quarta-feira, 8 de julho de 2015

TEMPOS DE SAMA: AMOR, BELEZA, POESIA, TERNURA E SAUDADES





MEUS TEMPOS DE SAMA: AMOR, BELEZA, POESIA, TERNURA E SAUDADES

Tenho muitas saudades dos meus tempos de Sama. A vida na vilaoperária da Sociedade Anônima Mineração de Amianto, nos idos da cidade de Minaçu que era só um amontoado de casas grotescas, sem energia, telefone, saneamento. Sem asfalto, sem quase nada, mas com muito calor, alegria e uma poesia que ainda guardo fundo, bem dentro da alma. Dias inesquecíveis, conversas de amigos, rodas, música, brincadeiras...
Á área industrial, a Vila, O Centro Educacional Ginette Milewski e a sua equipe: João Grosso, Lúcia Tamiko, Carminha, Margarida, Deusmarina, Genilson, Prof. Alberto. Flávio, Gildeir, Lúcia Passos, Neusa, Graça de português... Dulcinéia, Socorro Eufrásio, Orozino... uma turma de anjos alados e belos, sempre buscando o bem.
...Emília, Fátima Traub, Lucília, Laurinha. Alice, Elza, Alzenira, o pessoal da cozinha, Dália, Vó, Salvador... aquela gente encantada. Mazé, Gracinha do Pacaembu, Eugênia, Cida do Dias, Lucilene. Zilda, Edmar, Wellington, Iracene, Socorro Maia, Nadia Cozac. Chico do Boi, Maria José, Cristina do Tarcísio, Socorro Maia Lélia e Neide na Biblioteca. Graça, agrônoma, Ari e por aí vai... Uma imensidade de pessoas, pois o colégio era bem grande e o número de alunos, também. Todos os anos, entrava e saía muita gente.
Os alunos - alguns inesquecíveis: Itamar, Alaor, Ana Zélia, Iraci, Matilde, Olga Daros, Luzenilda, Vilmar, Alda Covelo, Míriam, Zé Carros, Geni, Clarice, Tânia, Antonio (do Juracy Preto), Georlando, Nequinha, Hélio, Jaider, Zé Tito, Ismael,... muita gente!...
Não me esqueço das festas, dos lanches, dos passeios, das coisas boas e não-boas que todos vivemos, juntos. A cascatinha, as corridas, os bares de Minaçu, os Olimpíadas do meu amigo Arabutã. Ali, na Vila de Cana Brava, aquela Changrilá de muitos encantos, vivemos dias de poesias, de sonhos, e, principalmente, de muitas esperanças. Crispim, Prof. Divino na Vila. Serafin, Renan, Valdir no laboratório industrial. Pisca, Dedão, Sérginho, Valdeus, Walmir. Robertão, Mírian, D. Eugênia, Zé Maria, Cizinha, Sogrinha, Tião, Toinha, Ercy... Nascimento, Endes, Ivaldo - o desgracinha - no Restaurante... comida boa, lembranças... Gente simples e boa. Almas nobres, sentimentos do bem. Companheirismo, amizades. Festas de aniversários, galinhadas, jantares nas casas dos outros. Os namoros: Osvaldo e Alice, Carminha e Gildeir, Edmar e Cláudia, Júlio e Tânia, Mazé e Luis Carlos, Mariosan e Nigme ( e outros impublicáveis. Vai dar confusão.)
As noites de quarta e sábado no Clube. Só eu, Décio Messaggi e Escovão ouvindo Trio Irequitã até as tantas e fumando até fazer a fumaça empretejar os telhados.
As casas da vila, os blocos, os pequenos jardins, os espaços que fazíamos de quintais. Os setores das pessoas mais importantes: uma segregação social para os dias de hoje, mas que acontecia. Todo mundo achava bem natural e vivia feliz mesmo assim. As festas temáticas da Piscina Leste que a gente ficava louco pra ir não podia. As noites em Paris, Florença, Nápoles, etc.... tudo internacional demais. E nós, os pobres que não íamos, no dia seguinte, queríamos saber de todas as fofocas: das roupas, dos papos, da música, das comidas, enfim, tudo. Tenho muitas saudades da Laurinha Barrét, uma das incentivadoras destas festas. Figura exótica, elegante, com sua trança longa do lado, suas roupas coloridas, sua cultura, sua arte. Falava um francês corretíssimo e fumava como ninguém, o que até lhe emprestava uma certa graça, uma forma exótica de ser. Gostava de contar histórias dos seus tempos de socialaite do Rio, de São Paulo, da sua vida de artista e do disco de vinil que chegou a gravar.
Encrenquinha, Pisca, Foca, Batatinha e outros apelidos que soarão eternos nos meus ouvidos. O Sandro Galinha, o Coruja. Mariosan, meu compadre querido, o que muito me honra. Ismael, Regina Zorzi, Marco Lima, Daniel, Cristina, Zé do Leite, Elizabeth, Diogo, Daniel Queiróz, Celso Santos, Marcial Cóffero, Cida Braga, Dra. Socorro, Marina Júlia de Aquino...
E as gírias que a gente usava: - "Fulano era uma véia dos peito caído" (esta era ótima e dita quando não se gostava muito da pessoa). "Você sabia que o facão achou fulano?" (quando alguém era demitido da empresa). "Rádio Peão (fofocas que rodavam pela vila). "Você queria ser fulano ou fulana?" (dito quando alguém cometia uma gafe). "Vai ser um su..." (quando se esperava que alguma coisa seria um sucesso). "E vai ser um fra..." (quando se imaginava o fracasso). "O cata corno". (o ônibus velho que carregava peãozada. "Fica frau, meu!". (o mesmo que fica frio, meu amigo). E coisas do gênero...
A Ló, o salão da Cris, o Marquinho, a Nádia, o César, o Vinícius... As galinhadas na casa deles...uma delícia, até altas madrugadas, com forrós, conversas animadas, mas tinha que ser bem baixinho pra não prejudicar o sono dos outros. E as maratonas, os campeonatos, as festas juninas? Os torneios desportivos, as gincanas, o grêmio escolar? O casamento da Tânia e do Júlio, uma festa bonita na Piscina Oeste, uma inovação sugerida por mim. Os festejos de São João, as quadrilhas, as roupas, os casamentos caipiras, os almoços de domingo, as pescarias. A igreja, linda, aberta, a meia parede com um jardim bem cuidado em toda a sua extensão. E o casamento da Carminha com a seleção musical feita pelo Willes Strautman, com o mais profundo bom gosto. Nunca vou esquecer, foi demais... As festas de formatura, os aniversários, as conversas sentados na pedra bem enfrente ao Bloco Sete, o dos professores e do pessoal da escola.
As fotografias do Ghuinter, a Hanelore na padaria, trabalhando como uma louca. O Dr. Antonio, médico, o Rosalvo, Geraldo, Jorge Matsumotto, Dr. Vanderlan, Antonio Corrêa, Popollízio, Ostronoff, Dr. Euler, a Agna, o Diogo, Marlene... a ciumeira do pessoal que recebia pela famosa "Folha São Paulo". O contra-cheque azul que a gente chamava de holetite, a cirene de troca de turno que a gente ouvia em plena madrugada, se acordava e tinha saudade de tudo... Tempo bom, que a gente tinha paz, felicidade, certezas, alegrias no peito e brilho nos olhos todos os dias...
As ruas, o verde, o calor de matar. as explosões na mina que fazia tudo tremer. A Churrascaria do Gel e da Marlene, pais da Tânia e da Diana, boas meninas que não sei por onde andam. Genesi, Romeu e Telma, Marco Guidella, Raimundo, Fernando enfermeiro... com suas gracinhas, sua religiosidade maior do mundo,
Os filmes no auditório da escola, a horta, o zoológico. As piscinas separadas, a banca de revistas, a micro-academia de ginástica que a gente achava a melhor do mundo, o Posto do Bradesco, o Supermercado, o pomar atrás da escola, as pescarias no Rio Maranhão, o rancho do Roberto e da Rejane. O casamento do Haroldo, o Cebolinha, ainda criança...
Marco Guidella, Pisca, Valdeus, Wilson Passarelli, Aninha, Chaleira, Theberg, Guido Penido, Sabbatier, Nelson Freire, Pacaembu, Nascimento, Reinaldo, Cida Santos, Dedão, Ludgero, Cida Braga, pessoas boas e inesquecíveis, nem que eu viva mais de 120 anos.
... Como esquecer do Dedeza, aquela figura ímpar? Os mangueirais, as touceiras de bambu, as brincadeiras, as piadas, as conversas, as fofocas, o Centro Telefônico, onde íamos ligar a cobrar pras nossas famílias, as aventuras que fazíamos, as idas para Minaçu...os desfiles comemortivos...
Tudo é saudade, tempos que não voltam. Pessoas e lugares que não mais existem, pra tristeza minha e de muitos outros. A Sandra Páscolli e o Zé Américo, Michel e sua Laura, Marcial e a Lucília... filhos que nasciam, casavam, passavam nos vestibulares e iam embora. Lúcia Zorzi, Marco Lima,os meninos do meu tempo. Hoje casados, pais de família. Alguns até já se foram.Nossas saudades, nossas dores e a vontade de voltar. Os festivais de música, os bailes com conjuntos famosos, os teatros que vinham de fora e os que a gente produzia, cheios de improviso. O fim do mês, as contas pra pagar, o dinheiro pouco que a gente achava que era muito. Os quintais comuns, as cercas vivas, as flores, as plantas... E o luar que banhava nossas noites silenciosas e carregadas de um sentimento bom, que dói na alma. O Chiquin, a Vanderli, a Elaine, a Alsira com sua alma maravilhosa, seu olhar terno de menina assustada. A praça arborizada e linda, as lembranças sem fim das coisas e das pessoas...
Ave Sama! Agradeço a Deus e à vida por esta chance absolutamente singular de viver momentos inesquecíveis e conhecer pessoas tão especiais e preciosas que até fizeram mudar a visão e os contornos da vida.
Tempos de amor, bondade, pureza e carinho de uma família imensa, que éramos todos nós. Dançando ciranda de mãos dadas, numa roda infinita. Tudo era felicidade. E a gente com sonhos, com muitos amigos. Enfim, coisas que não mais existem, que se foram com os tempos.
...A Sama foi, sem dúvida, a minha primeira experiência de amor e saudade. Marcou fundo e para sempre. Foram belezas que fizeram de mim um poeta da alma. Para sempre um caçador de mim, procurando a ternura, a poesia e a sensação de paz que um dia eu senti e que aquele cenário de luz pode testemunhar o que eu guardarei para sempre no meu coração...
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5 comentários:

Antonio Lima disse...

Caraca, vivi um pouco disso tudo ali na SAMA. Como foi bom, como seria bom bom se pudéssemos reviver tudo aquilo mais uma vez. Nostalgia!!!!

Meu ultimo ano no CEGM foi em 96 me mudei para Goiânia em 98.


--
Antonio Lima

Antonio Lima disse...

Caraca, vivi um pouco disso tudo ali na SAMA. Como foi bom, como seria bom bom se pudéssemos reviver tudo aquilo mais uma vez. Nostalgia!!!!

Meu ultimo ano no CEGM foi em 96 me mudei para Goiânia em 98.


--
Antonio Lima

Anônimo disse...

Caraca, vivi um pouco disso tudo ali na SAMA. Como foi bom, como seria bom bom se pudéssemos reviver tudo aquilo mais uma vez. Nostalgia!!!!

Meu ultimo ano no CEGM foi em 96 me mudei para Goiânia em 98.


--
Antonio Lima

Anônimo disse...

Tive o grande prazer de morar na SAMA de 2013 até o fim de 2014.Os melhores momentos da minha vida aconteceram neste período, e sair de lá para morar em outra cidade foi sair do paraíso para o inferno. Até hoje sinto uma saudade desgraçada de lá. Era um grande prazer caminhar naquelas ruas e naquele bairro de estrutura tão bela, com casas padronizadas que tornavam tudo mais bonito de se apreciar. estudar na escola SESI SAMA com os melhores professores e parceiros do mundo, acordar no meio da madrugada e ficar caminhando por lá sozinho, pegar o violão e ir para o campo de futebol perto do clube oeste de madrugada, ou então sentar com o violão em uma daquelas praças e ficar tocando sem gente por perto até o sol se por... Não tinha coisa melhor para se fazer. Pegar uma sauna, tomar um banho de piscina, ir na academia, estudar na biblioteca,zoar pra caramba no halloween deixando os guardinhas loucos, Comer com os amigos no restaurante depois da aula, entre outros. Vida diferenciada!
Hoje, vejo a sama entrando em decadência.Os velhotes que lá moram levantando muralhas nas casas destruindo o padrão peculiar do bairro, algumas árvores que estavam lá há tempos estão sendo cortadas, segurança frouxa... Vejo que tudo aquilo ali vai ruir, logo a SAMA estará mais "urbanizada", e logo se tornará mais uma parte da enfadonha e medíocre cidade de Minaçu.
(Sim! Já estou antecipadamente de luto pela minha cidade.)

Claudia Massaude disse...

Nossa! Você c suas palavras declafou todo o nosso amor pela SAMA... SAUDADES P SEMPRE!