sexta-feira, 9 de abril de 2021

SUPERANDO A PANDEMIA DO CORONAVIRUS

 SUPERANDO A PANDEMIA DO CORONAVIRUS




Eu penso que a superação da pandemia do coronavírus apenas será possível com uma profunda modificação de sentimento, almas e ações. Precisamos de uma outra cultura, outra educação, outra escola, outra família, outra política, outra economia que possibilitem este salto milagroso para a humanidade. Até agora fizemos tudo ao contrário e deu no que deu. Mas as pessoas ainda resistem duramente a esta mudança, mesmo as que se consideram boas, progressistas, honestas, amorosas.
Ainda pensamos no sentido contrário. Enquanto temos que pensar, falar e agir de uma forma amorosa, verdadeira, humana, plena, voltada para o bem estar de todos ainda somos competitivos, subservientes, mesquinhos, covardes, medrosos, cínicos, ignorantes políticos, egoístas, beneficiadores dos mesmos e desgraçando a vida da vasta maioria. Falta tudo para começarmos o caminho de volta, infelizmente. Talvez daqui há uns 100, 200, 3000, 5000 anos. Talvez nunca. A humanidade é, de fato, um projeto de Deus que não deu certo. É preciso recomeçar tudo.

A CRIANÇA SABE... UM FANTÁSTICO ESTUDO DO SOCIOGRAMA FAMILIAR



 

 A CRIANÇA SABE... UM FANTÁSTICO ESTUDO DO SOCIOGRAMA FAMILIAR

Estudo, há anos uma técnica que chamamos de Sociograma familiar, ou familiograma e nela descobrimos que:
01 - A criança sabe de tudo, nós, adultos é que subestimamos esta sabedoria e que todas as vezes que fazemos isso dá errado. Se o pai do Henrry tivesse ouvido a súplica para ficar com ele mais um dia, nada disso teria acontecido.
02 - A intuição da criança é fortíssima, o hemisfério direito dela está intacto, perfeito e ela sintoniza tudo. Se a criança quer ou não quer isso ou aquilo, observe bem. Se ela gosta muito ou rejeita aquela pessoa, pode saber que não é por acaso que isto acontece. Tenha a sensibilidade de tomar os cuidados.
03 - Meninos se ligam nas mães e competem cegamente com os pais, e lógico, muito mais ainda com os padrastos. O mesmo acontece com as meninas que se ligam mais nos pais e competem com as mães e muito mais com asmadrastas. Este é o princípio freudiano que define a libido, a sexualidade (hetero, homo, bi, etc.) e todas as relações dela com as pessoas do mesmo sexo ou do sexo oposto por toda a vida, incluindo amores, ódios, prazeres, sofrimentos, subserviência, domínios, consensos e conflitos. Sutilezas ou desavenças neste campo durante a vida intrauterina e a primeira infância (de 0 a 5 anos) é que vão definir todas as relações da vida daquela pessoa. Isto é muito sério e delicado e a maioria dos pais e educadores são absolutamente ignorantes neste sentido o que gera pequenas e grandes tragédias, infelizmente.
04 - A pessoa mais importante para a criança, o seu grande mito e ídolo é o pai do sexo oposto ( para a menina é o pai e para o menino é a mãe) e este é um entendimento sutil e fundamental em termos do diálogo, do carinho, do afeto, da atenção. A criança "enlouquece" quando esta situação é colocada em risco e a não percepção disso, por ignorância ou insensibilidade dos pais, dos responsáveis e dos educadores é uma verdadeira catástrofe humana, social, responsável por tragédias, dores e sofrimentos para a grande maioria das pessoas por toda uma vida e o que é pior, é passado para gerações e gerações sem fim, num ciclo vicioso quase que interminável.
05 - País, avós, professores morrem e deixam aí seus descendentes cometendo erros e provocando sofrimentos que eles causam nas pessoas enquanto crianças. O que você faz hoje com seus filhos, companheiros, amigos, colegas, etc. é o fruto do que, consciente ou inconscientemente vc recebeu dos seus pais que receberam dos seus bisavós, que receberam dos seus trisavós e por aí vai. Uma questão mal resolvida há séculos com seu antepassado pode estar sendo repassado agora para alguém aqui e agora e será repassado para a geração futura, como um vírus, com suas variantes de pessoa para pessoa. Uma pandemia milenar e devastadora causada pela extrema ignorância tão fácil de ser superada.
06 - O simples desenho do sociograma famíliar e o seu cuidadoso desdobramento irá ajudar muito na solução desta problemática devastadora. Podemos fazer isso quando você quiser. Venho acumulando experiências em escolas, grupos familiares, conselhos tutelares, instituições de assistência a crianças e até empresas e outras organizações.
Não tenha medo de ser feliz e de promover a felicidade das pessoas. Os desafios porque passa o mundo requer de cada um de nós este tipo de posicionamento.

Antonio da Costa Neto
Institutohumanizar
antoniodacostaneto@gmail.com
61 99832 25 37

segunda-feira, 1 de março de 2021

UMA VISÃO QUÂNTICA SOBRE A PANDEMIA DO CORONAVÍRUS E DA COVID 19: O PROBLEMA NÃO SÃO AS NOVAS MUTAÇÕES MAS OS ANTIGOS COMPORTAMENTOS

 

Gosto da concepção da física quântica que analisa os fenômenos vivenciais a partir de quatro variáveis: a causa, o efeito, o processo e o resultado. Assim, o método de busca para a solução de qualquer problema deveria ser, para lograr êxito, a partir de uma análise segura, de uma coleta de dados e uma tomada de decisão para mudanças concretas em todos estes aspectos.
Antigamente, com problemas menos complexos, do que é, por exemplo, esta pandemia, os dilemas eram resolvidos com dimensões parciais, atuando, principalmente, sobre os resultados, e, poucas vezes sobre os processos, deixando de lado a causa e o efeito, resolvendo assim, parcialmente, o problema, passando uma falsa visão de solução completa, gerando conforto, alívio, mas acumulando, quanticamente, os resíduos da causa e do efeito, como quem, por exemplo, varre o lixo para debaixo do tapete, dando a impressão que o ambiente está limpo, quando, na verdade não está. A sujeira apenas fugiu do alcance dos nossos olhos.
Claro que chega uma hora em que esta atitude não pode ser mais sustentada ou sustentável. As coisas apodrecem, o lixo se acumula e não cabe mais sob o tapete, o mal cheiro começa a se espalhar e é preciso, portanto, proceder a mudança real, a limpeza profunda, a revolução necessária, o que dará muito trabalho, afetará a zona e conforto das pessoas que ali vivem ou trabalham. Difícil sim, desconfortável, um desafio que ninguém quer, mas, absolutamente necessário se quisermos continuar vivendo ali. E o coronavírus, a Covid 19 é, justamente, a saturação do lixo embaixo do tapete de todo o planeta - claro que estou apenas exemplificando - e que precisa ser limpo o quanto antes, o que requer uma revolução, uma exemplar e sem precedentes mudança de paradigmas.
Mudança de ação, de sentimentos, de comportamentos. Falamos de mudança completa e complexa, em todos os aspectos e sentidos. Algo muito maior do que temos visto no caso de como vem sido tratada a pandemia. Precisamos de algo para muito além das ações sanitárias e dos cuidados epidemiológicos, clínicos e hospitalares, que atuam só em relação ao resultado, já dando efusivas mostras de saturação, deixando de lado as causas, os efeitos e os processos que levaram a tudo isso. Daí a pandemia, e, com a profunda resistência do ser humano em proceder as mudanças necessárias, vêm as mutações, as novas cepas, que, no final; se não forem tomadas as medidas corretas, irão destruir todas as possibilidades de vida no planeta como um todo.
Fritjof Capra, meu autor favorito, físico, austríaco, radicado nos Estados Unidos fala no seu excepcional livro: O ponto de mutação - a ciência, a cultura e a sociedade emergente de uma questão muito importante e que agora vem à tona que é o que ele chama de crise de percepção, sendo esta a tônica deste maravilhoso best-seller, de mais de seiscentas páginas. Esta crise de percepção pode ser sintetizada como a falta de visão, sob a parcialidade, o engodo e o engano das pessoas - em todo o mundo - condicionadas, por sua vez, por uma certa ótica, uma certa lógica que levam as pessoas a praticarem o tremendo mal, achando, sim, que atuam no mais absoluto bem. E imagine o impacto disto em todo um mundo, e, segundo o autor, nas diversas áreas que compõem a dinâmica e ampla realidade do mundo e da vida e se repetindo, viciosamente, ao longo dos séculos, dos milênios da história da humanidade.
Segundo o autor esta crise acontece em todos os segmentos e áreas de ação da humanidade: as mães nas famílias, os professores nas escolas, e, muito especialmente, na gestão das economias, das empresas, do trabalho e da produção, na política, ampliando a exploração, a concentração da riqueza, e, ao mesmo tempo, a socialização da dor, do sofrimento, da fome, da miséria absoluta e as pessoas envolvidas jurando que estão fazendo o bem, quando na verdade, tudo acontece ao contrário.
É que as pessoas atuam para atingir os resultados visíveis, parciais e tendenciosos que, por isso mesmo, para beneficiar alguns poucos, prejudicam muitos e isto se repete no cotidiano do mundo inteiro há muitos milhares de anos. Imagine, portanto, o lixo mundial em termos de valores, postura, caráter, formas de ver, pensar, sentir e fazer as coisas que agora eclodem e estão matando a sociedade inteira e, sempre que encontra resistência, muda o foco, amplia a sua capacidade de "limpar o lixo", daí as mutações.
Claro que não podemos abandonar as medidas e os cuidados médicos, hospitalares, clínicos e epidemiológicos, eles atuam nos resultados da pandemia e atenuam as consequências imediatas e palpáveis no aqui e no agora, mas, se não atacarmos as causas e os pequenos e grandes efeitos dela, a coisa irá se ampliando, tanto na saúde como na economia, até chegarmos a um ponto de total impossibilidade de continuarmos a viver. É preciso sim, mais do que necessário que alteremos as causas e os efeitos de tudo isto, embora quase tudo não tenha, em princípio, ao nosso olhar raso e fraco, nenhuma conexão, ou seja - um nada haver com a questão da pandemia e da doença, o que na verdade quântica sobre a qual aqui falamos - é um tudo haver - sobre o qual podemos exemplificar:
1 - Tudo se processa num ciclo de energia que se evolui progressiva e continuamente, que se inicia na energia sutil. No contexto da relação entre as pessoas, no ciclo que as une esta questão está nas pequenas coisas: um sorriso, uma gentileza, um cumprimento, um diálogo, um carinho, uma atenção. Um olhar para o lado no sinaleiro, um cumprimentar no elevador. Segurar a porta na saída/entrada do prédio, do condomínio; um muito obrigado seguido de uma resposta, quando for dito. Ceder a frente, dar o lugar no ônibus, no metrô, ceder o aparelho na academia, a frente na fila, enfim, estas pequenas coisas. Puxar um papo com quem está ali do lado, se interessar, fazer amizade real, estreitar laços. Conhecer os vizinhos, trocar ideias, saber como, onde e quando acontece a vida das pessoas que nos cercam, que conosco trabalham. Gentilezas, cuidados, carinhos, empatia, afeto, que traduzem a solidariedade, a troca. Coisas simples e por onde tudo começa.
2 - Nossas empresas, governos e instituições são céticos, frios, calculistas, minimalistas, burocratizados e não dão ao ser humano a menor importância. Trabalham pelo capital, a técnica, a concentração do poder e da riqueza e as pessoas que fazem isto desconhecem os processos e os resultados malignos do que fazem e do como fazem. Faltam-lhes uma visão de dualidade e que de cada pró, existe um contra e que todas as vezes que beneficiamos alguém podemos estar prejudicando muitos outros. O povo que trabalha, o faz contra si próprio e nem sabe disso. A ignorância, a cegueira, a indução psicológica pelos detentores do poder e do dinheiro cegam, alienam, robotizam as pessoas. A maldade, a competição, o orgulho, a mali discência, a ganância deixam as pessoas apáticas. Os políticos, os ricos, os parlamentares, empresários e patrões são, definitivamente secos, céticos e mesquinhos e se cercam de pessoas cegas e pouco perspicazes que os ajudam a desgraçar o mundo e a vida. E o que é pior, estão longe de saber disso e enquanto não souberem e não operarem ao contrário do que fazem não teremos a menor possibilidade de derrotarmos nem o vírus nem a doença. Será o caos absoluto, o fim do fim. A vacina poderá até contornar, mas tudo voltará num ciclo, absolutamente vicioso e cada vez mais grave e mais perigoso.
3 - As escolas são frias, calculistas, maldosas, vingativas, castradoras, insuportáveis e é onde, talvez, as mudanças mais profundas precisam ser operadas. Pois elas são as responsáveis pela formação das mentes e das mentalidades que, por sua vez, constroem o mundo. Ao invés de ensinarem as pessoas para serem atores da transformação do mundo e da vida, elas fazem absolutamente ao contrário, educam, treinam, adestram, confinam para que as pessoas atuem no sentido de perpetuarem o mal extremo que aí está em todas as dimensões. Não educam para o amor, mas para a competição e a ganância. Não para a vida, a paz, a decência, a vida, a cidadania, a prosperidade, o afeto, a alegria, mas para a insanidade, a morte, o ter materialmente, a guerra, a concentração do poder e da riqueza, o desamor, o sofrimento. E, de certa forma, acontece o mesmo com as mães, as famílias, os grupos humanamente afetivos e próximos que, na verdade são egoístas, perversos e malignos.
Para acabar com a pandemia e expulsar de nossas vidas este vírus assassino temos sim, que mudar estes valores, estas crenças e estas ações. Mas no real concreto das coisas, das pessoas e da vida. Temos que fazer a palavra andar, concretizar os fatos, alcançar as metas do amor, da dignidade, da comida, do conforto material, espiritual, habitação, dignidade, cidadania, educação e saúde, mas na prática, no dia a dia de todas as pessoas e não só das poucas, das mesmas, dentre as quais incluímos a nós mesmos.
Temos de estar atentos, denunciar as injustiças, ser politicamente ativos na luta contra quem dificulta a dignidade humana em todos os sentidos. Temos que ler poesia, ouvir música, amar de verdade, conhecer e inervir na vida do outro de forma concreta, entendendo, finalmente, que o pior de todos os males, o imperdoável é deixar de fazer o bem quando se pode fazer o bem com as pessoas, os animais, a natureza, a vida. E sempre podemos fazer o bem. Mas não fazemos porque não queremos, não estamos preparados, não fomos educados para isso, mas sim, para o contrário. O próprio Fritjof Capra no livro já citado fala no "Pense Globalmente e Atue Localmente" e, ao mesmo tempo, no "Pense Localmente e Atue Globalmente". É simples, fácil e maravilhoso. É só uma questão de experimentar.
Precisamos mudar, profundamente os paradigmas da competição para a cooperação, da apatia, o não fazer nada para a empatia, colocando-se, na realidade, no lugar do outro, do que sofre, do que procura você; da mera caridade passiva para uma luta pela justiça social, para a dignidade, a proposição de dias e noites melhores para todos. Uma mudança concreta não só do discurso fofinho para a ação instauradora do bem. Entendendo, finalmente, que o amai-vos uns aos outros não é mais somente uma passagem bíblica, mas a única saída.
Não tenha dúvida. Está lançado o desafio. Conversemos a respeito: 61 99832 25 37.
Vamos transcender. Seguremos em nossas mãos. Mas antes, arregacemos as mangas.


terça-feira, 12 de maio de 2020

ODE À BETHÂNIA - POR JORGE MAUTNER

Quero aproveitar para falar do sublime nesse poema que escrevi para minha e nossa querida Maria Bethânia de todos nós: Quando ela canta ela transforma o palco em um altar, e, ao mesmo tempo-espaço, em um terreiro. O ser humano nasceu na África e daí se espalhou para todos os lugares. E viva o rei Zumbi do Quilombo dos Palmares!!!! “Aonde foi que Jesus ensinou sua filosofia?" Foi na Bahia, foi na Bahia!” — Noel Rosa. Miriam em Aramaico é Maria. Miriam de Migdal, Maria Madalena. Aqui é Miriam, de Maria de Bethânia. Ela vem do mais profundo início do teatro de Ésquilo onde as falas são cantadas. Mas é mais atrás, é mais agonal, vem da grande mitologia, da literatura oral de Homero, Hesíod, dos candomblés, de Dom Sebastião que morreu em Alcácer Quibir, de cânticos de luz de axé, de flores, amores que é Jesus de Nazaré e os tambores do Candomblé. O perfeito equilíbrio simultâneo quando ela canta ela irradia entre o esplendor de todos os paganismos e o esplendor de todos os cristianismos, humanismos, democracia, anarquismo, socialismo pacifista da Amálgama, com a qual José Bonifácio nos definiu em 1823 dizendo: “Diferente dos outros povos e culturas, nós somos a Amálgama, esta Amálgama tão difícil de ser feita.” Quando ela entra no palco ela transforma o palco em um altar, e, ao mesmo tempo-espaço, em um terreiro. O altar é de Palas Atena e o terreiro é de Iansã. Sua presença é um incêndio de paixão que ressuscita o tempo todo o seu canto Nagô que é Banto e é o amor. E que em sua voz tão bela e cheia de bem-querer é Benguela e Gêge pra irradiar a instantaneidade da vibração da vida com todos os entrelaçamentos das dimensões da graça divina que começa lá na infância em sua família lá em Santo Amaro da Purificação desta Bahia onde o Brasil começou e não é à tôa que foi seu irmão Caetano quem lhe deu o nome, inspirado na música cantada por Nelson Gonçalves. Ela é poetisa, filósofa, pensadora, ativista social política, pioneira dos feminismos, irradiadora de um conhecimento absorvido em leituras incessantes, de Fernando Pessoa, dos filósofos, e, também não foi à toa que foi lançada pelo magnífico Vinicius de Moraes que a trouxe para o Rio de Janeiro. Ela vive perto de Jorge de Lima, da neurociência e o que é mais impressionante para mim é um constante mistério que ela irradia com seu talento que é, ao mesmo tempo, antiquíssimo e reflete todas as emoções e informações dos ancestrais. E, ao mesmo tempo, de novo a simultaneidade, traz sempre a novidade é o eternamente novo. Na verdade, são cânticos religiosos, incluindo cânticos das religiões ateias, mas todas anunciando a mensagem do presente que arrasta o passado em direção ao futuro e se eu fosse resumir em todas as miríades de interpretações e composições de Dorival Caymmi a outros tantos, gênios da cultura brasileira e internacional. Eu acho que está no Evangelho de São João em que uma voz anuncia: “Uma criança nasceu entre nós.” Ela tem o expressionismo com um afastamento mediúnico, ela tem também Villa-Lobos que disse: “Aprendam harmonia e contraponto a fundo e depois esqueçam tudo”. Mas o que ela tem é ela mesma e isso se reflete em tudo em mensagem permanente de ressurreição. Com Fernando Pessoa lado a lado com Seu Esteves e a tabacaria, a presença onipresente dos fados imortais. E aqui eu pergunto: Nasceram os fados no Brasil? Amália Rodrigues, a grande fadista portuguesa, canta De São Paulo de Luanda de Capiba: “Minha mãe chorava, kalunga, e eu cantava, kalunga, maracatu! Maracatu! Nação do preto nagô”. Bethânia quando canta, seus cantos também são acalantos de ninar, de adormecer a criança que nasceu entre nós para ela ser feliz e para morar na felicidade. Dizem que nossa arte é barroca, ela é mais do que isso, é maneirista e o maneirismo já é quântico. Sua majestade tem tamanha plenitude que se apresenta com a mais extrema humildade. Sua voz ecoa sempre nos batuques em homenagem ao rei Zumbi do Quilombo dos Palmares. Ela ecoa em todos os lugares, e este canto tem sempre aquela cor azul dos primeiros raios da manhã, os quais o pintor Fra Angelico captava em seus quadros. Claro que a primeira luz do azul de anil assim canta e caminha a rainha, porta-estandarte e porta-bandeira da bandeira brasileira. A voz do candomblé que irradia/ o Sermão da Montanha, Maria Bethânia. Eu a conheço há milênios e me lembro que assistimos juntos à entrada em Jerusalém de Jesus de Nazaré montado em seu burrico. No candomblé existe a árvore Irôko que é a árvore do tempo. Mas no tempo antes do tempo. Orun, o céu e suas estrelas ou Olorun, seu Orixá, habitavam aqui no planeta Terra com nossos ancestrais. Acontece que, de repente, os nossos ancestrais começaram a tratar Orun e Oloruncom muita falta de respeito. Alguns usavam a lua como travesseiro, outros chegavam a cuspir e urinar nas estrelas. Então Orun e Olorun não se queixaram porque os deuses não se queixam, apenas decidiram já que a coisa era assim, se afastar do Planeta Terra e ir morar lá no alto, onde estão até agora. No entanto, quando Maria Bethânia canta, Orun, o céu estrelado e Olorun, seu orixá, voltam para ficar em nossa presença. E se o espectador prestar bem atenção perceberá que o sol, a lua, as estrelas, os cometas estão ali enquanto ela canta. Quando ela para de cantar, Orun e Olorun voltam lá para o alto para morar no infinito novamente.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

ODE À NOBREZA DE VÓ HERCULANA




ODE À NOBREZA DE VÓ HERCULANA
Minha vó Herculana
sempre teve toques de nobreza.
Pele alva, tez macia,
boca cheia de doces cerejas.
Os cabelos longos
com ondas de ouro e prata
presos no alto da cabeça
mostravam que estava sempre coroada.
Sim, minha vó teve a vida toda,
não só toques, mas hábitos de rainha.
Ela possuía um paletó imenso, lindo,
de um veludo cor de ouro que lhe servia de manto
jogado nas costas, de forma
altiva e elegante em todas as noites de frio.
E se sentava cheia de pompa na cadeira de braços,
no jardim, entre lírios, margaridas e rosas brancas
que eram as que ela mais gostava.
Tinha nas mãos o cetro da agulha de crochê
que cosia como ninguém:
um trabalho fino, belo, imperial
que ela sempre vendia
para as pessoas mais ricas da cidade:
as Caetanas,
D. Elvira, a esposa do Juiz;
D. Helena Brenner,
Lela Caixeta e muitas
mães das alunas ricas
do colégio interno das
freiras eram as suas clientes
mais notáveis.
Minha vó gostava de soltar pipa,
um brinquedo que nunca abandonou
e me levava para o pasto do S. Sebastião,
para fazer isto, por horas,
sem o obstáculo dos fios elétricos
(uma figura).
Também preferia almoçar cedo
para sentir que já era de tarde, pois
dizia que as manhãs a angustiava
(e eu herdei isto dela).
Era destas pessoas que conversavam com galinhas
e varria com cuidado o chão
à sombra da amoreira
que tinha no quintal – o seu recanto predileto.
Mas o que mais sabia fazer era
dar risadas com esplendor de oração.
E do alto de sua majestade,
ria de tudo, confortavelmente,
com as bochechas de maçãs
e a corrente de pérolas que brilhava
em sua boca de gente rica.
Minha vó não tinha só toques de nobreza.
Pois, de vez em quando,
ela furava o dedo na agulha
de crochê que era o seu cetro de rainha
e saia um sangue azul que era uma beleza.

(Antonio da Costa Neto - do livro Simplesmente azul)

sábado, 25 de abril de 2020

A CRISE SÓ VAI PASSAR SE CADA UM DE NÓS DER A SUA CONTRIBUIÇÃO









A CRISE SÓ VAI PASSAR SE CADA UM DE NÓS DER A SUA CONTRIBUIÇÃO
01 - Faça um mergulho fundo para dentro de você e perceba coisas, defeitos a corrigir; falhas, omissões, egoísmos, limitações, vaidades inúteis, tolices, ignorâncias, preconceitos, etc. e trate de fazer a limpeza. Sempre tem algo que a nossa cegueira e covardia não nos permitem enxergar e isto também precisa ser corrigido.
02 - Ligue para aquele amigo - ou alguém que deixou de o ser - com quem você não fala há muito tempo. Mesmo que seja para conversar coisas simples, dar risada. Neste momento, qualquer perfume inebria a alma e ajuda a espantar a dor, a.agonia, a tristeza, o sofrimento o que fará um bem enorme.
03 - Se alguém ligar pra você atenda, mesmo com sono e evite bocejar ou deixar de atender. Ao contrário, mostre entusiasmo, alegria é dê assunto. Sei de telefonemas que evitaram suicídios e deixaram muita gente feliz. Nunca sabemos a condição interior de quem está do outro lado.
04 - Lembre-se que diferente do dicionário, na vida a justiça vem antes da caridade. Agora, se você não pratica nenhuma nem outra, acorde, já passa da hora de realizar as duas.
05 - A absoluta maioria de nós passa a vida a serviço de produzir poder e riqueza para quem os tem, sem saber que, com isso ajuda a ampliar a fome, o medo, o desemprego, a violência e a miséria - o que gera todos os males do mundo.
Portanto, se você ou algum ente querido for vítima de alguma destas coisas lembre-se de que não há efeito sem causa e que a lei do eterno retorno precisa ser respeitada, em especial, para quem sabe disso. E atenção, se não sabia, você ficou sabendo disso agora. Mude, portanto.
06 - Tudo acontece na seguinte ordem quântica das energias: primeiro vem a rarefeita, o desejo, talvez; inconsciente. Depois vem a sutil, a consciência do desejo e do pensamento. Em seguida, a palavra, falar da coisa tem sim seu peso e importância. Atenção com isso. Mais tarde vem a energia complexa que são pequenas ou grandes ações direta ou indiretamente direcionadas para a o concretização daquele desejo dependendo do nível de consciência. Por fim, a energia compacta, que é a realização da coisa em si. E toda energia complexa gera infinitas energias rarafeitas num ciclo infinito em que tudo recomeça. Tudo o que pensamos, desejamos, falamos e fazemos se concretiza em algum nível e em algum lugar do universo - é o que chamamos de inconsciente coletivo. Assim, até o coronavírus e a covid-19 também surgiram deste processo e pela força das energias criadas por 7 bilhões de pessoas em todo o planeta. Pense nisso. Certamente, eu, você, todos nós demos a nossa contribuição. Para superá-las é preciso que cada um tenha consciência neste sentido. Faça a sua parte.
07 - Agradeça sempre as mínimas coisas, um sorriso, um olhar carinhoso, um gesto, uma palavra já são suficientes quando alguém, presta uma gentileza, cede o lugar, dá a vez no trânsito. Nestas pequenas coisas se escondem os grandes segredos. Também responda, fraternalmente, quando alguém agradecer e cumprimente as pessoas, não custa nada e faz um bem enorme. "Gentileza gera gentileza." Lembra?
08 - Se vc recebe mensagens via Whatsapp, por exemplo, responda ao menos a alguma delas. Muita gente pára de mandar coisas boas, divertidas, informações importantes para sanguessugas que nunca respondem, ou vêm sempre com aquelas mensagens prontas, geralmente, de gosto questionável. Além de feio e isto é falta de educação. Quem recebe é porque tem, também, condição de mandar. Basta um pequeno esforço. Simples assim.
09 - Nestas alturas coloque a consciência política acima de todas as qualidades e a alienação, ingenuidade o pior de todos os defeitos. Em quem você vota e a quem elegemos faz toda a diferença para a vida de todos, para as gerações futuras e é de uma responsabilidade sem tamanho e numa dimensão inimaginável. Ainda há tempo de se arrepender, se for o caso, se você ajudou a eleger políticos perversos, devassos, que só fazem o mal, prejudicam nossas vidas e, de certa forma, nos condenam á morte, literalmente até. Apoiar a estes eleitos é algo que não pode ter o perdão do universo frente à gravidade e ao horror que vivemos e que gerará retrocessos futuros de dimensões inaceitáveis.
10 - Aprendi com um amigo que não está mais entre nós que o pior de todos os males é deixar de fazer o bem quando se tem a oportunidade de fazê-lo. Penso nesta hora em quem tem nas mãos algum poder. Poder este que todos nós temos em maior ou menor proporção.
"O amarmos uns aos outros - aprendi com Milton Greco - não é mais apenas uma passagem bíblica, mas a única saída." Não é lindo?
(Antonio da Costa Neto)