ela.
Lembremos o modelo de mudança de paradigma introduzido por Thomas Kuhn: toda importante ideia nova parece estranha no início. Como disse o físico Niels Bohr, “grandes inovações, inevitavelmente, parecem desordenadas, confusas, incompletas, compreendidas apenas em partes, até mesmo por seus próprios descobridores e misteriosas para qualquer outra pessoa. Não há qualquer possibilidade de alguma especulação que não pareça absurda à primeira vista”. É preciso no mínimo cinquenta anos para que uma descoberta importante penetre na cabeça do público, o que, frente às necessidades dos tempos atuais, põe em risco e ameaça todo o futuro coletivo, incluindo aí o de cada um de nós.
Nossa ideia é a de criar novos paradigmas, apontando as falhas dos antigos, derrubando os velhos muros à procura de novas percepções melhor atuantes e mais abrangentes frente à complexidade dos problemas do mundo que precisamos resolver. Portanto, sejamos, acima de tudo, flexíveis, criativos, repletos de doçura e de humanidade. Um sistema rígido e frio – como o que aí temos acumulará tensões até que se rompa em algum ponto da estrutura, de modo súbito e até muito perigoso. A reorganização humana e social é como a manobra de um navio quando se atacavam os problemas, centrando-se a direção e a atenção no lugar errado. Pode se, por exemplo, dirigir uma grande organização com um poder sutil, uma perspectiva aberta, franca, que respeite o ser humano em sua integridade moral, o que constitui uma força vigorosa de empatia, sensibilidade, compreensão e afeto. E são, justamente, estes, os valores que faltam para que as organizações e a vida sejam o sucesso que esperamos e não mais fontes de dor, sofrimentos, desgraças, angústias, depressões a que teimamos a nos acostumar.
Para tanto, o poder dos novos paradigmas é uma perspectiva que politiza mesmo aqueles que não têm interesse na política convencional. Nele se sente que as necessidades compartilhadas têm mais chances de serem concluídas com sucesso do que uma ideologia apenas radical que não se explica ou se fundamenta por si mesma. Outra coisa nele importante é o poder do processo que é um ato de autonomia transformadora: passos dados no caminho da liberdade e da felicidade que levam a outros ganhos mais fáceis de conquistar, e, principalmente, manter e distribuir. Programas, cronogramas, estratagemas são menos importantes do que engajamentos, sentidos, metas, sentimentos, bondades, belezas, união e esperanças. O objetivo bem definido demais sempre foge de nós. A salvação é o esforço contínuo e não, a realização plena. Pois esta não existe. Devemos, pois, nos engajar em uma busca eterna. Entendendo que a alegria da viagem só está presente enquanto existe o movimento dela própria e sem sabermos quando, onde chegar, se seremos bem ou mal recepcionados, pois isto, definitivamente só interessa aos fracos, aos medíocres. São estas as incertezas que permitem a alegria dos traslados. Nós só viveremos se tivermos bem alimentados de suspense, de esperas e de surpresas que quebram a rotina mórbida, a bem da verdade, a única coisa que nos mata a cada respiração.
A importância do poder da incerteza é o oxigênio necessário como premissa de vida. O incerto inova, muda, transforma, arrisca com maior facilidade é isto é da mais absoluta utilidade se é que desejamos mesmo continuar vivos. É o envolvimento lúdico no empenho de uma nova visão. Nossa imaginação deve ser livre para cometer enganos. E por que não? É preferível arriscar-se e perder, do que não jogar. Dispor-se a reconhecer a incerteza é estar livre para aprender, errar, adaptar, inventar, criar e voltar ao bloco do rascunho sempre.
E tudo inclui no plano estratégico de tais lógicas o poder de prestar atenção, de descobrir o que dá certo e de enfrentar os conflitos, deixando-nos completamente despertos, buscando o autoconhecimento, o voltar-se para dentro, explorar a psiquê, proporcionando a mudança do poder de cada indivíduo dentro de um mesmo processo. Ter flexibilidade para a busca de soluções, neutralizando assim, os ataques frontais. Comunicação, crescimento, transmissão de novas ideias, contágio com visões, indagações, experiências, novas imagens, sendo, em si, muito mais eficaz do que a mera instrução. O poder deste  conjunto de elementos aglutina a força perdida pela ignorância. Acentua opções e talentos coletivos, recompensa a diversidade e sufoca o conformismo. Iremos reconhecer que dispomos de mais opções do que imaginávamos, podendo, finalmente, dizer não às sufocantes e inaceitáveis.
Deveremos, portanto, despertar para a influência dos conhecimentos, descobrindo, finalmente, que “não tem que ser assim”. A maioria das pessoas falha porque não desperta e não percebe que se encontra numa bifurcação da estada e tem que decidir. No dizer de Alexis de Tocqueville,  em sua Democracia na América: “já basta de linearidade, dentro de um círculo nós somos poderosos e livres”. Devemos, então, aposentar as hierarquias e dar vivas à liberdade, descentralizando ao máximo o poder e a ação para que os desejos se cumpram e os sorrisos concretos possam florir e frutificar. Somos todos iguais dentro deste confronto. Considerar que uns são mais e outros menos é não só, uma ignorância brutal mas um atraso descabido enquanto estamos vivos e respirando. Pois na grande primavera da vida, os galhos são, naturalmente, uns longos, uns curtos, uns tortos e outros retos. Alguns carregam flores, pesados frutos e outros, nada, sendo isto o que deixa a natureza inominavelmente bela.
A descentralização é que conduz o fluxo das novas ideias, imagens e energias para todas as partes. As concentrações são antinaturais e fatais como um coágulo de sangue ou um fio elétrico desencapado.  Devemos dar vazão à necessidade de ataques simultâneos a todas as frentes e em todas as partes de uma só vez. O salto para uma nova ordem é repentino: ou tudo ou nada. John Platt propôs o uso de estratégias naturais  para conduzir a transformação social e conquista-la como um troféu que é de todos e tem o nome de preservação da vida. Trabalhar com a mudança viva, a transformação do que aí está, aconselhou ele, e, devemos, para isto e encontrar o foco do poder. Descobrir o caminho mais fácil e sermos catalisadores. Não consumindo nossas energias com inimigos ou adversários. Dedicando-nos aos que estão amadurecidos para a persuasão. O principal objetivo de quem enxerga não é lutar contra a maioria, mas, mostrar-lhe como.
Para transformar, bebamos, enfim, na fonte da intuição coletiva, na orientação que vem de dentro, na criatividade, na empatia, no claro senso de uma justiça sempre maior e ao alcance de mais e mais pessoas, em lugar de formar opiniões pela pobre e limitada lógica exclusiva. Mudar optando, naturalmente, pela intuição criativa, de certa forma conflitante, e, ao mesmo tempo consensual, portanto, muito mais rica, fluida e repleta do que tanto necessitamos para continuar a viver. O que se junta à vocação pelo bem que a sociedade de consumo conseguiu destruir com um sorriso cínico nos lábios. Lutemos por uma espécie de senso coletivo de destino, algo muito além do sucesso material e da gratificação imediata. Esta é  a retirada para um novo ciclo, uma outra visão, pois, precisamos e devemos sempre evoluir. É a sábia e vigorosa filosofia de Teilhard de Chardin  como a última possibilidade de recuperar o poder que fora entregue ao inimigo desconhecido e que não pode ser tomado, mas, amorosamente, conquistado de volta. “Pois, na empreitada do viver com dignidade, nós somos ao mesmo tempo, jogadores, cartas e apostas. Nada poderá acontecer se abandonarmos a mesa. E, ao mesmo tempo, não há força que nos obrigue a permanecer”.

Citações & Referências:  
  •                                                                                                                                                   Thomas Kuhn – em sua filosofia  privilegiando aspectos sociológicos, psicológicos e históricos do conhecimento a ser colocado a serviço da vida (...) Evolução humanística e sócio-política (...) Ciência para resolver problemas dentro de um paradigmas ou unidade metodológica: racionalidade, ciência normal, pensamento mítico, racional, pré-ciência, descontinuidade e mudança.     
  •  Beatrice Bruteau – pesquisadora da ecologia humana profunda  que em seu falbuloso          “Nós somos a revolução” faz, especialmente, um apelo para que sejamos capazes de entender e processar a mudança, não apenas esperando, passivamente (... ) E sugere que para isto devamos  sair do pensamento simples para o complexo, do linear para o cíclico, do padrão para o personalístico.
  • ·         Bernard Levin – no The Time de Londres afirma-nos que  devemos mudar (...) Segundo ele,  a forma como temos feito funcionar o mundo não serve mais e falando do desespero silencioso entre a posse material e a riqueza da alma e a saída possível é preencher este vazio com  atitudes de carinho, compreensão, amor, bondade e empatia fazendo o bem para todos e com todos.
  • ·         Teilhard de Chardin – em seu “O fenômeno humano” define a complexa humanidade em termos de razões, sentimentos e ações, no sentido de se congregar esperanças para uma vida futura (...)  O religioso francês difundia  o que, nos nossos dias chamaríamos de sustentabilidade dentro de uma visão bem mais profunda, inserindo o contexto do amor, da pureza e da bondade, ícones de suas obras e estudos que deixou publicados (...) De conformidade com os preceitos de Chardin o futuro está nas mãos dos que podem oferecer às gerações vindouras razões válidas de  esperanças (...) Depois de tudo que sofremos e sangramos enquanto vivemos vem um “sim” indefinido para continuarmos. E é deste “sim” que depende o futuro do mundo que nos leva ao inusitado que nos amadurece e nos transforma (...) Teilhard de Chardin, em seu O espírito da terra, nos conclama para  o alcance do que chamou de “ponto ômega” – “nada no mundo pode resistir ao fervor do espírito coletivo” (...)  S mente fica ofuscada quando emerge da sua sombria prisão  e talvez seja este o grande problema, o de saber submergir a este momento de escuridão e insegurança frente o novo que avança ao nosso encontro.
  • ·         Teodore Roszak – trabalha com a física da existência e nela devemos aprender a valorizar nossas dores e sofrimentos mais íntimos, mais internos (...) Nossas cicatrizes são preciosidades que ensinam o que devemos aprender. E uma vez apreendido, ter as chances e a coragem de reconduzir, transformar, mudar o que for preciso: todos temos esta segunda chance, pena que poucos de nós a aproveitamos.
  • ·          Marshall McLuhan – fala-nos  implosão da informação fazendo do mundo uma aldeia global segundo a qual a comunicação não deve ser somente ampla, mas também profunda é ponto fundamental para mantermos, a partir de agora nossos contatos, relações, trocas, querências pessoais e amorosas (...) Fixa assim o processo que traduzimos como comunicação tridimensional, efetivando, assim as relações de trocas entre as pessoas e o seu meio (...) Divulga os processos e importância da intercomplementaridade entre o verbal, o não-verbal e o factual, sem os quais a comunicação inexiste .
  • ·          Carl Roggers – nos ensina que “as pessoas estão se mostrando realmente abertas, expressando o que sentem e sem medo de serem julgadas. Somente aquilo que sentimos muito profundamente pode nos modificar”(...) Busca assim integrar aos processos de mudança os processos cerebrais do sentir, do saber e do fazer, complementando de forma múltipla e integrada os processos da comunicação anteriormente citados.
  • ·         Aldouxs Huxley – se mostra profundamente otimista quanto à multidão dos homens existentes à margem da sociedade, o que foi considerado como uma heresia (...) Mas não nos esqueçamos que foi com esta premissa que ele veio  apoiar Bertalanfy, na Teoria Geral dos Sistemas, tão aplaudida atualmente, e,  segundo a qual, “nada pode ser considerado isolado, pois tudo faz parte de um sistema”, daí a sua importância pela função de incluir a todos, sem quaisquer fronteiras, e, isto é grandioso.
  • ·          Lowis Pauwels e Jaques Berger – em  O despertar  dos mágicos(...) descreveram uma rebelião aberta de indivíduos inteligentes, transformados por suas descobertas anteriores, mesmo as de vivências de misérias, dores, erros e sofrimentos, que são ingredientes fundamentais para medidas grandiosas de transformações realmente válidas para a vida. 
  •         J. B. Priestley –  Fala-nos da grande importância da ciência genuína (...) “Não a ciência das escolas, as filosofias simplificadas, as  religiões das igrejas, mas a dimensão espiritual e mística que transcende hábitos e políticas”(...) Segundo o seu pensamento, a ciência e a tecnologia devem ser revolucionárias, transformando-se em relações metafísicas desprendidas dos preceitos e preconceitos econômicos e sociais, não esquecendo a ideologia, mas, pelo contrário, aprofundando ao máximo o seu entendimento na teoria, na prática e na práxis devidamente relativizada.
  •          Ruth Ananda – “se referiu a uma nova consciência que poderia levar a humanidade para muito além do medo e do isolamento, incluindo o conceito de auto realização de Abranham Maslow”(...) Pessoas engajadas em outros estados de consciência se tornam mais abertas,  menos egocêntricas e mais responsáveis com os destinos do mundo e da vida em seu sentido mais amplo e glorioso difundido dentro da boa ciência e da mística.          John Holt – Educador que clama por um ser humano radicalmente novo (...) Necessitando, portanto, de uma revolução de consciência. A liberdade canta não só dentro de nós, como também em nosso exterior, bastam, portanto, dois saberes: o de ouvir e o de buscar.
  •          Alfredo Korzybski – ressaltou a linguagem com outro aspecto de consciência que modela o pensamento (...) Os princípios da semântica geral com as palavras cria em nossas mentes imaturas grandes vazios e por isso mesmo, podemos confundir a realidade e criar falsas certezas. Isolamos as coisas que só podem existir com continuidade, deixamos de perceber o processo, a mudança, o movimento (...) E tudo é fruto de uma ideologia animalesca, fundada nas concepções de um capitalismo, ou mesmo de um socialismo gritantemente atrasados e que se formatam nos princípios da profunda desigualdade, da miséria para muitos e da opulência, não só material para poucos.
  • ·          Abrham Maslow – nos dizia que “temos medo  de nossas potencialidades superiores. O medo de saber é o medo de saber, pois o conhecimento sempre agrega responsabilidades” (...) E aprendemos a sucumbir e rejeitar nossa pirâmide de valores, necessidades e interesses a despeito dos condicionamentos sofridos pelas classes sociais, notadamente, as materialmente submissas e dependentes.
  • ·         Mahatma Gandhy –  esclarece que a mudança concreta só pode ser implementada em nível de pessoa, de conversas de vizinhos, de pequenos grupos, em aldeias longínquas, entre árvores e bichos. E, para tanto é preciso saber aproveitar as instâncias, locais e momentos propícios à criatividade lúdica (...) Mudar e transformar é sair das hierarquias agonizantes para entrar e se integrar a redes cheias de vida (...) Se quisermos, por exemplo, mudar a burocracia, a primeira coisa a fazer é mudar os tecnocratas, um por um, chegando a todos (...)  A mudança, a transformação social não virá tão rápida como gostaríamos. Formar uma comunidade em transformação é um processo tão sutil quanto longo e delicado.
  • ·     Marguerite Yourcenar – Qualquer verdade neste sentido produz o escândalo”(...)sugere-nos na definição do ápice político em Memórias de Adriano, mostrando o que egos beligerantes, fantasias e vaidades interferem não só miticamente na prática cotidiana(...) Privilegia-se assim os processos tradicionais (...) Inibir quaisquer transformações é o ponto de partida para o caos (....) ainda que de forma inconsciente e por meio das máscaras humanas e das carrancas que todos usamos.
  • ·      Niels Bohr – esclarece qie “grandes inovações, inevitavelmente, parecem desordenadas, confusas, incompletas, compreendidas apenas em partes, até mesmo por seus próprios descobridores e misteriosas para qualquer outra pessoa. Não há qualquer possibilidade de alguma especulação que não pareça absurda à primeira vista”(...) É preciso no mínimo cinquenta anos para que uma descoberta importante penetre na cabeça do público, o que, frente às necessidades dos tempos atuais, põe em risco e ameaça todo o futuro coletivo, incluindo aí o de cada um de nós.
  • ·         John Platt –  propôs o uso de estratégias naturais  para conduzir a transformação social e conquista-la como um troféu que é de todos e tem o nome de preservação da vida. Trabalhar com a mudança viva, a transformação do que aí está, aconselhou ele e devemos, para isto e encontrar o foco do poder (...) Devemos, portanto,  descobrir o caminho mais fácil e sermos catalisadores (...) Não consumindo nossas energias com inimigos ou adversários. Dedicando-nos aos que estão amadurecidos para a persuasão. O principal objetivo de quem enxerga não é lutar contra a maioria, mas, mostrar-lhe como.
  • ·          Erich Fromm – foca, a partir da psicologia transpessoal o que prescindimos em termos de aspectos e valores para que a solidariedade humana,  a condição essencial para a expansão de qualquer indivíduo se faça presente em todos os processos decisivos sobre nossas ações em todos os campos da vida (...) O que depende de trocas, de relações pessoas fundadas no querer bem entre elas – sem tal amorização tudo parecerá impossível  ou será, no mínimo, muito mais difícil.
  • ·         Alexis de Tocqueville – nos dois maravilhosos volumes de “A democracia na América”, afirma, categoricamente, que “já basta de linearidade, dentro de um círculo nós somos poderosos e livres”. Devemos, então, aposentar as hierarquias e dar vivas à liberdade, descentralizando ao máximo o poder e a ação para que os desejos se cumpram e os sorrisos concretos possam florir e frutificar (...) Afirma ainda que no grande processo de mudança que é, justamente, implementar processos democráticos na construção de toda uma política americana, partindo do nada para toda uma construção teórica e prática; gerando transformações, precisamos, sim, de redes, vivas e lúcidas, construídas por todos, eternizando as primaveras do mundo.
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