terça-feira, 20 de julho de 2010

AFINAL, QUE PAI NOSSO É ESTE?...


Ainda Somos Bobinhos Demais...

Pobre de nós que ainda nem começamos a desconfiar das grandes mentiras que nos contam, à revelia de tantos estudos, pesquisas, universidades, conhecimentos, sabedorias filosóficas. Muitas delas impostas em nome de Deus, dos anjos, dos santos. E de uma porção de coisas bonitas e maravilhosas que inventam para nos enganar. Nos fazer de bobos e nos explorar com a maior facilidade. Grandes absurdos criminosos contra o povo, os trabalhadores, as mulheres, as crianças que sofrem, choram de dor e de fome, por exemplo.
Fui criado dentro da religão católica. Sempre e em todos os lugares que ia, na pequena cidade onde morava, vendo a cruz que ainda hoje é o ápice da grande igreja. A mesma que quando criança, meu sobrinho confundia com um castelo, e vivia me perguntando quem morava nele. Aliás, sua arquitetura é fantástica. Um prédio altíssimo, austero, no meio das pequenas casas simples habitadas por pessoas pobres. Com duas torres imensas que tocam os céus. Simbolizando o poder, a imponência. E no centro, lá bem no alto, um buraco negro, em círculo, como se fosse a boca de Deus. Gritando seus mistérios. E, de certa forma, impondo seu evangelho, sua palavra sagrada que comanda nossos pensamentos, palavras e ações.
Certa vez, foi comigo lá, uma amiga arquiteta que fazia seu mestrado, defendendo a arquitetura pela ótica marxista. E como eu havia comentado com ela que o povo da cidade era muito conservador, preconceituoso, retrógrado, estas coisas. Ela, ao estudar o prédio da igreja, veio fazer-me esta observação em forma de pergunta: - Como você queria que fosse a cabeça de um povo que é regido pela ordem cristã dentro de uma igreja como esta? Foi aí que começou a cair a minha ficha (e espero que caia a sua, agora. Mas... ao mesmo tempo entendo que se tivéssemos pessoas com capacidade para entender e desdobrar o que este texto diz, ele não teria razão de existir. Mas vamos ver no que dá...).
Os católicos - eu sou ex - aprendem que Jesus ensinou-nos a oração do Pai Nosso e que devemos rezá-la todos os dias. Considerando-a a maior das preces e o grande ensinamento vindo daquele que é o filho do Homem (macho, branco, altivo, bonito, de olhos claros, um belo exemplar de ariana raça). O mais consagrado elo da criação divina, com o restante dos mortais comuns e desprezíveis que somos todos nós. É que a ideologia judáico-cristã é poderosíssima. Bem mais do que seu ícone central, o Senhor de tudo, em volta de quem e sob os auspícios de sua vontade, circunda o universo infinito. Com seus planetas, gametas, estrelas, galáxias, sua luz, vida, tal o poder incomensurável do seu criador.
Analisando este contexto fico pensando em tanta psicologia que há por aí. E me pergunto porque nenhum só dos seus cientistas, das professoras nervosamente perfumadas que tudo lêem e que ensinam tal assunto nas universidades do mundo, não difundem esta brutal incoerência? Ou será que ela não existe? Seria fruto dos conflitos e distúrbios entre meus poucos neurônios?
Mas se explica-se tanto desde o ultrapassado Freud, que há uma profunda, consistente e imperceptível relação entre o consciente, o inconsciente e o subconsciente. O que, é óbvio, facilita a indução de crenças, de valores, da perversidade do Estado capitalista, socialista ou qualquer ontro. Por que não se funde isto ao ato da religião? Ou seria, esta politicamente neutra? Qual a razão do ter que rezar em voz alta, como se Deus fosse surdo. De olhos fechados, com o controle da respitração - o que facilita o domínio da mente da pessoa - e, e de forma infinita, a oração que o Senhor nos ensinou e que diz:

01 - "PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS, SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME. SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NOS CÉUS... "

Como quem diz:
- Governantes nossos que estais nos palácios luxuosos, que têm os nomes acima do bem e do mal. Que a sua, e não, a minha vontade seja sempre feita dentro e fora de onde estão. Não seria isto uma predeterminação horrorosa e profunda na luta entre as facções da consciência e da inconsciência? E que acaba por beneficiar os mesmos comandos, os líderes, há milênios, como se fossem, aqui na terra a imagem do Criador maior, ou seja, a de Deus?

02 - "O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAI HOJE E PERDOAI AS NOSSAS OFENÇAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS AQUELES QUE NOS TÊM OFENDIDO..."

Como quem diz:
- Se a sua vontade que deve ser feita, então dai-nos o que comer, o que beber. Pois somos incapazes de conquistá-los sozinhos. E perdoai-nos, pobres coitados, pois, como humildes que somos, sempre perdoaremos as maldades, as injustiças que nos fazem. E assim, sempre...

03 - "E NÃO NOS DEIXAIS CAIR EM TENTAÇÃO, MAS LIVRAI-NOS DE TODO O MAL..."

Como quem diz:
- Não permita-nos outros prazeres - pois tudo é pecado contra vós - e, notadamente, os da carne. Pois se realizarmos tais desejos, estaremos prontos para questionar. Para lutar por alegrias outras. Por justiças que nos garantam a paz, a felicidade plena, das quais somos herdeiros legítimos. E por fim, já que não podemos conquistar os bens que satisfazem nossos desejos e necessidades? Não podemos gozar as delícias da vida? Seremos então induzidos a não sofrer com isto. E a vivermos de maneira pacífica. Embora explorados e carcumidos por um sistema maior que, mais uma vez cumpre a sua vontade suprema. E tudo continua bem, em paz e tido como normal. E em nome da justiça, da glória e da alegria perene que Deus, o Pai Nosso mais uma vez representa. E por isso, cumpre a sua vontade, ora!
Não seria isto uma lavagem cerebral inaceitável, em nome do bem? Mas culminando com o maior dos males contra os mesmos filhos do mesmo pai que é Deus? Não seria isto uma espécie de crime perpétuo contra a vida, a natureza que o mesmo Deus criou e por isso é o Pai? Por que os cristãos tão bons e tão preparados não enxergam este absurdo, esta lacuna esta dicotomia? Seria por isto a igreja católica tão forte e tão perene, estando aí firme como a mais consistente e duradoura das instituições mundiais?
Queremos muito a paz, a serenidade, a misericórdia. E, contraditoriamente, tudo o que fazemos é para a conquista do exato contrário. Inclusive, quando se reza com fé e para Deus, orações como o Pai e Nosso. Mas não sabemos o inconsciente c repete estas frases com a mesma força pelo bem do governo, dos patrões que nos assolam e do sistema que nos consome. Precisamos, antes de tudo, estar atentos. Pois rezar repetindo: "Pai Nosso que estais nos céus... Seja feita a Vossa vontade..." é rezar cpara Deus, até aí tudo bem.
Mas, é, aí que se inclulcam valores como quem fala de baixo para cima: do comandado para o comandante, da fêmea para o macho, do aluno para o professor, do povo para o governante, do empregado para o patrão, do pobre para o rico, do Brasil para os Estados Unidos, (os brasileiros dizendo a Lula, os goianos a Iris Rezende, os brasilienses a Roriz) por exemplo: - "Você que é melhor do que eu; que manda em mim e que define os meus destinos, então, que seja feita a sua vontade, e não a minha."
Com o quê, permitimos a exploração fácil, a socialização da míséria, as dores e sofrimentos que assolam o mundo. E são, muito pelo contrário, os homens céticos, frios e com absluta fome de poder é que inventam tudo isto e nos impõem. Em nome de Deus, do bem e do bom. Para expor-nos às mazelas e sofrimentos que, dificilmente suportamos e, com os quais, não chegamos a nos acostumar.
Começando a pensar e a agir assim - ao contrário do que possa parecer, sendo apenas uma questão de refletir com sensibilidade e inteligência - é possível que faremos Deus sorrir e se lembrar, de fato, que existimos. E, talvez seja mesmo, por força de sua vontade suprema. Mas, isto não será para agora. Quem sabe, para os próximos milênios. Ou, talvez, para nunca. Pois estou convencido de que a humanidade não quer mesmo, de nenhuma forma, ser feliz. Preferindo sofrer e reclamar. Acho mesmo que o ser humano foi feito para a eterna autocomiseração.
Portanto, cuidado. Pois é em nome de Deus e do extremo bem é que circundam as máfias mais poderosas, terríveis e maquiavélicas.Um mal maior do que aquele que você, na mesma oração, pede para se livrar. Não se iluda. Pois toda a vez que o seu consciente reza, cheio de fé e piedade, tudo ordena ao inconsciente e ao subconsciente a subserviência, a aceitação, a passividade em relação a que os que comandam fazem contra você. E, na condição de comandado, de pessoa do povo, de trabalhador, de aluno, de esposa, de negro, você acaba por obedecer e acatar como a vontade soberana "do alto".
Pobres dos filhos do Pai Eterno. E nosso!... E enquanto um de nós continuar rezando para ele, nestas mesmas contingências, o mundo não dará um passo sequer rumo à evolução que sonhamos. Seria esta, a verdadeira vontade de Deus?

__________
Antonio da Costa Neto

3 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pela sua observação.
São poucos que tiram o véu da fase e quando tiram deve cuidar-se bem e determinar a escolha de um dos caminhos a seguir...
Exemplo: ativar a Flagelação de Jesus Cristo na CRUX(com x mesmo,com z nao dá), como fazem até hoje,2010 OU ativar os belissimos pensamentos e ação DELE.
Enquanto, lembrarmos do PIOR, NELE VIVEREMOS.
REPETIR,REPETIR E REPETIR, não é o tal "SEGREDO"?
Então, por quê não vivermos e seguirmos A PALAVRA DE JESUS CRISTO? Aos doze anos de idade, ele já opinava.... "É MENTIRA, TERTA?"
Luz & Paz estejam contigo.

nunes.rose disse...

Você tem razão: quem sabe, não fala,quem fala, não sabe.Talvez seja o caso de repensar a relação com um 'Pai' patrão que não vemos e que mora em um lugar inacessível de onde nos observa e nos pune.Ainda bem que existe gente capaz de pensar por si mesmo.Quem sabe juntos fazemos algo acontecer?
Obs.: achei o seu blog por causa do post sobre a Marilyn Ferguson.Você me autoriza a citá-lo?
Rose Nunes http://nomadigital.blogspot.com/

Rose Red disse...

É, o povo "quer" reclamar e sofrer.

Ter vidas vazias, "sem alarmes e sem surpresas".

ser "puro sangue puxando carroça".

é isso aí, tá completamente certo, Antônio!


essa submissão cega e burra um dia vai cessar :)
e a humanidade poderá enfim deixar de ser uma espécie auto-destrutiva e pseudo-inteligente.