domingo, 2 de agosto de 2015

O CINISMO DO ENSINO "SUPERIOR" NO BRASIL




Moro em Brasilia e passei a minha vida dando aulas em universidades públicas e privadas, centros universitários, faculdades isoladas, enfim, passei por muitas e todas de qualidade vergonhosamente baixa. Os professores pessimamente mal preparados, aulas repetitivas, cansativas, monótonas. Conhecimento e currículo abaixo do medíocre, pesquisa e extensão nem se fala. A única coisa de superior que temos mesmo é o preço.

Trabalhei na UnB por mais de doze anos e nunca encontrei um aluno contente, querendo continuar, só os loucos para terminarem seus cursos para ficarem livre daquela coisa meio que insuportável. Mas insuportável por quê? Ora, porque não agrega valor, não tem nada de interessante, não leva a nenhuma descoberta, não apresenta qualquer índice de intervenção social para a melhoria. A universidade brasileira se resume a teoria/cópia/teoria/cópia/prova/nota e só. Ora, isto não é ensino superior, isto é função do colégio, dos coleginhos bregas que é no que nossas universidades e afins se transformaram. E o que pensar das faculdades isoladas, das universidades estaduais tão fraquinhas como as UEG's da vida, espalhadas pelo país e sem o mínimo de sustentação intelectual a não ser as cópias que xerografam mas não citam as fontes, pois lhes faltam o conhecimento metodológico para tal. Podem acreditar. Pois é assim que a banda toca.

Aprendi que o papel dos ensinos básico e secundário é o de repassar e fazer firmar o conhecimento e o do ensino superior é o epistemológico, profundamente "superior", de inventar e sistematizar conhecimentos novos agregando saberes ao patrimônio cultural, técnico, tecnológico, teórico e prático, ou seja, agregando práxis novas. Mas nossos docentes e coordenadores, diretores universitários nem sabem o que é isto. Façamos uma pesquisa neste sentido, eu lanço o desafio.

Nossas faculdades/universidades/centros universitários se transformaram, vergonhosamente, em meras banquinhas de diplomas. Professores e alunos não leem, e, quando leem pouco, não interpretam, não relativizam, apenas reproduzem e esquecem em seguida.

Em que pese o investimento financeiro que é feito - e que também é demasiado pequeno - mas muito grande pelo resultado, pois nossos alunos saem das "boas" universidades sem saberem de nada, imagine o que sai das péssimas. O método de ensino é caduco, ultrapassado, engessado, ridículo. Pesquisa e extensão, universitária, comunitária, etc. inexistem. Epistemologia para quê?
Em Brasília, o IESB, por exemplo, se propaga com o melhor estabelecimento de ensino superior. Mas pergunto, melhor pra quê? Pra aditar preços, pra cobrar a conta e para vomitar prepotência contra os alunos e até mesmo para encontrar professores mortos no estacionamento, como já aconteceu. É vergonhoso que em Brasília, nas barbas do MEC tais coisas ainda aconteçam e que a prepotência da Diretoria de Ensino Superior do mesmo MEC nem se aperceba e faça vista grossa quanto a este problema tão grave e que poderia ser solucionado e coberto de êxito com um mínimo de esforço. O que falta é vontade, visão, competência e ação. Coisas, que no final, não custam nada. Uma vergonha a situação do ensino universitário brasileiro. De dar nojo. Isto sim.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

SUGESTÕES PRÁTICAS PARA SALVAR O BRASIL DA CRISE



Por:
Antonio da Costa Neto

Vivemos tempos de vacas magras. Muito magras. E não podemos mais nos dar ao luxo de desgastar e gastar milhões para nada, apenas para sustentar uma estrutura falida que não mais funciona. E a questão não é só de recursos financeiros ou técnicos, mas, também, e diria até, principalmente, de moral, de costumes, cultura, caráter, vergonha, ética, coisas que não se compra com dinheiro, mas, como não temos, fazem sim, a maior falta do mundo, daí a crise, que será gigantesca e incontrolável se medidas mais que sérias forem tomadas para mudarmos o paradigma político, existencial, social e humano, enfim, questionar e mudar tudo (ou quase).
A questão política é a primordial e para ela, faço aqui minhas propostas. Não estamos ainda - e nem estaremos, creio eu, de termos uma nação anárquica (uso aqui a palavra anárquica com todo o cuidado, pois sei o quanto ela é mal interpretada pela nossa profunda ignorância política e falta de consciência neste sentido, mas com cuidado, proponho:
1 - A imediata dissolução do Congresso Nacional. Câmara dos Deputados e Senado são conjecturas apolíticas e sem utilidade, a não ser para consumir milhões e milhões com uma burocracia estanque, profundamente onerosa e atrasada, com um faz e desmancha sem tamanho, para, no fim, não virar nada. Se fecharmos o congresso, certamente, não fará a menor falta. Ninguém ficaria nem sabendo se não fossem as mídias noticiando o fato. E o prédio, as instalações caríssimas, seriam adaptadas para só assim funcionarem como instituições sociais, creches, escolas, hospitais, universidades, etc. mas, do que falaremos em outro momento.
2 - Extinguindo o Congresso - que não funciona pra nada - afinal, pra serve, por exemplo um Senador, mesmo? Eu, honestamente, gostaria de saber. Seriam automaticamente extintas também, as inúmeras e igualmente inúteis Câmaras de Deputados Estaduais, outros covis de perversidades administrativas e, por fim, as vergonhosas e escandalosas Câmaras de Vereadores. Afianço que não precisamos de nada disto. Destes covis engolidores de fortunas e mais fortunas. Assim, restariam e seriam o bastante:
3 - O Governo Federal com a Presidência da República devidamente fortalecida, os Tribunais que representariam o Judiciário e os Ministérios, devidamente ajustados - pois já existe gente demais e sessões demais usufruindo do famoso ócio remunerado, o que serve, inclusive de galhofa deles próprios. Assim, os Ministérios tratariam ao mesmo tempo do próprio legislativo e executivo devidamente associados, fazendo e aprimorando leis, pareceres, partindo, é claro do muito que já foi feito neste séculos todos de história para quase nada.
4 - Seriam mantidos os Governos Estaduais, com as Secretarias no mesmo molde, número e qualidade dos Ministérios, sendo que estes seriam devidamente entrelaçados, para que políticas e diretrizes fossem justas, alinhadas e atuantes com eficiência e eficácia rumo aos objetivos e metas traçadas do povo e para o povo, de modo real e concreto, evidentemente.
5 - Prefeituras e correlatas Secretarias e Ministérios teriam, igualmente o mesmo congraçamento, com um trabalho unificado e união de princípios, concepções, filosofias e éticas, enxugando gastos, custos, operações inúteis, desprezíveis dinâmicas de poder infindas e para nada, a não ser justificar o cabide de empregos imenso e suas conjecturas de benefícios burgueses e para os mesmos poucos, há séculos. Não é preciso nada mais que isto.
6 - Cuidados e mais cuidados devem ser tomados para a garantia do congraçamento entre ministérios, inter ministérios, entre e inter secretarias e governos, num plano de eficiência, legitimidade e competência. Enxuga-se drasticamente as amarras desnecessárias e se tenha seriedade e caráter na condução ética e na firmeza dos propósitos deste novo governo frente a esta profunda mudança, não apenas, reforma política, pois não temos que aprimorar o caos, mas mudar, com profundidade estruturas e conjunturas, sem amarras, sem máscaras. 
Assim, os milhões, os bilhões de reais economizados para pagar os salários de deputados e senadores ociosos, a manutenção destes edifícios monstruosamente imensos iria direto para os municípios, onde, de fato estão as pessoas, os problemas, as carências, pois o Estado é uma mera abstração, uma reflexão teórica. Na verdade, o Estado nem existe, pensem nisto. Além dos salários que são os maiores gastos, já pensou no que se gasta de energia, telefone, passagens, gasolina, internet, equipamentos, computadores, tecnologias, papéis, e, até mesmo o gasto com cafezinhos, papel higiênico, assessorialistas, etc. etc, para se manter o Congresso, as Assembleias, as Câmaras que juntas não fazem nada pelo povo brasileiro? Ora, são fortunas e fortunas, fábulas e fábulas que serão gastas com as pessoas, a infra-estrutura, a educação, a saúde, a habitação, a comida, a higiene, emfim, com a vida.
Para que salvemos o Brasil precisamos parar com esta palhaçada do Estado para o estado, em que os servidores e seus quadros são os que têm a melhor qualidade de vida de todos. Ou seja, o cidadão paga o luxo, o extremo bem-estar dos que governam, em função de uma mínima qualidade de vida para a grande maioria das pessoas e, assim, sucessivamente. Um horror absoluto, um caos intransponível, um crime contra as pessoas, contra tudo e todos. Para salvar o Brasil, temos que concentrar meios e recursos no real, nas cidades, nos municípios, pois é aí que estão as pessoas.
Claro que muitos acharão que isto é impossível, é utópico demais, é loucura exasperada. Mas serão exatamente, os que perderão seus benefícios, seus lautos salários, saírem de suas zonas de conforto, enquanto o povo morre a míngua. O ser humano, os mamíferos, os animais de sangue quente são altamente competitivos, eis a sua maior e mais importante característica. E é, justamente, com esta competição sem limites e precedentes que o homem cria o Estado - opressor - a política, as instituições, a escola. É chegado então, o tempo de se transformar profundamente, tudo isto. O mundo fundado na competição é uma barbárie a ser superada por todos nós. Quem sabe? Vamos experimentar? Fico aqui aguardando comentários e resultados. Mas que resultados?

terça-feira, 28 de julho de 2015

MODAS INDÍGENAS MAIS INVENTIVAS DA INDÚSTRIA FASHION



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A moda sempre namorou como esplendor dos visuais criados por culturas e subculturas do mundo afora. Mas nada melhor que a versão original.
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1. Khampa é o nome dado aos nativos de Kham, região do Tibet. Na foto, os "rastafaris" de Khampa resplandescentes,  decorado com pedaços de âmbar, no desfile de fantasias do Litang Horse Festival. Foto via Flickr.

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2. África do Sul no início de 1970. Jean Broster e Alice Mertens colaboraram no livro African Elegance, que se propõe "descrever em palavras e fotografias a beleza dos povos tribais do Transkei '. Transkei era um ex-território independente da África do Sul durante o Apartheid.

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3. Uma senhora Kuna (também escrito Cunas) no Panamá, nome dado aos moradores de um paraíso tropical conhecido como "a Ilhas San Blas", na costa nordeste do Panamá desde o século XIX. O Kunas são um dos grupos indígenas mais importantes no Panamá. Eles contribuem substancialmente para a economia com suas obras de arte. Os Kunas são bem conhecidos por suas "molas", nome dado a suas peças de vestuário.Foto via World Discoverer

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4.  Retrato de duas mulheres Hadhramis (Iémen). Pharrell Williams pira.  Foto de Claude Goulay.

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5. Descendentes Maias em 1975. Foto de David Alan Harvey

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6. Kazimir Ostoja Zagourski  (1880-1941) foi pioneiro no registro da população da África Central Central.

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7.  Miao, China: Em vez de jogar fora os cabelos que caem durante a escovação, as mulheres Long-horn (longos chifres) salvam as madeixas para adicioná-las à sua coleção de cabelo,  que lhes permite criar cocares espetaculares. Os apliques são passados para as filhas como mais e mais cabelos, adicionados a cada geração. Cada vez que uma mulher penteia seu cabelo, ela o recolhe para entraga-lo à filha quando ela se casa.

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8. Garota etíope fotografada por Jaime Ocampo-Rangel 

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9. Uma mulher no Inti Raime Festival, em Cusco, Peru.

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10. África do Sul no início de 1970, do livro African Elegance.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

TEMPOS DE SAMA: AMOR, BELEZA, POESIA, TERNURA E SAUDADES





MEUS TEMPOS DE SAMA: AMOR, BELEZA, POESIA, TERNURA E SAUDADES

Tenho muitas saudades dos meus tempos de Sama. A vida na vilaoperária da Sociedade Anônima Mineração de Amianto, nos idos da cidade de Minaçu que era só um amontoado de casas grotescas, sem energia, telefone, saneamento. Sem asfalto, sem quase nada, mas com muito calor, alegria e uma poesia que ainda guardo fundo, bem dentro da alma. Dias inesquecíveis, conversas de amigos, rodas, música, brincadeiras...
Á área industrial, a Vila, O Centro Educacional Ginette Milewski e a sua equipe: João Grosso, Lúcia Tamiko, Carminha, Margarida, Deusmarina, Genilson, Prof. Alberto. Flávio, Gildeir, Lúcia Passos, Neusa, Graça de português... Dulcinéia, Socorro Eufrásio, Orozino... uma turma de anjos alados e belos, sempre buscando o bem.
...Emília, Fátima Traub, Lucília, Laurinha. Alice, Elza, Alzenira, o pessoal da cozinha, Dália, Vó, Salvador... aquela gente encantada. Mazé, Gracinha do Pacaembu, Eugênia, Cida do Dias, Lucilene. Zilda, Edmar, Wellington, Iracene, Socorro Maia, Nadia Cozac. Chico do Boi, Maria José, Cristina do Tarcísio, Socorro Maia Lélia e Neide na Biblioteca. Graça, agrônoma, Ari e por aí vai... Uma imensidade de pessoas, pois o colégio era bem grande e o número de alunos, também. Todos os anos, entrava e saía muita gente.
Os alunos - alguns inesquecíveis: Itamar, Alaor, Ana Zélia, Iraci, Matilde, Olga Daros, Luzenilda, Vilmar, Alda Covelo, Míriam, Zé Carros, Geni, Clarice, Tânia, Antonio (do Juracy Preto), Georlando, Nequinha, Hélio, Jaider, Zé Tito, Ismael,... muita gente!...
Não me esqueço das festas, dos lanches, dos passeios, das coisas boas e não-boas que todos vivemos, juntos. A cascatinha, as corridas, os bares de Minaçu, os Olimpíadas do meu amigo Arabutã. Ali, na Vila de Cana Brava, aquela Changrilá de muitos encantos, vivemos dias de poesias, de sonhos, e, principalmente, de muitas esperanças. Crispim, Prof. Divino na Vila. Serafin, Renan, Valdir no laboratório industrial. Pisca, Dedão, Sérginho, Valdeus, Walmir. Robertão, Mírian, D. Eugênia, Zé Maria, Cizinha, Sogrinha, Tião, Toinha, Ercy... Nascimento, Endes, Ivaldo - o desgracinha - no Restaurante... comida boa, lembranças... Gente simples e boa. Almas nobres, sentimentos do bem. Companheirismo, amizades. Festas de aniversários, galinhadas, jantares nas casas dos outros. Os namoros: Osvaldo e Alice, Carminha e Gildeir, Edmar e Cláudia, Júlio e Tânia, Mazé e Luis Carlos, Mariosan e Nigme ( e outros impublicáveis. Vai dar confusão.)
As noites de quarta e sábado no Clube. Só eu, Décio Messaggi e Escovão ouvindo Trio Irequitã até as tantas e fumando até fazer a fumaça empretejar os telhados.
As casas da vila, os blocos, os pequenos jardins, os espaços que fazíamos de quintais. Os setores das pessoas mais importantes: uma segregação social para os dias de hoje, mas que acontecia. Todo mundo achava bem natural e vivia feliz mesmo assim. As festas temáticas da Piscina Leste que a gente ficava louco pra ir não podia. As noites em Paris, Florença, Nápoles, etc.... tudo internacional demais. E nós, os pobres que não íamos, no dia seguinte, queríamos saber de todas as fofocas: das roupas, dos papos, da música, das comidas, enfim, tudo. Tenho muitas saudades da Laurinha Barrét, uma das incentivadoras destas festas. Figura exótica, elegante, com sua trança longa do lado, suas roupas coloridas, sua cultura, sua arte. Falava um francês corretíssimo e fumava como ninguém, o que até lhe emprestava uma certa graça, uma forma exótica de ser. Gostava de contar histórias dos seus tempos de socialaite do Rio, de São Paulo, da sua vida de artista e do disco de vinil que chegou a gravar.
Encrenquinha, Pisca, Foca, Batatinha e outros apelidos que soarão eternos nos meus ouvidos. O Sandro Galinha, o Coruja. Mariosan, meu compadre querido, o que muito me honra. Ismael, Regina Zorzi, Marco Lima, Daniel, Cristina, Zé do Leite, Elizabeth, Diogo, Daniel Queiróz, Celso Santos, Marcial Cóffero, Cida Braga, Dra. Socorro, Marina Júlia de Aquino...
E as gírias que a gente usava: - "Fulano era uma véia dos peito caído" (esta era ótima e dita quando não se gostava muito da pessoa). "Você sabia que o facão achou fulano?" (quando alguém era demitido da empresa). "Rádio Peão (fofocas que rodavam pela vila). "Você queria ser fulano ou fulana?" (dito quando alguém cometia uma gafe). "Vai ser um su..." (quando se esperava que alguma coisa seria um sucesso). "E vai ser um fra..." (quando se imaginava o fracasso). "O cata corno". (o ônibus velho que carregava peãozada. "Fica frau, meu!". (o mesmo que fica frio, meu amigo). E coisas do gênero...
A Ló, o salão da Cris, o Marquinho, a Nádia, o César, o Vinícius... As galinhadas na casa deles...uma delícia, até altas madrugadas, com forrós, conversas animadas, mas tinha que ser bem baixinho pra não prejudicar o sono dos outros. E as maratonas, os campeonatos, as festas juninas? Os torneios desportivos, as gincanas, o grêmio escolar? O casamento da Tânia e do Júlio, uma festa bonita na Piscina Oeste, uma inovação sugerida por mim. Os festejos de São João, as quadrilhas, as roupas, os casamentos caipiras, os almoços de domingo, as pescarias. A igreja, linda, aberta, a meia parede com um jardim bem cuidado em toda a sua extensão. E o casamento da Carminha com a seleção musical feita pelo Willes Strautman, com o mais profundo bom gosto. Nunca vou esquecer, foi demais... As festas de formatura, os aniversários, as conversas sentados na pedra bem enfrente ao Bloco Sete, o dos professores e do pessoal da escola.
As fotografias do Ghuinter, a Hanelore na padaria, trabalhando como uma louca. O Dr. Antonio, médico, o Rosalvo, Geraldo, Jorge Matsumotto, Dr. Vanderlan, Antonio Corrêa, Popollízio, Ostronoff, Dr. Euler, a Agna, o Diogo, Marlene... a ciumeira do pessoal que recebia pela famosa "Folha São Paulo". O contra-cheque azul que a gente chamava de holetite, a cirene de troca de turno que a gente ouvia em plena madrugada, se acordava e tinha saudade de tudo... Tempo bom, que a gente tinha paz, felicidade, certezas, alegrias no peito e brilho nos olhos todos os dias...
As ruas, o verde, o calor de matar. as explosões na mina que fazia tudo tremer. A Churrascaria do Gel e da Marlene, pais da Tânia e da Diana, boas meninas que não sei por onde andam. Genesi, Romeu e Telma, Marco Guidella, Raimundo, Fernando enfermeiro... com suas gracinhas, sua religiosidade maior do mundo,
Os filmes no auditório da escola, a horta, o zoológico. As piscinas separadas, a banca de revistas, a micro-academia de ginástica que a gente achava a melhor do mundo, o Posto do Bradesco, o Supermercado, o pomar atrás da escola, as pescarias no Rio Maranhão, o rancho do Roberto e da Rejane. O casamento do Haroldo, o Cebolinha, ainda criança...
Marco Guidella, Pisca, Valdeus, Wilson Passarelli, Aninha, Chaleira, Theberg, Guido Penido, Sabbatier, Nelson Freire, Pacaembu, Nascimento, Reinaldo, Cida Santos, Dedão, Ludgero, Cida Braga, pessoas boas e inesquecíveis, nem que eu viva mais de 120 anos.
... Como esquecer do Dedeza, aquela figura ímpar? Os mangueirais, as touceiras de bambu, as brincadeiras, as piadas, as conversas, as fofocas, o Centro Telefônico, onde íamos ligar a cobrar pras nossas famílias, as aventuras que fazíamos, as idas para Minaçu...os desfiles comemortivos...
Tudo é saudade, tempos que não voltam. Pessoas e lugares que não mais existem, pra tristeza minha e de muitos outros. A Sandra Páscolli e o Zé Américo, Michel e sua Laura, Marcial e a Lucília... filhos que nasciam, casavam, passavam nos vestibulares e iam embora. Lúcia Zorzi, Marco Lima,os meninos do meu tempo. Hoje casados, pais de família. Alguns até já se foram.Nossas saudades, nossas dores e a vontade de voltar. Os festivais de música, os bailes com conjuntos famosos, os teatros que vinham de fora e os que a gente produzia, cheios de improviso. O fim do mês, as contas pra pagar, o dinheiro pouco que a gente achava que era muito. Os quintais comuns, as cercas vivas, as flores, as plantas... E o luar que banhava nossas noites silenciosas e carregadas de um sentimento bom, que dói na alma. O Chiquin, a Vanderli, a Elaine, a Alsira com sua alma maravilhosa, seu olhar terno de menina assustada. A praça arborizada e linda, as lembranças sem fim das coisas e das pessoas...
Ave Sama! Agradeço a Deus e à vida por esta chance absolutamente singular de viver momentos inesquecíveis e conhecer pessoas tão especiais e preciosas que até fizeram mudar a visão e os contornos da vida.
Tempos de amor, bondade, pureza e carinho de uma família imensa, que éramos todos nós. Dançando ciranda de mãos dadas, numa roda infinita. Tudo era felicidade. E a gente com sonhos, com muitos amigos. Enfim, coisas que não mais existem, que se foram com os tempos.
...A Sama foi, sem dúvida, a minha primeira experiência de amor e saudade. Marcou fundo e para sempre. Foram belezas que fizeram de mim um poeta da alma. Para sempre um caçador de mim, procurando a ternura, a poesia e a sensação de paz que um dia eu senti e que aquele cenário de luz pode testemunhar o que eu guardarei para sempre no meu coração...
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sexta-feira, 19 de junho de 2015

CONSELHOS DE PUTA VELHA



CONSELHOS DE PUTA VELHA

Não se esforce demais. O lingerie de seda, o perfume importado e o jantarzinho a luz de velas com vinho caro é para quem merece. Algumas mulheres têm mania de pegar um ficante que encontrou há a uma semana na balada, levar pra casa e tratar como um rei. Tratamento vip é para namorado firme e marido, se merecerem. Porte-se como uma joia rara e como tal não se doe facilmente para o primeiro que aparecer, não importa o nível da sua carência, seja valiosa.
Pare de ser tão boazinha. Abrir mão do que gosta, mudar o jeito de ser, deixar de se divertir, só porque começou um relacionamento e está apaixonada? Homem gosta de mulher com vida própria, orbitar em volta dele é receita certa para o fracasso, ele pode momentaneamente demonstrar que gosta deste estilo, mas logo se cansa. No fim você perde o namorado e os amigos. Sem contar que ele não vai abrir mão de assistir futebol para ficar com você. Use o mesmo critério para lidar com ele e no fim ele estará te acompanhando em tudo, feliz da vida, afinal é muito bom estar ao lado de pessoas que tem vida.
Pare com os joguinhos. Os casais perdem a oportunidade de se conhecer de verdade e sem máscaras. Está manjado demais transar só no terceiro encontro, não responder a mensagem antes de 60 minutos, só atender o telefone no quinto toque, fazer ciúmes sem necessidade e fingir que não dá a mínima. Encontrar o equilíbrio entre ser disponível demais e ser inacessível está difícil. Ninguém mais demonstra interesse e tesão pelo outro de forma saudável. Nunca sabemos se o outro não liga no dia seguinte porque não está interessado ou porque está se fazendo de difícil para valorizar o passe. Ter tato para não perder a dignidade e saber a hora de bater em retirada é importante, mas um pouco de transparência e sinceridade não faz mal a ninguém. Se for fazer joguinho, seja inteligente, crie novos truques, pois alguns já estão batidos demais.
Jamais se rebaixe. Não importa qual foi a traição, a culpa é do seu parceiro e não da “vagabunda” que ele comeu, a não ser que ela tenha colocado um revolver na cabeça dele. Essa história de mulher bater na amante é ridícula. Nenhum homem é digno de escândalos e manifestações públicas de ciúmes, isso inclui as indiretas nas redes sociais. Mesmo que tiver chorando lágrimas de sangue, fique em cima do salto, ninguém precisa saber da sua condição miserável, não dê esse gostinho para as inimigas e para algumas amigas falsas e invejosas. Aprenda, para algumas pessoas só contamos as vitórias!
Seja você mesma. A performance do filme pornô de quinta categoria não precisa necessariamente ir para sua cama, nada mais patético que a mulherada que finge orgasmo e ainda quer contar vantagem “ pras amiga”. Sem contar que se a coisa for forçada demais o homem percebe. Já ouvi depoimentos de caras que simplesmente brocharam em situações assim. Nada contra quem gosta do estilo e faz porque realmente gosta e está com vontade, mas tudo que é falso e feito somente para tentar impressionar o outro pode gerar efeito contrário.
A diferença entre ser feminina e mulherzinha. Homem quer ser homem, o chefe da casa. Suba na cadeira e chame o gato pra matar a barata, peça-o para abrir a conserva de azeitona e trocar a resistência do chuveiro (essa é uma lição que ainda não aprendi). Quando o macho alfa terminar, não esqueça de agradecer e elogiar tanta virilidade Não importa se você é presidente de uma multinacional e ganha cinco vezes mais que ele, seu parceiro vai adorar uma mulher feminina que o valorize enquanto homem e que o faça sentir-se útil (isso se ele merecer). A mulherzinha olha a marca do carro, dá golpe dá barriga e é manipuladora, faz escândalo por qualquer coisa, quebra as finanças do parceiro, requer atenção total, mas é afetivamente mesquinha, só recebe. Mulherzinha, ai que preguiça! Para os leitores que levam tudo ao pé da letra, é claro que esse é um exemplo, existem infinitas possibilidades para valorizar um homem, e não podemos limitá-los apenas a matadores de baratas e abridores de conservas.
Escolha bem seu parceiro use a razão não só o coração. A mulherada lutou e luta tanto por igualdade, mas hoje tem jornada dupla e até tripla para dar conta da vida profissional, casa, filhos e marido. Queria saber onde está a igualdade nisso, pois enquanto a mulher se desdobra, muitos maridos estão no sofá assistindo tv ou no bar com os amigos. Quando for se relacionar com alguém, antes de se envolver loucamente em um amor de pica sem fim, preste muita atenção na sogra, veja como ela trata os filhos. Dá tudo na mão, recolhe os sapatos e meias sujas pela casa, faz o pratinho de comida com o feijão em cima, lava as cuecas, defende cada um até a morte mesmo que estejam errados? Se for esse o caso, AMIGA CORRAAAAA! Caso contrário, você será uma forte candidata a Amélia emancipada.
O borogodó – Magnetismo pessoal e amor próprio vale mais que um corpo sarado. A mulherada está caprichando tanto no treino, na lipoaspiração e no silicone, mas o número de fracassos amorosos não diminui. Outra ala se sente gorda demais e sem autoconfiança para atrair o sexo oposto, mas também não faz nada para mudar. Existem mulheres que aparentemente não possuem nada de especial, podem até ser “feias”, porém, por alguma razão os homens caem aos seus pés. Esse magnetismo em algumas mulheres vem de onde? O que elas têm é independência emocional, se apoiam sozinhas, se bastam, tem outras metas além de agarrar um homem, estudam, trabalham, viajam e são felizes sozinhas ou acompanhadas. Não vivem carentes chorando pelos cantos, não são cheias de mágoas, não pegaram ódio dos homens por conta de decepções do passado. Aconteça o que acontecer, essas mulheres estão sempre de cabeça erguida e tem uma vida que não se limita apenas em se arrumar para encontrar um macho.
Seja uma puta entre quatro paredes e o que quiser na sociedade. Afinal o que é ser uma dama na sociedade? A Amélia emancipada devotada à família, a esposa renegada que trabalha que nem camela para dividir com o marido as contas de casa? Tem algo mais irritante que estereótipos do que é ser uma boa mãe e esposa? E a quantidade de cobranças que recebemos quando não atendemos esse modelo? E essa mulher resignada e atarefada, consegue ser o mulherão que os homens adoram entre quatro paredes? Claro que não! Conheço casais que nunca conversaram sobre suas preferências e fantasias sexuais. Tudo bem que não é fácil manter o tesão a todo vapor 100% do tempo, mas quanto vale o seu relacionamento? Será que ele não merece um pouco mais de investimento? Nem é tão difícil assim satisfazer um homem, faça bem feito, faça com gosto, mostre que ele é desejado (se ele merecer) nem precisa se pendurar no lustre e saber todas as posições do kama sutra, basta tirar algumas horas para dedicar exclusivamente a ele, com amor, carinho e uma pitada de sacanagem, por que não? Por ele sim vale investir no jantarzinho a luz de velas, no lingerie de renda e no vinho caro.
Esse título foi inspirado por uma grande amiga, prostituta aposentada, que acumulou uma experiência de vida que poucas vezes vi igual. Na verdade, ela tem a idade da minha mãe e sempre me deu conselhos dizendo: – Ouve o conselho dessa puta velha! Por incrível que pareça, toda vez que não seguia os conselhos dela me dava mal. Esta mulher até hoje tem em suas mãos tudo que quer e um poder de atração de dar inveja a qualquer ninfeta de 20 anos, soube investir todo dinheiro que ganhou e tem uma vida mais que tranquila ao lado do grande e único amor de sua vida. E quando pensamos em puta, pensamos logo em promiscuidade e vender o corpo, mas tem muita puta por aí mais digna e honesta que certas mulheres tidas como “damas da sociedade”, mas que já se venderam mais que tudo e por muito pouco. Histórias assim são para quebrar os paradigmas e fazer repensar alguns valores, sem contar que chacoalham os puritanos, as feministas e críticos de plantão.

ISIS THOT

sexta-feira, 12 de junho de 2015

RETRATOS DA MINHA ANSIEDADE


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Não parece prazeiroso e a miséria parece inevitável.
Fabien Mérelle cria suas obras embasado em inseguranças e pesadelo. As imagens surreais geralmente o colocan como protagonista de cenas insólitas e aflitivas. A própria valorização de si como personagem das obras fica de lado. Costuma estar pelado, despedaçado, sendo atacado, lutando pela existência e suportando cargas complicadas nos ombros.
Mesmo que sejam autorretratos, as obras dialogam com aspectos que vão além disso. Qualquer um que tenha passado por situações de stress, ansiedade e desgosto tem a capacidade de se relacionar com estas imagens pesadamente simbólicas.

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domingo, 7 de junho de 2015

Sete Aprendizagens Importantes Sobre Mudanças Organizacionais

Sete Aprendizagens Importantes Sobre Mudanças Organizacionais

Por:
Antonio da Costa Neto

1 - Não adianta querer mudar sem mudar.
Tenho observado que as empresas querem, sinceramente, mudar. Elas já entenderam que estão condenadas a mudar, a fazer transformações profundas ou sucumbirão ao caos. Já perceberam que a profunda necessidade da verdadeira mudança. Gostariam, portanto, de mudar a sua dinâmica de funcionamento (para serem mais ágeis, mais adaptativas, responsivas, éticas, lucrativas, enfim, mais inovadoras, etc.). No entanto, quando se lhes diz que, para tanto, é necessário mudar o modo como se organizam, elas refluem. Ou seja, elas sabem que a sociedade (incluindo o mercado) está ficando cada vez mais  sistêmico, contingencial, holístico, em rede, e então querem adquirir e adotar novos programas para se adaptarem à nova realidade, às novas tendências. No entanto, pensam que para se adaptar melhor precisam mudar os softwares, as medidas técnicas mas não querem mexer no hardware, na filosofia, na ação, na mente das pessoas, enfim, na sua cultura e metas a atingir.
Ora, isso é impossível. Os novos softwares que as empresas gostariam de ter (para funcionar mais horizontalmente, em rede) não rodam bem na sua velha "máquina" (que está estruturada verticalmente, como uma pirâmide). A "máquina", no caso, é o conjunto de caminhos permitidos aos fluxos, quer dizer, à interação (ou comunicação) entre as pessoas que as integram. É preciso mudar, mas não só a ótica, mas, principalmente, a ideologia com que se operam, os processos de poder, o caráter da organicidade, a distribuição dos meios e recursos, o que dificulta o pleno bem-estar (para o bom funcionamento) de tudo que circunda o ato organizativo, em especial, e muito especialmente mesmo, as pessoas. Então esta primeira aprendizagem pode ser reescrita da seguinte maneira:
Não adianta querer mudar (a dinâmica de funcionamento) sem mudar (o padrão de organização para a personalização dos seus métodos e fórmulas). As ordens, normas e dogmas devem sim, satisfazer as pessoas e não, o contrário.

2 - Uma mudança só é possível do conhecido para o desconhecido.
Este foi um insight fantástico e potencialmente indispensável em tais processos, ou sejam, os de mudar. É mesmo incrível como ele – o insight – pôde ter percebido isso numa época na qual ainda não eram tão evidentes os sinais de transição para uma sociedade em rede, sistêmica e contingencial, tratando, ao mesmo tempo, o padrão e a personalidade, o todo e a parte, a comunidade e as pessoas – uma a uma. Eis o trecho inteiro: "Uma mudança só é possível do conhecido para o desconhecido, não do conhecido para o conhecido. Por favor, considerem isto comigo. Na mudança do conhecido para o conhecido, existe autoridade, existe uma perspectiva hierárquica: “Você não sabe, eu sei. Por isso adoro você, crio um sistema, vou atrás de um guru, sigo você porque você vai me dar o que eu quero, pois eu ensino você do meu jeito, a partir, portanto, do meu interesse. Você me dá, portanto, uma certeza de conduta que produzirá o resultado, o sucesso logicamente, beneficiando a mim”. Sucesso é o conhecido. Eu sei o que é ter sucesso. É isso que quero. Assim, vamos do conhecido para o conhecido, onde a autoridade deve existir – a autoridade da sanção, a autoridade do líder, o guru, a hierarquia, aquele que sabe e aquele que não sabe – e quem sabe deve me garantir o sucesso, o sucesso em meu esforço, “na mudança”, de modo que serei feliz, terei o que quero. Não é esse o motivo para a maioria de nós mudar? Por favor, observe seu próprio pensar, e você verá os caminhos de sua própria vida e conduta. Quando você olha para isto, isso é mudança? Mudança, revolução, é uma coisa do conhecido para o desconhecido, em que não existe autoridade, em que pode haver falha total. Mas se você está seguro de que conseguirá, terá sucesso, será feliz, terá vida eterna, então não há problema. Você irá ao encalço do bem conhecido curso de ação, ou seja, você mesmo sendo o centro das coisas”. Seria diminutivo acrescentar alguma coisa. Então esta segunda aprendizagem pode ser reescrita da seguinte maneira:
Uma mudança só é possível do conhecido para o desconhecido, não do conhecido para o conhecido. Isto, nunca.

3 - Inovação é sempre um resultado inesperado.
As empresas - funcionando na base do comando-e-controle - se acostumaram a projetar – e a cobrar dos seus colaboradores – os resultados que almejam alcançar. É o chamado resultado esperado. Isso funciona, de fato, quando se trata de reproduzir a mesma coisa: o mesmo processo, o mesmo modelo, o mesmo produto, o mesmo serviço, ainda que a sociedade já tenha sido transformada lá fora e espera por todas estes coisas de forma totalmente diferente. Mas não funciona quando se trata de inovação, ou seja, de uma mudança de verndade. Inovação/mudança é sempre um resultado inesperado (senão seria reprodução, repetição). Como dizia Heráclito de Éfeso: "Espere o inesperado, ou você não o encontrará". Se as empresas já podem saber (de antemão) o que vão obter, então não precisam fazer qualquer esforço adicional para inovar, para mudar nada. Foram feitas realmente para o retrocesso, o atraso, e este é o seu sucesso, o que acontece, via de regra com os sistemas educacionais, as escolas, mesmo as mais modernas: elas foram feitas para Ito. A questão é que elas não sabem. Quando se trata de inovação, e, especialmente, de mudança, ninguém sabe. Então esta terceira aprendizagem poderia ser reescrita da seguinte maneira:
Inovação, ou seja, mudança é sempre um resultado inesperado e assim é inútil tentar controlar processos de inovação verificando se foram alcançados os resultados esperados. Pois, quando se quer mudar, resultados esperados não existem. Mudar é desafiar para o novo.

 4 - Inovação copiada é reprodução, não inovação e, muito menos, mudança.
Parece tão óbvio que se dispensaria esta inquieta repetitória. Mas na prática não é assim. Quando as empresas pedem a alguém que lhes ajudem a implantar processos de inovação e recebem uma proposta, a primeira pergunta que fazem é a seguinte: "Mas onde isso já foi aplicado e deu certo?" Ora, a resposta óbvia a essa pergunta automática só pode ser a seguinte: "Aí não seria inovação e sim reprodução". Por outro lado, algo que "deu certo" em um lugar (e em um momento) tem poucas chances de "dar certo" em outro lugar (e em outro momento). As circunstâncias (espaço/temporais) são sempre peculiares. Poderíamos dizer: deu certo onde deu (em outro lugar não daria, como deu). Mas ainda há quem pergunte: "Mas se deu certo, por que não durou?" A resposta é novamente surpreendente: "Não durou justamente porque deu certo (no tempo em que deu, deu; em outro tempo não daria, como deu)". Para entender esses enigmas todos é necessário perceber que a inovação é expressão de um processo  que deve manter é uma trajetória de adaptações bem-sucedidas, quer dizer, de mudanças contínuas congruentes com as mudanças das circunstâncias e não um estado inicial cujos parâmetros são fixos. Sustentável é o que muda (inova) continuamente e não o que preserva a mesma estrutura e a mesma dinâmica. Assim, o que deve durar é a inovatividade (a capacidade sistêmica instalada de inovar tempestivamente) e não os resultados de uma ou outra inovação bem-sucedida (ou os processos específicos pelos quais elas foram obtidas). O resultado mais importante é sempre o surgimento de um novo processo, não a coisa concreta produzida. A mudança é sempre um novo processo que pode mudar as coisas produzidas, para que as coisas novas não fiquem velhas. Por tudo isso é inútil ficar coletando cases, êxitos, sucessos, exemplos a partir dos quais se possa fazer uma previsão ao menos semelhante. Porque não funciona. Então esta quarta aprendizagem poderia ser reescrita da seguinte maneira:

Inovação copiada é reprodução, não inovação. A inovação é sempre inédita e, portanto, é inútil tentar reproduzir os processos particulares pelos quais uma organização inovou com sucesso.
 5 - Nunca se trata de colocar uma coisa no lugar de outra.
Quando se fala de mudanças – em todos os sentidos – mas, em uma empresa, surge sempre a pergunta: "Mas como será então? O que colocaremos no lugar de...?" Ora, a única resposta que faz sentido para esta pergunta é desconcertante: "Não sabemos como será, será o que será. E não podemos colocar nada no lugar de... antes de ser o que será, porque senão não será o que será". Outro enigma que pode ser desvendado com as considerações seguintes. As mudanças capazes de aumentar as chances de sustentabilidade de uma empresa são sempre processos de transição organizacional. E quando falamos de transição não estamos tratando de destinos últimos e sim de trajetórias diversas de adaptação. Os resultados não podem ser conhecidos “a priori” e, assim, não temos nada (pré-concebido, pré-fabricado) para colocar no lugar de algum modelo, processo, produto ou serviço antigos. Todas as empresas estão vivendo, em alguma medida, um processo de transição (as que não estão já desapareceram em razão de déficit de adaptação). Quem está vivendo a transição, em geral, não percebe o sentido do movimento, mas apenas os problemas, as confusões e os efeitos colaterais do desafio de ter que mudar o seu padrão de adaptação a um mundo em franco processo de distribuição querendo manter, entretanto, o seu padrão de organização fortemente centralizado (é claro que é impossível manter o estado pretérito do padrão de organização quando se muda o padrão de adaptação: a homeostase de uma empresa exige simultaneidade da mudança do padrão de adaptação e do padrão de organização para uma nova visão personalística, única, diferenciada, só sua, inédita, e, por isso, haverá "choro e ranger de dentes" por parte de quem está experimentando diretamente os dilemas da mudança). A transição é narrativa de quem vê a onda; quer dizer, a continuidade (o fenômeno ondulatório, próprio de um meio contínuo) só é percebida pelo observador que observa tudo isso numa linha temporal mais longa. Quem está na onda - e não vê que é uma onda longa e nem mesmo vê que é uma onda - só percebe a arrebentação (quer dizer a descontinuidade, o fenômeno discreto) como choques sucessivos como é bem-vindo o exemplo das pedras ou com o solo (a onda arrebentando na praia). É por isso que as pessoas das empresas têm dificuldade de perceber a transição e, muitas vezes, acham que estão fazendo alguma coisa errada quando a frequência da onda aumenta (com o aumento da interatividade do meio) e aparecem também com mais frequência os problemas da inadaptação (em geral decorrentes do descompasso entre a mudança do padrão de adaptação e a mudança do padrão de organização que deixa de ser padrão e passa a ser personalístico, novo, não se tratando mais de um modelo, e, sim, de uma proposta. Então esta quinta aprendizagem poderia ser reescrita da seguinte maneira:

Nunca se trata de substituição, de colocar uma coisa no lugar de outra e sim de deixar que os novos processos que se acrescentam aos antigos gerem novas configurações emergentes.Não se trata de melhorar, aperfeiçoar, inovar simplesmente, mas de mudar, trocar, colocar coisas radicalmente novas no lugar das que não mais funcionem, mesmo que as melhoremos.
 6 - Uma boa dose de comportamento aleatório é necessária para a inovação, a mudança.
A questão é que não é possível ser criativo sem partir em novas direções e em sistemas dinâmicos complexos. Essas direções são aleatórias. O sistema - no caso, a rede de pessoas que compõem qualquer organização - deve ter a liberdade necessária para aprender. Não pode ser ensinada a não-errar; se o for, não aprenderá. Olhando de um ponto de vista tradicional pode-se dizer que muitos erros são cometidos em qualquer processo de inovação, porém é um esforço inútil (e contraproducente) tentar otimizar a gestão para evitar esses erros. Como diz o conhecido ditado: "Se você não está errando muito é sinal de que não está se esforçando o suficiente – ou não está fazendo nada, porque quem faz, erra". O que chamamos de erro, na verdade não é erro (como desvio de um alvo pré-estabelecido) e sim o modo como qualquer sistema pode aprender (o que é muito diferente - em certo sentido é até o oposto - de ser-ensinado). Aprender não é apreender o mundo e sim mudar com o mundo. Se o mundo vai mal, como podemos ensinar as pessoas a se adaptarem a ele? Este é, por exemplo, o maior, talvez o único erro dos sistemas educacionais que, pelo que parece, não mais funcionam. Mas mexer nisto é mexer em tudo. Portanto, é preferível se manter na “zona de conforto” e continuar reclamando, fazendo greves, paralisações. É como alguém que precisa de cavar um buraco mas que passa a vida atirando terra dentro dele. Depois, se assusta, briga e não entende porque seus propósitos não foram atingidos. O que significa que um sistema só é capaz de aprender se for capaz de se auto-organizar continuamente, integrando o novo, o imprevisto, a surpresa. O comportamento aleatório (não-planejado) é parte do bom processo de auto-organização. Deve, portanto, haver liberdade para as pessoas poderem abrir caminhos inéditos para os fluxos da sua convivência social, mesmo quando avaliamos que isso não levará a nada: nunca se pode saber como o comportamento coletivo será aleatoriamente modificado, mas já se pode saber que não haverá mudança de comportamento coletivo sem uma boa dose de aleatoriedade. As organizações precisam entender que quem é capaz disto não se enquadra a esquemas formais antigos, mas contesta, transgride, incomoda. E sem isto jamais vamos sair da estaca zero. A mudança da parte é que muda o todo, embora possa causar estranhamentos, esbarrões e outros estragos. É o preço que, necessariamente, havemos de pagar. E se o comportamento coletivo não for modificado pelo comportamento individual que pode até ser inoportuno não haverá aumento de inovatividade. Então esta sexta aprendizagem poderia ser reescrita da seguinte maneira:

Uma boa dose de comportamento aleatório é necessária para a inovação/mudança e não é possível ser criativo sem partir em novas direções tomadas sem um plano pré-definido.A transgressão faz parte, ela é necessária, é o remédio amargo que poderá levar ao alívio, à cura.
 7 - É estúpido tentar organizar a auto-organização
Deve-se explorar a ideia de que todos os sistemas são inerentemente auto-organizados e que, assim, nossos esforços de interferir nos processos para evitar o caos acabam impedindo a emersão de novos padrões minimamente aceitáveis de ordem. Essas tentativas são, pelos estudiosos da área qualificadas como estúpidas e fazem propostas de usarmos os momentos de caos - aceitando-os e surfando nos seus fluxos - para aumentar a nossa criatividade e a nossa produtividade. Os quatro princípios básicos para isto podem ser vistos como orientações para o “deixar-fluir necessário” à inovação desejada, são os seguintes: 1) A pessoa que vem é a pessoa certa. 2) Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido. 3) Toda vez que você iniciar é o momento certo.4) Quando uma coisa termina, termina.
Uma das grandes dificuldades das empresas é, justamente, “deixar-acontecer”. Possuídas pela pulsão de tudo comandar-e-controlar para produzir resultados esperados, bater metas, ensinar as pessoas como devem se comportar, programar tudo para que nada escape do que foi planejado, as empresas acabam obstruindo os fluxos que poderiam torná-las mais interativas, mais inovadoras, mais adaptáveis e, consequentemente, mais sustentáveis. O problema é que agindo assim elas têm mais dificuldades de iniciar a transição para um novo padrão de rede. Sim, a palavra correta é: iniciar! O importante na transição é iniciar, não terminar: "O fim é o começo, e o começo é o primeiro passo, e o primeiro passo é o único passo". É como pegar uma onda: depois a coisa vai sozinha... Ora, sistemas que se auto-organizam têm um padrão de rede (distribuída).  Tudo que é sustentável tem um padrão de rede. Nenhuma empresa fará uma transição "acabada" (e, portanto, claramente identificável para servir de exemplo ou modelo) para um padrão de rede na integralidade da sua estrutura e do seu funcionamento, mas... eis a questão: nenhuma empresa, de qualquer tamanho, poderá evitar a aplicação (ou melhor, a realização) de processos de rede no seu interior e no seu ecossistema, se quiser aumentar suas chances de evitar o risco sistêmico - um risco de colapso ou morte por baixa interatividade (que se revela como queda simultânea de inovatividade e produtividade, mesmo em situações de alto crescimento) - que ameaça todas organizações hierárquicas em um mundo cada vez mais em rede. Na medida em que descobrirem isso, as empresas implantarão processos de rede no seu ecossistema: não apenas para ganhar mais e sim para durar mais. Não há o que acrescentar à formulação desta sétima e última aprendizagem.
É estúpido tentar organizar a auto-organização e, neste sentido, um cuidado especial deve ser sempre tomado que é  o de atentar, criticamente, para o grande câncer que tomou conta de nossas organizações nos últimos tempos, especialmente, no cômputo humano e nas relações sociais aí definidas que é o falar em mudança para evitar a mudança. Tão eficiente quanto o lobo bravio vestido de um doce cordeiro é uma prática que evoca a cultura, a simpatia, a eficiência, a ética, a responsabilidade social e com as pessoas. Mas ao contrário, é o elo maligno, o devastador de todas as correntes, destruidor da vida e construídor do caos que se eterniza e que invade todos os segmentos de qualquer organicidade.