sábado, 16 de janeiro de 2010

EDUCAÇÃO FORMAL: UM PROJETO MAQUIAVÉLICO A SERVIÇO DAS ELITES


(*)Antonio da Costa Neto

Estamos em pleno Séc. XXI e algumas coisas permanecem arraigadas no atraso conceitual, metodológico, filosófico, dentre outros. Aí incluindo, os processos pedagógicos, as suas teorias e práticas, a gestão das escolas, enfim, o projeto de educação formal das pessoas.
Faz-se mais que urgente e necessário repensar com profundidade a tônica do papel das escolas, os serviços e desserviços que prestam. Suas lacunas e fragilidades - algumas muito graves - se, de fato, pretendemos superar a crise endêmica que assola o planeta e possamos ter uma qualidade de vida, no mínimo, digna para todos. Sem dúvida, um dos poucos caminhos que ainda nos restam para a superação dos grandes males do mundo a que todos nos achamos expostos e que podemos ser vitimas a qualquer momento.
Sempre trabalhei com educação e sou um apaixonado pela sua causa. Mas paradoxalmente sempre fui também um crítico veemente das escolas, suas ações, seu cinismo histórico doentio. O teor da violência simbólica que elas carregam, praticam e cometem com isto um crime imenso e silencioso contra a humanidade, com uma preocupação absolutamente insensível de se perpetuar o poder do capitalismo - notadamente o internacional - e com ele, todas as formas iníquas de exploração das pessoas e da natureza. Gerando, com isto o grande caos, as crises, os horrores que as sociedades contemporâneas atravessam.
Acredito que quase todos nós estamos insatisfeitos com as múltiplas realidades que nos cercam. Somos a cada dia mais pobres, preocupados com o futuro de todos e, principalmente, o das gerações mais jovens. Muito nos incomoda a tirania do mundo moderno, a iniqüidade da economia e do mercado de trabalho, a violência urbana, o aquecimento global do planeta as endemias primárias, a questão da água no mundo, a corrupção, o trânsito caótico, a violência urbana, apenas para exemplificar.
Mas continuamos, inexplicavelmente, educando as pessoas para que elas possam dar continuidade a tudo isto. Persistimos a reclamar, a reproduzir o modelo, a termos os mesmos resultados que culminam com a infelicidade, os conflitos sociais, a morte precoce e antinatural. E tudo isto me incomoda muito, tanto que venho dedicando anos de estudos, pesquisas e publicações neste sentido, como algumas das conclusões que venho colocar a público por meio deste pequeno ensaio.
Bordieu & Passeron são dois autores clássicos importantes que vêm nos alertar sobre a escola como o mais importante aparelho ideológico a serviço do Estado opressor. Ou seja, para que a sociedade da exploração e do consumo funcione, é preciso que tenhamos cidadãos incautos, inocentes úteis e desinformados. Que forneçam sua força de trabalho, se disponham consciente ou inconscientemente a serem profundamente explorados e que, por fim, paguem e proporcionem o maior lucro possível aos detentores do capital produtivo, num círculo vicioso de mais exploração, mais consumo e mais lucro, e, por conseguinte, com mais miséria, mais desgraças, mais destruição, mais caos.
Ora, o indivíduo que se expõe tão facilmente a este tipo de conduta horrenda e socialmente criminosa precisa ser suficientemente alienado e alijado politicamente de qualquer posicionamento crítico para fazê-lo. Cabe, portanto, às escolas a sublime tarefa de formar - conformar e deformar - as massas inteiras em relação aos potenciais construtores desta sociedade que, por sua vez, garantirá o pleno bem-estar dos seus mandantes, por meio da exploração contínua e gradual dos ditos subordinados, do povo, das classes populares, dos trabalhadores, entre os quais se incluem os profissionais da educação, que, em última análise, trabalham ideologicamente contra eles mesmos.
É preciso que saibam disto, embora doa. No entanto, a saída possível começa com o conhecimento e a aceitação desta dura realidade, o que, a princípio, os educadores têm a maior dificuldade. O que já faz parte do projeto maquiavélico de se usar a educação para a garantia dos interesses da perversidade dos modelos econômicos centralizadores e perversos, qualificando sempre as pessoas no sentido de se facilitar o processo de uso e de exploração das mesmas. Isso se inicia com a própria formação dos educadores. As faculdades de educação, sempre na extrema retaguarda das universidades - para não falarmos na brutal falta de qualidade e responsabilidade acadêmica da grande maioria das instituições isoladas - fazem de tudo para aniquilar o futuro educador de qualquer visão crítica. Nos seus currículos é proibido falar em economia, inflação, ideologia, mecanismos internacionais, corrupção, crises, exploração do homem pelo homem; para que a crítica seja brutalmente assassinada antes que invada os calabouços horrendos das nossas escolas de todos os níveis, transformando-as em substrato inconsciente da alienação social das massas por meio dos conteúdos que ensinam, das táticas que usam, do policiamento que exercem.
Os pedagogos, os orientadores educacionais por exemplo, são formados para atuarem como autênticos cães-de-guarda farejadores dos interesses burgueses dentro das instituições educacionais. Basta que uma mínima prática ensaie a fugir destes, que começam a latir e rosnar grosso pelos corredores e gabinetes prontos para estilhaçarem qualquer educador que se atreva a fazê-lo. Os cursos de licenciatura são outra vergonha deslavada, formando sempre pseudo-profissionais subservientes aos regimes e domínios da exploração capitalista e dos demais sistemas econômicos em todo o mundo. Sendo notória a transformação da performance entre o calouro e o formando que perde ao longo de seu "curso" toda a sensibilidade, a disposição crítica, a autonomia, a flexibilidade. Produzindo a grande massa dos professores incautos e inocentes que, por infeliz sorte, aí temos.
Por que nas aulas ainda é exigida a tradicional e enfadonha chamada dos alunos? Ora, porque se trata de um momento tão cru, frio e desinteressante que só mesmo a coerção da chamada pode garantir a presença dos alunos. Aliás, o modelo aula/prova, num processo de controle policialesco à imposição de um saber balizado pelo interesse capitalista já foi superado há décadas. E, no entanto, continua aí firme e forte, segregando a teoria da prática, a indução da dedução. Criando forças antagônicas entre o saber, a ludicidade, a vida. Daí a grande resistência dos alunos que querem tudo, menos ir para a escola. E ela – a escola – é a grande responsável por isso. Deveria ser motivadora, interessante, convidativa, agradável. Mas não, continua sendo este "café requentado da pior qualidade" como muito sabiamente brinca o Prof. Pedro Demo em um dos seus inúmeros escritos. Mas é impossível fazer isto sem formar a consciência crítica, a percepção aguçada dos fenômenos, o teor da iniciativa; valores é claro, inúteis à exploração da pessoa, morando aí o grande dificultador de uma educação de real qualidade que, na maioria das vezes, os educadores já acreditam que fazem. Ignorando por concreto a imensa distância que estão deste projeto que ainda está por vir.
Em síntese, a escola ensina aos seus alunos muito pouco do que realmente lhes interessa para viverem, fazerem suas conquistas, construírem sua felicidade, que é o que de fato interessa a todo o ser humano. Ela se utiliza de uma metodologia que mais confina o pensamento da pessoa fazendo dela um autêntico retrógrado aos interesses, motivações e impulsos do mundo e da vida moderna. Não avalia, mas pune o diferente, o criativo, o líder, o capaz. As escolas, tal como estão, estragam as pessoas, limitam suas capacidades, reduzem o seu potencial, transformando-as em pura massa de manobra. E ainda chamam isto de educação.
Há também uma política recessiva de não-valorização do educador e dos profissionais da área. O que é estratégico. E faz parte de um esforço brutal para que o famigerado fracasso da educação seja, de fato, um sucesso para os detentores do poder. Por isso, paga-se mal para que se ensine mal. Para que o magistério seja uma profissão de senhoritas caprichosas ou de senhoras "bem casadas" que não dependam do seu dinheiro para viver, para pagar suas contas. Assim, o Estado opressor atinge seu duplo objetivo: o de gastar menos com a educação para que sobre mais dinheiro para a compra de badulaques para as madames do seu circuito, tendo, em contrapartida gente desmotivada para ensinar bem. Perpetuando a alienação das massas com que se aprazem os governantes, os grandes empresários, os donos do poder. Precisamos, portanto, reconstituir todo o paradigma da educação e da escola, construindo e compartilhando normas e regras, elaborando conjuntamente novos, ricos e diversificados conhecimentos que tragam as respostas realmente necessárias a uma vida digna e de melhor qualidade para todos. Que ajudem a descentralizar o poder e a riqueza, que dêem a todos voz e vez na construção do mundo com o qual, com certeza, quase todos sonhamos.
Devemos, por exemplo, substituir a enfadonha e tediosa chamada nominal dos alunos por atividades ricas, lúdicas, interessantes, convidativas que, por si, já garantam a freqüência e a pontualidade. Trocar a obrigatoriedade do uso do uniforme pelo bom senso estético em saber o que, como se vestir; respeitar o outro, as suas condições econômicas, individualidade, autonomia. Não chamar mais ninguém de tio ou tia, senhor ou senhora, mas respeitosamente, por você e pelo próprio nome, horizontalizando a democracia e propiciando mais liberdade em termos psicológicos. Descentralizar o poder, diversificar os ambientes, os processos, os métodos. Cativar, amar, contextualizar o lúdico. Promover, e não, punir. Educar para a vida, ao invés de induzir para a exploração, o uso, o abuso, o lucro, a construção da insustentabilidade para a vida.
Precisamos enxergar com olhos críticos a essência do papel das escolas e dos educadores que nelas atuam. Sentir a palpável dualidade dos pequenos serviços e dos infinitos desserviços que prestam. Os irremediáveis estragos que cometem. Evitar, daqui para a frente, as profundas desgraças que têm ajudado a constituir, estando ainda hoje, muito longe de saberem disto. E será que desejam mesmo saber? Por onde começar? Buscar uma reflexão para uma ação diferente. É para isto que estamos aqui. Pois nada é por acaso neste universo infinito ao qual pertencemos.
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(*)MsC. e Doutorando em Sociologia da Educação, Professor Universitário, pesquisador e conferencista. Coordenador de projetos afins, autor de diversos livros e artigos sobre o tema. Está implementando experimentalmente o Projeto de sua aut0ria: Pedagogia da Complexidade - uma proposta de educação para o III Milênio, com pesquisa, diagnóstico e políticas e diretrizes com novas arquiteturas para a educação formal.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

A HORA E A VEZ DE D. HEBE CAMARGO


Tem-se noticiado muito nos últimos dias que a veterana apresentadora de televisão brasileira, Hebe Camargo submeteu-se a uma cirurgia para a retirada de alguns nódolos da região toráxica, sendo, posteriarmente constatada a presença de um câncer. Claro que não é uma notícia para ninguém se alegrar. Nem eu. Pois não sou dado a comemorar o sofrimento de nenhum ser humano, ou mesmo de qualquer ser vivo, animal, planta,etc. Mas não há como negar o velho dito popular que no fundo guarda toda a sebedoria, quando diz que "quem semeia vento colhe tempestade" e outras coisas que o valham.

É bem conhecida e creio que deva mesmo ser perpetuada a importância de D. Hebe para a televisão brasileira, sendo que são histórias que se confundem desde os primeiros tempos desta maravilha tecnológica e a sua trajetória no Brasil, sempre abrilhantada pela presença desta exuberante cantora, humorista, atriz, apresentadora. Uma mulher de talentos múltiplos e que agora, especialmente, aos 81 anos de idade, é uma estrela que brilha como poucas com seu inegável charme, seu carisma, elegância, a especial gargalhada, a força, a fibra pessoal e uma série de infinitas qualidades de mulher, de personalidade pública.

Mas eu, que por falta de algo melhor para fazer costumo perder o meu tempo com o seu programa, exibido às segundas, e sempre tem alguma coisa que interessa, artistas bacanas, conversas bem entabuladas, música boa, etc. Mas...a formatação, as características, a idumentária da estrela principal, servem em tudo aos interesses do comando, do poder e de suas formas expúrias de explorar os trabalhadores, o povo, as pessoas mais simples e pobres.

Como tudo na vida tem sempre um mas, eu considero a Hebe uma pessoa meio falsa, mentirosa, auto-centrada demais e com muitos motivos para rir sempre - a começar pelos milhoões mensais que recebe do SBT - e que como todo e qualquer dinheiro, não tem geração espontânea e, é claro, sai de algum lugar de onde fará falta para alimentar crianças, comprar remédios ou ataduras para hospitais públicos, consertar estradas, escolas, reduzir a violência que ela tanto critica. Além de tudo ela é muito maquiavélica, vai do choro soluçamente à gargalhada cabulosa em fração de segundos e suas caras e bocas quando clama por justiça e pelo bem-comum não conseguem convencer-me pois ela não vive o que apregoa. Não tem caráter o suficiente para a necessária coerência na inteireza dos fatos.

Claro que ninguém, nem ela tem culpa por ganhar tanto. Aliás, seria ótimo se todos os brasileiros ganhassem tão bem. Mas falta essência humana sobre a gestão dos fatos, não há sensibilidade, empatia, verdade. Tudo cheira a um teatrinho banal na medida em que são feitas críticas tão rasgadas, abertas e mais nada. Ao contrário, para esta gente é muito importante que tudo se perpetue, pois o glaumur que sustenta seus luxos vem desta mentira fatídica.

Na verdade, o Programa da Hebe é, por exemplo, um leque aberto de puxa-saquismo de políticos, de importantes corrúptos, de empresários milhionários, desonestos e de dondocas como ela, bem-sucedidas às custas de pequenas ou grandes mentiras ditas com tamanha convicção e com a cara de verdade, que acaba por convencer uma população incauta e de visão linear que só enxerga o lado fácil das coisas, dos fatos, Aquele que é apresentado entre risos e lágrimas, num populismo elitista sem precedentes que acaba por oficializar o caos, os horrores em que vivemos e que, em última análise servem para perpetuar o poder, a bastança, o sucesso de estereótipos de gente que jura que é boa, inteira, solidária.

E o engraçado é que estas, são pessoas de meias verdades. Que metem o pau nos políticos, quando eles caem, se esborracham. Mas depois quando os mesmos dão a volta por cima e retornam para seus tronos, são abraçados, beijados e louvados no não menos famoso "Sofá da Hebe" como se nada tivesse acontecido. São de duas caras mas que só mostram uma: a boazinha, a santa, a casta que se arrepia e sua para esbravejar palavrões contra assassinos, ladrões e corruptos, mas que não pensariam duas vezes em louvá-los e aplaudi-los se for para beneficiar poderosos, elites, patrões e governos, de cujas tetas retiram o que alimenta seus egos e gordas contas bancárias.

D. Hebe se diz uma mulher felicíssima e que não gostaria de morrer para não abandonar a vida boa, que, segundo ela própira, foi sempre um privilegiado presente de Deus. Mas Deus é assim mesmo quando lida com justiça. Ela dá o bem-bom. Mas cobra o bem-feito. E eu ficaria muito decepcionado se este mesmo Deus não desse a ela (e a uma série de personalidades, coincidência ou não com nomes dissílabos)a oportunidade de repensarem a mediocridade a que se expoem e as maldades que camufladamente ajudam a constituir, e, ainda por cima, vendendo a imagem de serem os melhores habitantes do planeta.

Hebes, Lulas, Dilmas, Malufs, Martas, Bentos, Sarneys, Hugos (Chaves)... e muitos outros têm é sorte demais e bondade de menos no coração. São interesseiros, espertos, hábeis. Mas, ao mesmo tempo vazios e fúteis. São os líderes na construção dos males que o mundo vive, o sofrimento que se traduzem no brilho de suas jóias, nos boletos sofisticados das poltronas de primeira classe dos aviões que cortam o céu do mundo, nas delícias culinárias que fazem esta gente engordar e se submeterem a sofisticados e caros tratamentos contra a obesidade mórbida só do corpo, mas não vêem e nem cuidam daquela que circunda a alma.

Mas a vez de cada um chega. A sabedoria universal, a maior de todas sabe muito bem como e quando agir. E mesmo que pareça que não, ela é sempre competente e abre os necessários processos e atinge aos resultados necessários. Vou rezar para que D. Hebe Camargo se saia desta com sucesso e sem o mesmo sofrimento que ela ajuda a causar nas pessoas, jurando que não. Que a lição seja aprendida e ela, seus parceiros, possam juntos reverter o quadro que concretizaram com os presentes gratuitos dados por Deus e eram justamente para serem usados ao contrário.

MEU SOBRINHO LIIIINDO....JOÃO VÍTOR









































UMA CAMPANHA NO MÍNIMO...EXÓTICA...


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Os animais também têm a marca de Deus.
"O homem implora a misericórdia de Deus mas não tem piedade dos animais, para os quais ele é um Deus. Os animais que sacrificais já vos deram o doce tributo de seu leite, a maciez de sua lã e depositaram confiança nas mãos criminosas que os degolam. Ninguém purifica seu espírito com sangue. Na inocente cabeça do animal não é possivel colocar o peso de um fio de cabelo das maldades e erros pelos quais cada um terá de responder."
(Sidhatta Gautama, o Buda)













































SOMOS MUITO FELIZES... PENA QUE NÃO SABEMOS DISSO...


Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco. Há no ar um certo queixume sem razões muito claras. Converso com homens e mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todos com profissão, marido, esposa, filhos, saúde, e ainda assim trazem dentro deles um não-sei-o-quê perturbador, algo que os incomoda, mesmo estando tudo bem.
De onde vem isso?

Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia:

"Eu espero/

acontecimentos/

só que quando anoitece/

é festa no outro apartamento".

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude: considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligado na grama do vizinho. As festas em outros apartamentos são nada mais que o fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, sorrisos inexistentes e notícias mentirosas.
As pessoas notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, nada revelam de suas aflições e sofrimentos e não dão bandeira das suas fraquezas, inseguranças, mazelas. Então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer, descobrimos que estamos todos exatamente vivendo as mesmas circunstâncias - iguaizinhas - com motivos pra dançar pela sala e também pra se refugiar no escuro, literalmente. Só que as razões das dores e depressões raramente são divulgados pra consumo externo.
Todos são belos, felicíssimos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores, social e filosoficamente corretos.

"Parece que ninguém, nenhum deles, nunca levou porrada. Parece que todos têm sido campeões em tudo".

Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta.
Nesta era de exaltação de celebridades - reais e inventadas - fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem alguma graça. Mas tem, e muita. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e re-começos, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia,

no nosso currículum.

Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Será bom ter cotidianamente alguém secando nossa privacidade a título de segurança?
Estarão mesmo todas essas pessoas realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está em casa, lendo, desenhando,ouvindo música, vendo seu time jogar,

escrevendo, tomando seu uisquinho?

Tenha certeza plena de uma coisa: as melhores festas, as mais belas, emocionantes, fartas e luminosas só acontecem mesmo dentro do nosso próprio apartamento.

Sempre.
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(Martha Medeiros, 46 anos, jornalista, poeta. Uma cabeça feitíssima).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

OBAMA É, COM CERTEZA, MAIOR DO QUE JESUS CRISTO


Jornal Deifica Presidente Americano e Descarta Jesus Cristo

O editorial de um jornal dinamarquês, citando tanto as políticas externas quanto internas adotadas pelo presidente Barack Obama, está deificando o líder político americano.
“Obama é, com certeza, maior do que Jesus — se tivermos de jogar esse absurdo jogo do Natal”, opinou o editorial não assinado ontem em Politiken, que se gaba de ser o maior jornal da Dinamarca, publicado desde 1884.
A tradução em inglês foi fornecida online por Julian Isherwood.
O editorial continuou: “Mas, provavelmente, é mais importante insistir em que com o triunfo dele hoje nos EUA, ele já garantiu para si um lugar nos livros de história — um espaço queele tem boas chances de expandir de modo considerável nos próximos anos”.
O jornal diz que Obama “é provocativo ao insistir em estender a mão, onde outros só vêem animosidade”.
E embora “seus resultados tangíveis em curto prazo sejam escassos”, suas palavras “permanecem na consciência de sua audiência e têm efeitos de longo prazo”.
“Ele vem de origem humilde e defende os fracos e vulneráveis, pois ele pode se identificar com a condição deles”, disse o jornal. “E não estamos pensando em Jesus Cristo, cuja data de nascimento acabamos de celebrar. Estamos falando do presidente dos Estados Unidos Barack Hussein Obama”.
O editorial comentou que “seria natural chegar-se à idéia de uma comparação entre Jesus e Obama. Se se fizesse tal comparação, é certeza que Obama levaria vantagem”.
O editorial, escrito na ocasião de um voto legislativo em favor do plano de saúde de Obama que institui controle governamental total, citou “o direito de todos os cidadãos de não se arruinarem financeiramente quando sua saúde não está bem”, assim como “o maior pacote de ajuda financeira da história dos EUA, um importante acordo de desarmamento e o mais rápido restabelecimento da reputação americana da História”.
“Por outro lado, há os milagres de Jesus, dos quais todos ainda se lembram, mas que só beneficiaram poucas pessoas. Ao mesmo tempo, há as maravilhosas parábolas sobre sua vida e obras que conhecemos a partir do Novo Testamento, mas que têm sido interpretadas de formas tão diferentes durante os 2000 anos passados que é impossível dar um resultado claro de suas obras”, disse o jornal.
“Todos nós sabíamos que esse dia chegaria”, escreveu Jeremy Wiggins no blog da Associação da Família Americana.
“Sabíamos que alguém da esquerda acabaria tentando comparar Barack Obama com Jesus”, escreveu ele.
“O que quero saber é isto: Como é que dá para comparar uma pessoa que não fez NADA com alguém que fez TUDO? O presidente Obama se prostrou diante de reis, mas diante de Jesus reis vão se prostrar, pois ELE é o Rei dos Reis. Suponho que a comparação mais próxima que eu poderia usar na comparação de Obama com Jesus é comparando uma formiga com um edifício arranha-céu. Não só Jesus é VASTAMENTE maior do que Obama, mas eles nem mesmo estão na mesma categoria para se comparar!” escreveu ele.
WND fez várias reportagens sobre múltiplas referências e sugestões da deidade de Obama, inclusive quando o cantor britânico Sting disse que o presidente Obama poderá ser a resposta para os problemas do mundo — a resposta divina.
“De muitas maneiras, ele foi enviado por Deus, pois o mundo está uma bagunça”, ele disse em entrevista à Associated Press na época.
Antes, foi uma das redatoras de um jornal universitário que escreveu: “Obama é meu Jesus”.
Maggie Mertens, uma das redatoras do jornal da Faculdade Massachusetts’ Smith, disse: “Obama é meu amigo. E não estou dizendo isso porque ele é negro — estou dizendo isso em referência a uma camiseta estampada de uns dois anos atrás que dizia ‘Jesus é meu amigo’. Sim, foi o que eu quis dizer. Obama é meu Jesus”.
A confissão dela apareceu recentemente na seção de comentários do jornal universitárioSmithsophian sob o título: “Eu O Seguirei: Obama como Meu Jesus Pessoal”.
“Embora os religiosos vejam isso como idolatria ou embora outros pensem que tudo nessa sentença ofende, temo que seja verdade”, escreveu ela.
Além disso, um artista que planejou apresentar um retrato de Obama numa pose como de Cristo com uma coroa de espinhos na cabeça cancelou o evento devido à “esmagadora revolta do público”.
E foi Louis Farrakhan, o líder do grupo muçulmano Nação do Islã, que declarou no ano passado que quando Obama fala, “é o Messias que está realmente falando”.
Houve também outro acontecimento durante a campanha de Obama quando um site perguntou: “Será que Barack Obama é o Messias?” Essa manchete sintetizou a onda de euforia que seguiu o crescimento espetacular do senador do Partido Democrata.
O site ficou famoso com uma declaração de Obama estrategicamente extraída de um discurso dele na Faculdade Dartmouth, em 7 de janeiro de 2008, logo antes da eleição do Partido Democrata para escolher um candidato à presidência. Foi nessa ocasião que Obama declarou aos estudantes: “Uma luz brilhará por essa janela, um raio de luz descerá sobre vocês. Vocês experimentarão uma presença divina, e de repente compreenderão que precisam ir votar” em Obama.
O site inclui isto:
SEJA O TEU NOME OBAMA
TUA MUDANÇA VIRÁ
TUA VONTADE SERÁ FEITA
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Sobre a ilustração desta matéria:
Para homenagear Barack Obama por seus 100 primeiros dias na Casa Branca, o artista Michael D'Antuono ousou: retratou o presidente americano como ninguém menos que Jesus Cristo. Coroa de flores na cabeça, braços estendidos, a obra não deixa dúvidas de que o Obama é tido, pelo menos pelo autor da polêmica obra, como o novo messias, aquele que foi enviado à Terra para salvar a humanidade - ou pelo menos os EUA. A peça - acrílíco sobre lona, 76cm x 137cm - será exibida no dia 29, quarta-feira, em plena Union Square, em Nova York.O autor se exime das críticas - e óbvias comparações - dizendo que a obra é "aberta a interpretações individuais". É verdade, há algumas diferenças. A cruz não está lá. Em seu lugar, ao fundo, o selo presidencial. Obama, ao invés do seio desnudo, veste terno. Mas mesmo o título da obra não deixa muita margem para dúvidas: "The Truth" ("A Verdade", em português), faz referência a um trecho da Bíblia em que Jesus diz a João 14:6, "Eu sou o caminho, a verdade e a vida". "Mais que um retrato do presidente, 'A Verdade' expressa o momento político, religioso e social que nosso país atravessa", diz D'Antuono em material de divulgação da exibição de sua obra. "'A verdade', como a beleza, está nos olhos de quem vê", diz o press release da mostra.D'Antuono ainda convida o público a enviar para ele, por e-mail, suas reações à peça, respondendo à seguinte questão:
"Qual a sua verdade?"